Famerp já aplicou 201 doses da vacina em Rio Preto

PROTEÇÃO

Famerp já aplicou 201 doses da vacina em Rio Preto

Nenhum voluntário relatou sintomas da doença ou reação adversa à substância


Vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac está sendo testada em São Paulo
Vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac está sendo testada em São Paulo - Instituto Butantan/Divulgação

A Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) já aplicou a vacina contra o coronavírus em 157 voluntários. Desses, 44 já receberam também a segunda dose, totalizando 201 doses aplicadas desde o início da pesquisa, no mês passado. O objetivo é vacinar 450 voluntários rio-pretenses até o final deste mês.

A Famerp participa do estudo para aprovação da Coronavac em parceria com o Instituto Butantan. A vacina é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech. Os testes estão sendo feitos em profissionais de saúde voluntários que trabalham na linha de frente de combate à pandemia. Eles recebem duas doses, a segunda após 15 dias da primeira.

Um desses voluntários é o enfermeiro Eder Aparecidos dos Santos, de 38 anos, que vai tomar a segunda dose da vacina no dia 18 de setembro. Ele conta que está bem e tranquilo e que após tomar a primeira dose sentiu um pequeno mal-estar. "Depois de 24 horas da vacina, um pouquinho de tontura, coisa de meia hora. Não precisou de medicação nem nada", relata. A equipe da Famerp entrou em contato com ele para questionar se estava bem.

Eder, que quer um resultado rápido para que as pessoas possam ser ajudadas, precisa preencher um diário relatando se está sentindo dor, se tomou remédios, se teve vômitos ou diarreia.

Parte dos voluntários está recebendo o placebo, substância sem efeito algum. Os pesquisadores da Famerp não têm controle e nem sabem quem recebeu o placebo e quem tomou a vacina, pois as embalagens são exatamente iguais, e somente o laboratório responsável terá essa informação - esse parâmetro é importante para determinar se, em quem tomou a vacina, o desenvolvimento de anticorpos contra a doença foi significativo, diferente do que em quem recebeu o placebo.

Esta é a terceira fase de testes da Coronavac, que será analisada em outros 11 centros pelo Brasil, em 9 mil voluntários ao todo. De todos os recrutados em Rio Preto, até o momento, 95% puderam participar do estudo. Durante a seleção, a equipe multidisciplinar do Centro de Pesquisas Clínicas da Vila Toninho verifica se o voluntário se enquadra em todos os requisitos para receber as doses.

O voluntário não pode, por exemplo, já ter contraído Covid-19 ou estar participando de outro estudo de vacina. Os trabalhos são coordenados pela bióloga Eliane Fávaro, sob a supervisão do virologista Maurício Lacerda Nogueira, chefe do Laboratório de Virologia da Famerp.

Os voluntários serão acompanhados por dois anos. Segundo a Famerp, até o momento, nenhum deles relatou sintomas característicos da Covid-19 ou apresentou efeitos colaterais.

Os exames laboratoriais para verificar a eficácia da vacina serão realizados pelo Instituto Butantan. Os testes determinarão se os voluntários desenvolveram anticorpos contra a doença.

"Vacinas normalmente demoram anos, mas também são feitas em orçamentos menores e em estudos menores. Estão sendo feitos estudos muito grandes com alto número de pacientes tentando identificar a segurança das vacinas, então por isso todos os estudos são de segurança e eficácia", explica o cientista.

Grupo de ministérios

O governo federal instituiu um grupo de trabalho interministerial para coordenar a aquisição e a distribuição de vacinas "com qualidade, eficácia e segurança comprovadas" contra o novo coronavírus. Sob coordenação do Ministério da Saúde, o grupo deverá colaborar no planejamento da estratégia nacional de imunização voluntária contra a Covid-19 e terá duração de até noventa dias, podendo ser prorrogado por igual período. Dezenove pessoas farão parte do grupo, sendo uma delas membro da Anvisa.

(Com Francela Pinheiro e Agência Brasil)

  • A Coronavac é produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac. É baseada na manipulação em laboratório de células humanas infectadas com o coronavírus
  • A pesquisa da vacina já está na fase 3, a mais avançada, que prevê testes em grande quantidade de humanos para ver as reações e se ela tem o efeito desejado
  • Doze centros de pesquisas fazem os estudos clínicos no Brasil da Coronavac, entre eles o Laboratório de Virologia da Famerp. A pesquisa é coordenada pelo Instituto Butantan
  • A vacina será aplicada em nove mil voluntários no País - cerca de 450 pela Famerp, em Rio Preto
  • Os testes por aqui começaram no dia 7 de agosto
  • Voluntários são profissionais de saúde da rede pública ou privada, que trabalham na linha de frente de combate à Covid
  • Até agora, 157 já tomaram a primeira dose. Desses, 44 já tomaram duas doses
  • Os participantes do estudo estão sendo acompanhados por equipe multidisciplinar que envolve médicos, enfermeiros e farmacêuticos. Por enquanto, nenhum deles teve efeito colateral

Fonte: Famerp, governo do Estado e reportagem

Alvo de estudos em outros países, a vacina contra o bacilo Calmette-Guérin (BCG), que protege contra tuberculose, vai começar a ser estudada no Brasil a partir do próximo mês como uma estratégia de proteção contra a covid-19. O imunizante é aplicado obrigatoriamente no País desde 1976 e pesquisas já apontaram que o número de mortes no Brasil poderia ter sido maior sem essa medida.

Assim como as pesquisas realizadas nos Estados Unidos, Austrália e Holanda, os testes serão feitos com profissionais que atuam na linha de frente no combate à doença. A proposta é avaliar os efeitos da vacina em 10 mil voluntários, dos quais 3 mil serão brasileiros. Os demais serão da Austrália, do Reino Unido, da Espanha e da Holanda.

Segundo o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que vai atuar no projeto, a proposta é identificar se a vacina protege ou não contra o novo vírus, evitando a evolução para formas graves da doença. "Ela (BCG) tem dois diferenciais importantes. É uma vacina que já foi usada muitas vezes, são 120 milhões de crianças que tomam anualmente e os efeitos adversos são raros, e não tem limite de idade superior", diz ele, que também é professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Escola de Saúde Pública de Yale (EUA). "Muitos estudos com vacinas estão sendo feitos com pessoas entre 18 e 50 anos. Isso é importante para os idosos."

(Agência Estado)