Rio Preto confirma mais 11 mortes e 363 casos de Covid

PANDEMIA

Rio Preto confirma mais 11 mortes e 363 casos de Covid

Números reforçam a necessidade de manter os cuidados contra o vírus. Cidade soma 459 óbitos e 17.964 ocorrências


Covid-19
Covid-19 - Pixabay/Banco de Imagens

A Secretaria de Saúde de Rio Preto confirmou nesta sexta-feira, 4, mais 363 casos de coronavírus. Também foram registradas mais 11 mortes. Com isso, chega a 17.964 o total de notificações positivas da doença e 459 óbitos (uma taxa de mortalidade de 2,5%). São 3.899 casos positivos a cada grupo de cem mil habitantes.

Dentre os casos novos, 128 foram foram confirmados por teste sorológico (o rápido, feito com amostras sanguíneas. Ele rastreia anticorpos e por isso é feito vários dias após o início dos sintomas, caso contrário pode apresentar um falso negativo). Outros 235 foram confirmados por PCR - feito a partir de amostras de fluidos respiratórios do paciente, poucos dias após o início dos sintomas, aponta que a infecção é recente, pois rastreia o vírus.

"A maioria (dos que morreram) eram pacientes que já estavam internados há muito tempo, que foram agravando a situação e vieram a óbito essa semana", afirmou. "Os óbitos são os que mais demoram para cair, porque os pacientes vão complicando, vão ficando nos hospitais."

A média móvel de casos confirmados nos últimos sete dias ficou em 181,7 positivos por dia. Já a de mortes, com a contabilização de 11 óbitos, voltou a crescer e chegou a 7,43, em média, por dia na última semana.

Conforme a Saúde, a maior parte dos casos graves de coronavírus (20,9%) foram detectados em pacientes na faixa etária de 60 a 69 anos. A seguir, com 20,4% dos casos severos, aparecem as pessoas com 50 a 59 anos.

Já a maioria dos casos leves foi detectada em pessoas de 30 a 39 anos (22,4%) e 40 a 49 anos (18,8%), exatamente a faixa etária de quem está em idade de trabalhar e, portanto, mais exposto à doença. O dado não descarta a possibilidade de que essas pessoas desenvolvam formas graves de infecção - inclusive foram confirmados óbitos nessas faixas etárias.

Mais uma vez, a Saúde voltou a falar em queda no número de casos. Em 1º de agosto, a média móvel de casos confirmados era de 290; nesta quinta-feira, 3, estava em 131.

A média móvel de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada por Covid-19 também caiu de 30 em 6 de agosto para 18 em 1º de setembro. São pacientes com doença pulmonar severa que precisaram de hospitalização.

"Os óbitos ainda não começaram a cair, esperamos que nos próximos dias, em virtude da queda de todos esses parâmetros, também venha a ocorrer uma queda de óbitos", pontua Borim.

Dos 17.964 pacientes com coronavírus confirmado, 15.795 (88%) são considerados recuperados e já não transmitem mais a doença - embora tenham que continuar com os cuidados, já que a ciência já comprovou que existe risco de reinfecção.

Região

Além de Rio Preto, quatro cidades da região confirmaram mortes pelo coronavírus. Em Mirassol, foram mais duas, em uma idosa de 78 anos e um idoso de 77. A cidade totaliza 29 mortes. Barretos também teve mais dois registros, chegando a 105.

Catanduva confirmou mais um óbito, chegando a 106, em um homem de 59 anos. Em Olímpia, um homem de 28 anos, com comorbidades, não resistiu à doença - ele é a 45ª vítima na cidade.

Álbum de Família

O coronavírus deixou marcas irreparáveis em mais uma família na região. No domingo, 30 de agosto, o trabalhador autônomo Luiz Carlos dos Santos, de 46 anos, enterrou o irmão, José Agnaldo dos Santos, de 47. Nesta quinta-feira, 3 de setembro, a despedida foi do pai dele, Valter Zeferino dos Santos, aos 75 anos. Ambos eram diabéticos, mas a comorbidade do mais novo só foi diagnosticada quando ele estava na UTI.

