Fase amarela traz alívio para empresários em Rio Preto

O RETORNO DAS ATIVIDADES

Fase amarela traz alívio para empresários em Rio Preto

Passagem da região de Rio Preto para a fase amarela do Plano São Paulo representa alívio para empresários de diversos setores. Confira as principais mudanças nesta nova fase da quarentena


Franchesco Matta, dono de academia, já fez marcas para o distanciamento entre os alunos
Franchesco Matta, dono de academia, já fez marcas para o distanciamento entre os alunos - Johnny Torres 4/9/2020

A notícia do avanço da região de Rio Preto para a fase amarela do plano São Paulo de retomada da economia trouxe alívio a empresários que estão há quase seis meses com as portas fechadas, como donos bares, restaurantes e academias. Com horários ainda restritos por conta da circulação do vírus, a reabertura é uma esperança para os setores castigados pela pandemia de coronavírus.

Com a academia de treinamento funcional fechada desde o dia 20 de março, o casal de empresários Franchesco Matta e Mariana Matta, donos da Cross Hero, no Centro de Rio Preto, receberam a notícia da reclassificação já preparados para recomeçar a vida. "A gente tem o espaço, já fez as demarcações, tem álcool em gel na entrada, tapete sanitizante com solução, tudo preparado", afirmou Franchesco.

As academias e as práticas desportivas, segundo as normas determinadas pela Vigilância Sanitária, poderão voltar as atividades diariamente das 7h às 10h e depois no final do dia entre as 17h e 22h. Aulas em grupos, como as de salas, estão vetadas por enquanto. O funcionamento está condicionado a atendimentos individuais e agendados e com distanciamento social de no mínimo de 1,5 metro.

No caso da academia de Franchesco, onde antes da pandemia atendia cerca de cem alunos, eles adaptaram as raias de uma forma que cada aluno respeite o espaço necessário e tenha seus próprios equipamentos, sem a necessidade de compartilhar, como manda as normas de restrição.

"Criamos raias, já tinha as marcas, como é uma academia funcional, deixamos tudo de uma forma que todos poderão ficar seguros. Essa é a preocupação de todos, deixar os alunos em segurança", afirmou o empresário.

Os bares e restaurantes também estão com as portas fechadas desde meados de março, quando o governo do Estado publicou o primeiro decreto da quarentena. Desde então, os negócios se reduziram às entregas e drive thru, o que, segundo os empresários ouvidos pela reportagem, não foram suficientes nem para pagar as despesas.

A reabertura do setor, mesmo que tímida no momento, entre as 7h e 9h e depois das 11h às 17h todos os dias, soa como um respiro, segundo o empresário Pedro Ferraz, sócio do Samambaia Restaurante. "Estamos há mais de cinco meses fechados. Não dá mais, não aguentamos mais. Tentamos de todas as formas não mandar ninguém embora porque todos têm famílias, mas chegamos no limite", disse.

O restaurante dele fica no bairro Santos Dumont, onde há universidades e cursinhos por perto. Antes de fechar as portas, o estabelecimento vendia até 350 refeições por dia. "Agora com o delivery é bem complicado. A marmita tem um lucro muito pequeno. Não paga nem o custo", contou.

A mesma situação relatou o empresário Victor Henrique Homsi, dos restaurantes L'Osteria e Salsa Rooftop. "Delivery foi bem fraco, não pagava as contas. Continuamos com as entregas para mostrar que continuávamos no mercado e também para não mandar todos os funcionários embora (nos dois estabelecimentos, a equipe foi cortada em 40%)", afirmou o empresário.

O retorno, mesmo com todas as restrições, vem como esperança para a retomada dos negócios. "Tudo dentro dos padrões, todo mundo treinado, toda parte de esterilização, equipamentos de proteção, espaçamento entre as mesas e qualquer outra norma que for exigida", garantiu Victor.

Atingidos também pela pandemia até o momento, embora tenham aberto em um período da quarentena, os salões de beleza, as barbearias e os centros de estética também poderão funcionar com restrições, de segunda a sábado, das 10h às 18h. "A expectativa é reabrir atendendo todas as normas de limpeza e higienização e segurança. Foi difícil, como sou arquiteta tive que buscar outros meios de buscar dinheiro. Se não fosse isso não teria renda", diz Maysa Moreti.

O secretário de Saúde, Aldenis Borim, alertou sobre uma possível falsa sensação de liberdade que a flexibilização para a fase amarela pode dar. Com 17.964 casos positivos e 459 mortes por Covid-19 acumulados em Rio Preto até nesta sexta-feira, 4, Borim reforçou que é necessário muita cautela, uma vez que os índices ainda são altos.

Para o secretário, a mudança não representa nada além de uma maior flexibilização. "Não muda nada. Os índices são altos. É apenas uma flexibilização seguindo um plano traçado meses atrás", disse. "Então queria dizer o seguinte, é uma vitória conseguir esse momento, mas isso não significa que acabamos com a doença (Covid)", completou.

A preocupação de Borim, segundo as afirmações apresentadas durante live, está relacionada ao fato do coronavírus ainda estar em circulação entre as pessoas. Apesar da queda, a Secretaria Municipal de Saúde ainda contabiliza uma média móvel de 131 casos notificados para Covid por dia - em primeiro de agosto essa taxa era de 290 notificações.

Outro dado também levado em consideração para o alerta é a média móvel de síndrome respiratória aguda grave e Covid. Em 1º de setembro essa taxa ficou em 18, enquanto em 6 de agosto eram 30. "Os óbitos atuais são resíduos de quando a gente estava com uma porcentagem de casos muito altos, daquelas três semanas no platô", disse Borim. "Vamos pra uma flexibilização, se não tomar cuidado, pode acontecer o que está acontecendo em outras regiões e regredir", voltou a alertar.

A gerente da Vigilância Sanitária, Miriam Wowk dos Santos Silva, afirma que a fiscalização acompanhará a reabertura dos estabelecimentos. "Nenhum estabelecimento está autorizado a funcionar sem o cumprimento integral de todos os protocolos", disse. O descumprimento fica sujeito a multas, penalidades e fechamento. (FP)

 

  • Uso de máscara obrigatório
  • Em caso de bares e restaurantes, cliente pode retirar a máscara quando estiver sentado à mesa
  • Distanciamento de ao menos 1,5 metro de outras pessoas, a todo o momento
  • Manter a higiene constante das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%
  • Reforço da higienização de ambientes e superfícies
  • Monitoramento das condições de saúde, com aferição de temperatura

Evite saídas de casa desnecessárias - afinal a pandemia ainda não acabou