Rio Preto entra em estado de alerta para racionamento de água

POUCA ÁGUA, MUITA FUMAÇA

Rio Preto entra em estado de alerta para racionamento de água

Sem chuva forte há 72 dias e com aumento de 10% no consumo de água, Semae liga alerta para risco de racionamento em Rio Preto. Umidade relativa do ar continua baixa na região


Lago 2 da Represa Municipal: assoreamento e baixo nível de água deixa terra à mostra perto da ponte de madeira
Lago 2 da Represa Municipal: assoreamento e baixo nível de água deixa terra à mostra perto da ponte de madeira - Fotos: Johnny Torres 8/9/2020

O Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) de Rio Preto ligou nesta terça-feira, 8, o alerta amarelo para o risco de racionamento de água na cidade. Com 72 dias sem uma chuva considerável para reabastecer a Represa Municipal, responsável por 25% do abastecimento, o nível dos reservatórios reduziram oito centímetros. Para piorar a situação, o Semae também registrou um aumento de consumo de água de cerca de 10% nos últimos dois meses.

"Daqui 30 dias, se não vier uma chuva importante para reabastecer os reservatórios, podemos ter um racionamento de água para 40% da população", alertou o gerente comercial da autarquia, Rui Sampaio. "Na sexta-feira, dia 4, a gente registrou a redução de um centímetro do nível dos reservatórios. Nesta terça-feira caiu mais sete centímetros", explicou o gerente.

A redução dos níveis dos três lagos da Represa, principalmente dos lagos 1 e 2, onde há pontos de captação de água pela Estação de Tratamento de Água (ETA), é reflexo da estiagem, característica dessa época do ano na região de Rio Preto. Para o Semae, a última chuva considerada como importante para reerguer os reservatórios foi a do dia 28 de junho, quando os pluviômetros da autarquia registraram 9 milímetros (mm) de chuva.

Posterior a isso, houve precipitação em meados de agosto, quando o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro) registrou 3 mm de chuva. "Teve essa garoa, mas foi uma chuva que não refletiu nos níveis de água dos reservatórios", explicou Sampaio.

Para somar ao problema, o Semae vem registrando um aumento significativo de consumo de água, entre 7% e 10%, desde meados de julho. "Acreditamos que é pela questão da baixa umidade relativa do ar, mais banho pelo calor e também pela questão da fuligem (poluição)", afirmou.

Situação que leva o Semae a remanejar o abastecimento de água. A Represa, fonte de um terço dos 3,9 milhões de metros cúbicos (m³) de água tratada produzidos por mês pela ETA, passa então a fornecer menos água e a diferença acaba sendo descontada em mais produção dos 343 poços do Aquífero Bauru e dos oito poços do Aquífero Guarani - outros dois estão em construção.

No entanto, segundo o gerente, essa produção é limitada. "As bombas não podem ficar ligadas 24 horas. Então se não chover, chega uma hora que precisa racionar", afirma Sampaio. Nesse momento, segundo o Semae, a população pode colaborar com economia e reutilização de água. "Tem que se preocupar e economizar", alertou.

Umidade do ar

A estação meteorológica da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), no bairro Eldorado, região norte de Rio Preto, registrou 20% de umidade entre 15h e 17h. No aeroporto da cidade, região do Jardim Aeroporto, o dia foi mais seco ainda e bateu os 11%, às 15h. O ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é que o índice fique acima de 60%.

A Defesa Civil do município emitiu um novo alerta. "Hidrate-se bebendo muita água", afirmava o aviso. O dia foi de temperaturas altas com a máxima de 36,3 graus, registrada pela Cetesb, às 17h. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) voltou a colocar Rio Preto e região em alerta laranja, devido à baixa umidade.

Previsão

A previsão do tempo para os próximos dias é de mais calor, segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). Com possibilidade de 5% de chuva e predomínio de sol todos os dias, os termômetros devem registrar mínimas entre 16 e 24 graus e máxima de até 39 graus, no sábado, dia 12. Não há previsão de chuvas intensas e constantes.

A estiagem que reduz os reservatórios da Represa Municipal é a mesma que muda as paisagens urbanas e deixa o céu pintado de fumaça, como a que encobriu os céus na região dos bairros Nato Vetorasso e Aroeira, na manhã desta terça-feira, 8, em Rio Preto. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, foram 2 mil metros de área de vegetação queimada e controlada pela corporação, às margens da cidade.

Para apagar as chamas das colunas de fumaça em branco e preto que se formaram sobre a vegetação, os bombeiros contaram com a ajuda de caminhões pipas de usinas da região de Rio Preto, que estão no Plano de Contingência Operação Estiagem 2020. Só dos bombeiros, segundo os dados, foram 3 mil metros cúbicos de água gastos no combate ao fogo. "Não havia lixo no local e a causa do incêndio é desconhecida", informou o cabo Paulo Cristiano da Silva.

Dados de levantamento dos bombeiros até esta segunda-feira, dia 7, mostram que, entre janeiro e setembro deste ano, a corporação já atendeu 3.315 ocorrências de queimadas, o que representa 96% das 3.452 ocorrências do tipo registrados em todo o ano de 2019.

Só nos sete primeiros dias deste mês, os bombeiros atenderam 245 casos de queimadas, mais da metade das 425 ocorrências atendidas em todo mês no ano passado. O mesmo aconteceu em agosto. Enquanto em 2019 os bombeiros apagaram incêndio em 550 pontos da cidade e no entorno, neste ano foram 814 focos - um aumento de 48% na comparação.

O principal aumento, segundo os números, está em vegetação cultivada, 381 incêndios contra 288 durante 2019, e em terreno baldio ou ponto de apoio - foram 774 neste ano, enquanto entre janeiro e dezembro de 2019 foram 743 ocorrências. (FP)