Incêndio devasta 250 hectares do antigo IPA em Rio Preto

RIO PRETO EM CHAMAS

Incêndio devasta 250 hectares do antigo IPA em Rio Preto

Incêndio de grandes proporções devasta 250 hectares da Estação Ecológica, na área do antigo IPA, atingindo mata nativa e animais. Mais uma queimada para aumentar a triste estatística: neste ano, são 3.315 ocorrências na região


Fogo se alastrou rapidamente pela vegetação na área 
do antigo IPA
Fogo se alastrou rapidamente pela vegetação na área do antigo IPA - Guilherme Baffi 9/9/2020

As chamas de um dos maiores incêndios dos últimos anos em Rio Preto tomaram conta da cidade na tarde desta quarta-feira, 9. Uma área estimada em 250 hectares de preservação do antigo Instituto Penal Agrícola (IPA) foi queimada. Uma faísca que surgiu ao redor da avenida Abelardo Menezes, nas margens da área, destruiu pastagens, mata nativa e árvores que cresciam em pontos de replantio dentro da Floresta Estadual do Noroeste Paulista e da Estação Ecológica.

Uma destruição incalculável, segundo afirmou o diretor da Defesa Civil, Carlos Lamin. "Não tem como mensurar. A gente só vai ver o real tamanho desse prejuízo quando olharmos as imagens de satélites", afirmou. Três servidores do órgão municipal e mais três voluntários, com caminhonete de combate ao fogo e bombas costais, se juntaram às cinco viaturas do Corpo de Bombeiros com 12 bombeiros, dois caminhões-pipas da Usina Cofco, o helicóptero Águia da Polícia Militar, homens da Secretaria de Serviços Gerais e policiais da Polícia Militar Ambiental para combater o fogo.

As chamas começaram por volta das 14h30 e se multiplicaram rapidamente em mais um dia quente e seco, em que os termômetros do aeroporto da cidade bateram 36 graus de máxima e 11% de umidade relativa do ar. Incêndio, que segundo Lamin, começou com um pequeno foco nas margens da avenida que margeia a área de vegetação destruída. "Começou a partir de um ponto próximo a Abelardo, pulou a avenida e entrou para dentro do IPA", disse o diretor. Até o início da noite as equipes ainda trabalhavam no local.

Já dentro da área do antigo Instituto, as chamas se alastraram com facilidade em ritmo de ameaça às áreas de preservação. "Começou na vegetação até atingir a Floresta e a Estação Ecológica, nas áreas de reflorestamento", explicou Lamin. As cenas, segundo o diretor, foram de desolação. "Muitas aves e animais, como cervos, fugindo do fogo em disparada para outras áreas".

As colunas de fumaça espalhadas pelas chamas ardentes levou a Guarda Municipal a interditar a avenida, na saída 444, da rodovia Washington Luis (SP-310). "Porque a fumaça tirou a visibilidade dos motoristas", informou o comandante operacional da Guarda Civil Municipal Vitor Cornachioni. Até o fechamento desta edição a rodovia continuava interditada para evitar acidentes.

Pesquisadores da Unesp, responsáveis pela gestão da Estação Ecológica, também participaram do combate ao fogo e devem fazer um relatório da destruição. Natural do bioma de Mata Atlântica em região de transição com o Cerrado, a Floresta do Noroeste Paulista, onde fica a Estação Ecológica, é uma área usada para preservação de espécies de árvores, plantas e animais em extinção, para pesquisas científicas, como os estudos do Instituto de Pesca, e de recuperação ambiental.

Ainda na tarde desta quarta-feira, bombeiros e caminhões-pipas da usina Cofco trabalharam no combate a chamas de um incêndio em área de vegetação na região da Vila Azul. O Corpo de Bombeiros do município também atendeu um terceiro foco de incêndio em área aberta na região norte da cidade, ao lado do bairro Cidadania.

Dados dos bombeiros até esta segunda-feira, dia 7, mostram que, entre janeiro e setembro deste ano, a corporação já atendeu 3.315 ocorrências de queimadas, o que representa 96% das 3.452 ocorrências do tipo registrados em todo o ano de 2019.

Previsão

A secura e a temperatura alta continuam nos próximos dias em Rio Preto, segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). Não há previsão de precipitações importantes - 5% de probabilidade até pelo menos terça-feira, dia 15. Pelo CPTEC, os termômetros devem variar entre 19 graus de mínima e 37 graus de máxima. Em todos os dias, com exceção do domingo, dia 12, a previsão é para dias com predomínio de sol e baixa umidade relativa do ar.

Reprodução

Os incêndios às margens de rodovias, além de prejudicar a qualidade do ar também provocam riscos de acidentes de trânsito nas estradas. Em agosto, uma câmera acoplada em um caminhão registrou o momento em que o motorista de um veículo de cargas pulou da cabine após ficar "ilhado" no meio das labaredas na rodovia Assis Chateaubriand (SP-425), em Olímpia.

O desespero do motorista foi flagrado e ouvido: "Fogo tá na pista, pai. Misericórdia. Não vai dar para mim passar, não (sic)", disse o motorista quando adentrou a nuvem de fumaça. Em baixa velocidade, ele tentou seguir em direção a Olímpia, mas ficou preso com as chamas na pista. "Pai do céu. Eu tô no meio do fogo", diz desesperado.

No engavetamento, provocado pela fumaça na pista, um caminhoneiro de 41 anos morreu após não conseguir frear a tempo e bater na traseira do caminhão do autor do vídeo. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e às queimaduras pelo corpo. Acidentes provocados por incêndios às marges de rodovias são mais comuns do que se imagina. A Polícia Rodoviária diz não ter um levantamento específico sobre esse tipo de acidente, mas garante que, durante o período de estiagem, muitos acidentes do tipo acontecem nas estradas do Noroeste paulista.

Mas o que fazer em caso de ficar preso no meio de uma pista tomada pela fumaça de um incêndio? Policiais rodoviários dizem que, ao adentrar na fumaça, o motorista deve se orientar pelas linhas do solo, que delimitam o acostamento, para não invadir a faixa contrária e evitar uma batida com veículos que possivelmente também ficaram presos e estão transitando pelo sentido oposto da via.

Manter a calma e jamais parar dentro da cortina de fumaça é recomendado pelas autoridades de trânsito. Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Flávio Catarucci, caso seja possível, o motorista não deve se arriscar a entrar na nuvem de fumaças. "Diante de situações como esta, orientamos que os motoristas não acendam o farol alto do veículo, pois a luz alta pode ofuscar os motoristas que vierem em sentido contrário. Lembre-se que o uso do farol baixo aceso nas rodovias já é obrigatório desde 2016", alertou Catarucci.