Número de mortes por coronavírus passa de 500 em Rio Preto

VIDAS PERDIDAS

Número de mortes por coronavírus passa de 500 em Rio Preto

Menos de seis meses depois da confirmação do primeiro caso de coronavírus, no dia 12 de março, Rio Preto ultrapassou a marca de 500 mortes por Covid-19. Apenas nesta quinta, foram dez óbitos


Representação gráfica do coronavírus
Representação gráfica do coronavírus - Freepik/Banco de imagens

"Oi, eu passei bem a noite, está tudo bem, não precisa preocupar não. Como é que está, Joãozinho? Está bom, 'fio'? É o vovô, 'fio'. Saindo daqui do hospital eu vou aí te ver, tá bom? Tchau Rita, Tchau Johnny." Foi assim, com voz rouca por causa do coronavírus, que Nedir Ferreira Guedes, de 61 anos, cumprimentou a família no dia 12 de agosto. A seguir, a nora Rita Maria Santos, de 38 anos, fala que o filho, João, está dormindo e que logo Nedir sairia do hospital - ele estava internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Jaguaré, em Rio Preto. "Tchau, fica com Deus. Tchau." Foi a última resposta dele. Depois disso, silêncio.

Depois de oscilações entre pioras e melhores no quadro, no dia 6 de setembro, Nedir faleceu. Uma das 501 vidas que a Covid-19 levou em Rio Preto.

Com a confirmação de mais dez mortes nesta quinta-feira, 10, a cidade ultrapassou a marca de 500 óbitos por coronavírus, menos de seis meses depois da confirmação do primeiro caso, em 12 de março. Nenhuma outra doença matou nesta velocidade. A taxa de mortalidade é de 2,6% dos 18.870 casos confirmados. A da dengue neste ano está em 0,06%.

Quando Nedir foi internado na Unidade Básica de Saúde (UBS) Anchieta, a família estava esperançosa, pois os médicos disseram que nem metade dos seus pulmões estava comprometida. O quadro, porém, foi se agravando, ele foi transferido para a UPA Jaguaré e de lá para o hospital de Américo Braziliense, com complicações renais. A transferência se deu via Central de Regulação de Ofertas de Serviço de Saúde (Cross), do Estado.

Rita conta que Gordo, como era carinhosamente conhecido, era um avô muito presente. Completou 61 anos em 7 de agosto, uma semana antes do aniversário de João. Quando o menino foi cumprimentá-lo, Nedir disse: "parabéns para você também". O neto corrigiu o avô, que insistiu nos parabéns. "Na hora a gente acha que não é nada, mas agora eu consigo ver. Todos os aniversários ele esteve presente e nesse ele não estaria. Agora a gente vê mensagens e parecia que ele estava se despedindo", lamenta Rita, dizendo que Nedir já está fazendo muita falta - algumas da melhores lembranças são os almoços de domingo, com churrasco e macarrão. Uma das lembranças que ficaram foi o relógio sempre usado por ele. "Era muito legal quando meu vô usava. Ele sempre colocava o relógio em mim", diz João.

"Não estou perdendo um sogro, estou perdendo um amigo. Enquanto eu viver vou lembrar dele, vou amar. É a melhor pessoa que eu conheci na minha vida porque era muito bom de coração. Para nós não vai ser fácil superar essa perda", lamenta Rita.

Nedir foi sepultado no cemitério Jardim da Paz. Ele deixou os filhos Wenderson, Johnny e Camilla e os netos Nandara Victoria, Isaac Eduardo, Enzo, Arthur Miguel e Júlia - além de João.

Com 501 óbitos, Rio Preto é a oitava cidade do Estado com mais vítimas. Proporcionalmente ao número de habitantes, porém, é a terceira entre as 50 maiores cidades do Estado. Com uma morte a cada 928 moradores, o município ultrapassou Osasco e fica atrás apenas de Santos e Barueri nessa triste estatística.

Outra vítima

A babá Miriam de Jesus perdeu a amiga, a também babá Silmara Prado, de 46 anos. Mãe de três filhos, mesmo tomando todos os cuidados, ela foi contaminada e precisou ser internada na UPA Jaguaré. Foi encaminhada para a Santa Casa, onde faleceu.

Segundo Miriam, ficam as lembranças de um coração generoso. "Todas as vezes que acabava o culto ficávamos com nossas famílias na sua casa conversando, rindo até muito tarde. Ela estava sempre pronta para ajudar, acompanhou minhas filhas crescerem e eu os dela. Ríamos e chorávamos, fazíamos a obra de Deus juntas. É uma perda irreparável." Silmara faleceu na quarta-feira, dia 9, e foi sepultada no cemitério Jardim da Paz.