O primeiro a apresentar os sintomas, no dia 10 de agosto, foi Valter, depois José - que passou o domingo de Dia dos Pais na casa do idoso. Os dois ficaram internados na Santa Casa de Jales. O pai foi sepultado em Palmeira d'Oeste, onde vivia, e José em Marinópolis, cidade onde morava. Valter deixou os filhos Luiz e Paulo e José deixou Mateus, de 24 anos.

Dona Aldomília Gomes dos Santos, de 68 anos, esposa de Valter, também chegou a ser contaminada pelo coronavírus e ser internada. Ela está em casa, recuperada. Há um ano e quatro meses, a família havia sofrido a perda de um dos quatro filhos, Cláudio. Luiz Carlos trabalha como motorista, levando trabalhadores rurais, e quase não estava visitando os pais durante a pandemia para protegê-los, mas mesmo assim os dois ficaram doentes. Valter continuava trabalhando em sua oficina de vasinhos, em casa mesmo.

"Uma grande perda na minha família. Muito dolorido. Minha mãe está ótima, só está sofrendo das perdas. Fica muita saudade, a lembrança do meu pai, a gente era muito unido, não tinha restrição. Não poder abrir o caixão, não poder dar o último adeus. Meu pai era um senhor muito bonito", diz Luiz Carlos, lamentando o que a Covid fez com o idoso e dizendo que nunca vai esquecer o semblante com que Valter estava quando ele foi reconhecer o corpo. (MG)

Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto até 4/9/2020 (inclui 102 cidades)

Ocupação de leitos na DRS

  • Enfermaria: 54,5%
  • UTI: 75,1%
  • 78 novas internações no dia 3/9

Ocupação de leitos no Estado

  • Enfermaria: 37,9%
  • UTI: 54%

Internações de pacientes de Rio Preto em 3/9

  • 343 pacientes
  • Enfermaria: 221
  • UTI: 122

Hospitais de Rio Preto

Hospital de Base (inclui pacientes da região)

  • Enfermaria (180 vagas): 109 pacientes (60,5% de ocupação)
  • UTI (145 vagas): 113 pacientes (77,9% da ocupação)

Hospital da Criança

  • Enfermaria (30 vagas): 4
  • UTI (14 vagas): 0

Santa Casa

  • Enfermaria (59 vagas): 43 pacientes (72,8%)
  • UTI (45 vagas): 38 pacientes (84,4%)

Hospital de Jaci

  • UTI (dez vagas): 4 pacientes
  • Enfermaria (22 vagas): 8 pacientes

UPA Jaguaré

  • UTI (30 vagas): 6 pacientes
  • Enfermaria (15 vagas): 14 pacientes

UPA Santo Antônio

  • UTI (8 vagas): 3

UBS Anchieta

  • Enfermaria (20 vagas): 13 pacientes

Poucas horas após o anúncio oficial de que a região de Rio Preto iria para a fase amarela do Plano São Paulo, a taxa de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) do Departamento Regional de Saúde (DRS), que abrange 102 municípios, ficou em 75,1%, valor que impediria a região de sair da fase laranja.

O índice que levou Rio Preto para a fase amarela foi de 73,2%, e é desta quinta-feira, 3 - número que só foi possível de ser alcançado depois de a Saúde de Rio Preto negociar a criação de leitos de UTI na Santa Casa, no Hospital de Base e no Austa. Para o Estado, não importa se a vaga é da rede pública ou da privada.

De acordo com a Secretaria de Saúde, havia nesta quinta-feira, 343 rio-pretenses hospitalizados com síndrome respiratória aguda grave (SRAG), doença pulmonar severa. Desse total, 208 estavam com coronavírus confirmado, sendo que 107 estavam em enfermaria e 101 em UTI. O número é maior do que a quantidade de hospitalizados na quarta-feira, quando havia 330. Do total de 17.964 pacientes com coronavírus confirmado em Rio Preto, 1.923 (10,7%) precisaram de internação em algum momento. "A gente espera daqui 20 a 30 dias, se o pessoal obedecer essa flexibilização de maneira decente e adulta, poder diminuir o número de internados", afirma o secretário Aldenis Borim. (MG)