Um em cada quatro moradores de Rio Preto já recebeu o auxílio emergencial

PARCELA

Um em cada quatro moradores de Rio Preto já recebeu o auxílio emergencial

Ao todo, cidade já recebeu R$ 213 milhões do programa assistencial


Aplicativo auxílio emergencial do Governo Federal.
Aplicativo auxílio emergencial do Governo Federal. - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um em cada quatro moradores de Rio Preto já recebeu ao menos uma parcela do auxílio emergencial. É o que aponta levantamento feito pelo Diário, com base no cruzamento de dados do número de beneficiários por cidade, disponível no Portal da Transparência, com a estimativa populacional do IBGE. Na cidade, são 122.622 beneficiários, o que corresponde a 26,3% da população rio-pretense. Ao todo, R$ 213,1 milhões foram pagos em Rio Preto.

Entre junho e agosto, 32.225 rio-pretenses entraram na lista de beneficiários do programa. Isso porque em junho, 90.397 moradores estavam cadastrados. O auxílio foi criado em abril para amenizar os impactos financeiros durante a pandemia do novo coronavírus.

Entre as rio-pretenses que receberam o auxílio está Elisangela Vieira. Ela precisou recorrer ao auxílio emergencial depois que teve o seu rendimento mensal como tosadora de animais afetado devido ao isolamento. A tosadora que fazia o serviço a domicílio ficou parada durante alguns meses e precisou solicitar a ajuda. "Tive que recorrer ao auxílio para pagar as contas."

Para o economista Ary Ramos da Silva Junior, a situação poderia ser pior, caso o auxílio não tivesse sido criado. "O que assusta em tudo isso é a quantidade de pessoas que estão fragilizadas. O ministro da Economia falou que em torno de 20 milhões de pessoas poderiam precisar do auxílio no início da pandemia e depois esse número chegou em 60 milhões", destacou.

Proporcionalmente, Rio Preto aparece na segunda colocação entre as maiores cidades do Noroeste paulista com mais beneficiários do programa. Fernandópolis aparece no topo do ranking com 26,9% da população já tendo recebido o auxílio emergencial. Na cidade de 69.402 habitantes, 18.172 moradores recebeu o auxílio.

"Nós estamos passando por um dos momentos mais difíceis da economia brasileira. Do jeito que estamos, não temos investimento e a economia não está girando. O único agente que é capaz de girar a economia é o Estado, que está fazendo o papel dele. Na verdade, se o Estado não atua o desemprego vai crescer cada vez mais e vamos entrar num espiral de depressão, não é nem recessão", afirmou Ary.

O economista ressalta que as cidades menores são as que mais devem sentir o impacto economicamente. "Ela não tem dinamismo econômico, muitas estão diminuindo a população, porque as pessoas de classe média vão conseguir emprego lá fora. Acho que temos que fazer um consórcio entre os municípios para trabalhar juntos e trazer investimentos. Do jeito que estão essas cidades pequenas, cada vez mais vão ficar dependendo dos governos estadual e federal", opinou o economista.

Pagamento indevido

Balanço do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou 620.299 beneficiários do auxílio emergencial com algum indício de recebimento indevido. Para chegar aos dados, o TCU empreendeu cruzamentos de dados com as folhas de pagamento do auxílio emergencial de abril de 2020.

O TCU verificou diversas situações impeditivas, tais como a renda acima do limite, beneficiário falecido e o recebimento de múltiplos benefícios. A legislação também não permite que o auxílio emergencial seja pago a quem é titular de benefício previdenciário ou assistencial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), nem que servidor público receba.

Rio Preto

  • Valor: R$ 213.124.200,00
  • Beneficiários: 122.622 (26,3% da população)

Barretos

  • Valor: R$ 52.786.200,00
  • Beneficiários: 29.722 (24,1% da população)

Catanduva

  • Valor: R$ 48.857.400,00
  • Beneficiários: 28.853 (23,5% da população)

Votuporanga

  • Valor: R$ 40.048.200,00
  • Beneficiários: 22.588 (23,6% da população)

Bebedouro

  • Valor: R$ 34.088.400,00
  • Beneficiários: 18.998 (24,4%)

Fernandópolis

  • Valor: R$ R$ 33.130.200,00
  • Beneficiários: 18.712 (26,9% da população)

Mirassol

  • Valor: R$ 26.878.800,00
  • Beneficiários: 15.321 (25,4% da população)

Olímpia

  • Valor: R$ 25.920.000,00
  • Beneficiários: 14.166 (25,6% da população)

Jales

  • Valor: R$ 21.117.600,00
  • Beneficiários: 12.327 (25% da população)

Novo Horizonte

  • Valor: R$ 18.462.000,00
  • Beneficiários: 10.178 (24,5% da população)

O governo federal anunciou no início do mês de setembro a prorrogação do auxílio emergencial a informais, desempregados e beneficiários do Bolsa Família até o fim deste ano. Serão mais quatro parcelas de R$ 300 (setembro a dezembro).

O auxílio emergencial foi criado originalmente para durar três meses (tendo como base os meses de abril, maio e junho). Depois, o governo prorrogou por duas parcelas (julho e agosto) por meio de um decreto. O valor de R$ 600 foi mantido em todo esse período. Para mexer no valor, o governo vai editar uma Medida Provisória (MP), que tem vigência imediata.

Cálculos do governo apontam que a extensão do auxílio emergencial por mais quatro meses deve custar cerca de R$ 90 bilhões adicionais dentro do chamado orçamento de guerra de enfrentamento à pandemia de Covid-19.

(Agência Estado)