 

12/04 - Primeira morte

19/06 - ultrapassou 50 mortes

06/07 - ultrapassou 100 mortes

25/07 - ultrapassou 200 mortes

11/08 - ultrapassou 300 mortes

27/08 - ultrapassou 400 mortes

10/09 - ultrapassou 500 mortes

 

Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto até 10/9/2020 (inclui 102 cidades)

  • Ocupação de leitos na DRS
  • Enfermaria: 47,4%
  • UTI: 65,3%
  • 89 novas internações no dia 9/9

Ocupação de leitos no Estado

  • Enfermaria: 37,8%
  • UTI: 52,5%

Internações de pacientes de Rio Preto em 9/9

  • 328 pacientes
  • Enfermaria: 205
  • UTI: 123

Hospitais de Rio Preto

Hospital de Base (inclui pacientes da região)

  • Enfermaria (195 vagas): 122 pacientes (62,5% de ocupação)
  • UTI (145 vagas): 112 pacientes (77,2% da ocupação)

Hospital da Criança

  • Enfermaria (30 vagas): 0 pacientes
  • UTI (14 vagas): 1 paciente

Santa Casa

  • Enfermaria (59 vagas): 33 pacientes (55,9%)
  • UTI (45 vagas): 36 pacientes (80%)

Hospital de Jaci

  • UTI (dez vagas): 5 pacientes
  • Enfermaria (22 vagas): 7 pacientes

UPA Jaguaré

  • UTI (30 vagas): Nenhum paciente
  • Enfermaria (15 vagas): 9 pacientes

UPA Santo Antônio

  • UTI (8 vagas): 4 pacientes

UBS Anchieta

  • Enfermaria (20 vagas): 6 pacientes

Passaram a funcionar nesta quinta-feira, 10, mais seis leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) na Santa Casa de Rio Preto. As vagas fazem parte das 30 que foram anunciadas pela Secretaria de Saúde da cidade há pouco mais de uma semana - outros 24 leitos já estavam rodando na Santa Casa, no Austa e no Hospital de Base.

A Prefeitura de Rio Preto dialogou com os hospitais para a abertura dos leitos. Apenas os 12 da Santa Casa são destinados ao sistema único de saúde (SUS), já que os oito do HB e dez do Austa são para pacientes de convênio. O anúncio da abertura ocorreu poucos dias antes da mudança de fase da região no Plano São Paulo, da laranja para a amarela. Para o governo do Estado, não importa se os leitos pertencem à rede pública ou privada. Os seis leitos na Santa Casa ainda não haviam sido colocados à disposição porque não havia equipamento.

Com 89 novas hospitalizações em 24 horas, a ocupação de leitos de UTI no Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto ficou em 65,3%, o mesmo nível do dia anterior, e na enfermaria 47,4% das vagas estavam ocupadas.

Em Rio Preto, houve redução no número de pessoas internadas com síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Em 8 de setembro, havia 343 pacientes com doença pulmonar severa hospitalizados, quantidade que caiu para 328 na quarta-feira, dia 9. A Saúde não informa quantos desses pacientes tinham Covid-19 confirmada, apenas que 205 estavam em enfermaria e 123 em UTI.

A redução, no entanto, não deve ser vista apenas como positiva, lembrando que grande parte desses pacientes não melhorou, mas morreu - apenas nesta quinta-feira, 10, Rio Preto confirmou mais dez óbitos. (MG)

Além de Rio Preto, sete municípios da região registraram mortes pelo coronavírus. Em Barretos, foram mais seis confirmações entre segunda-feira, 7, e quarta-feira, 9, chegando aos 113 óbitos.

Catanduva teve mais três registros, de idosas de 79 e 84 anos e idoso de 95, que estavam internados no hospital São Domingos. A cidade totaliza 114 vítimas da doença. Em Guapiaçu, mais duas mortes foram confirmadas, chegando a 22.

Santa Fé do Sul registrou o 31º óbito em uma mulher de 64 anos que tinha comorbidades. Em Olímpia, o 48º foi registrado em um idoso de 80 anos, com comorbidades, que estava internado na Santa Casa da cidade.

Nova Aliança recebeu a terceira confirmação e Palmares Paulista, a 11ª. Ao todo, a região contabiliza 1.496 mortes pela Covid-19 em 107 municípios. O número de casos confirmados é 59.806 e o de recuperados da doença é 51.257.

Em todo o Estado, são 874,7 mil casos de Covid confirmados e 32,1 mil mortes. Do total de infectados, 722 mil já são considerados recuperados - sendo que 96,8 mil chegaram a ser internados em algum momento. Todos os municípios do Estado já registraram ao menos um caso da doença e 548 tiveram no mínimo uma morte.

(Colaborou Ingrid Bicker)