Veja como agir em caso de Covid no local de trabalho

O PROTOCOLO DA COVID

Veja como agir em caso de Covid no local de trabalho

O vírus está circulando em Rio Preto e região, por isso é importante manter cuidados em casa, na rua e no local de trabalho. Veja os principais deles e como agir em caso de contato com alguém infectado


Uso de álcool gel é medida preventiva para evitar a transmissão do coronavírus
Uso de álcool gel é medida preventiva para evitar a transmissão do coronavírus - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Saber que medidas de precaução tomar em caso de contato com alguém com confirmação para coronavírus era algo abstrato há dois meses. Hoje é uma realidade concreta - é difícil encontrar alguém que não conheça ao menos uma pessoa que já teve a doença confirmada.

Segundo Aldenis Borim, secretário de Saúde de Rio Preto, para que uma pessoa seja isolada depois de contato com alguém com suspeita ou confirmação de Covid-19, é avaliado o grau de contato - com uma pandemia com 9.260 casos confirmados, fora os suspeitos, é impossível isolar absolutamente todos os contactantes.

"Marido e mulher têm que fazer isolamento, não pode voltar ao trabalho durante 14 dias", diz Borim. Ou seja, contatos próximos - quem mora na mesma casa, por exemplo, deve ser isolado se um deles tiver com suspeita ou confirmação. Isso não significa, no entanto, baixar a guarda. Mesmo em casa, o paciente doente deve ser isolado dos outros para evitar propagar a doença. Se o imóvel não permitir o isolamento, as recomendações são manter o máximo de distanciamento possível e a utilização de máscaras o tempo inteiro, além das medidas de higiene redobradas, inclusive das superfícies.

Já se você conhece alguém de sua empresa que ficou doente, mas com quem não teve contato íntimo, não é preciso se afastar. "Desde que não seja um surto. Numa empresa com 30 empregados, se pegaram Covid-19, aí tem que fechar", pontua Borim. Caso apresente os sintomas, comunique o departamento pessoal do local de trabalho e as autoridades de saúde.

Rodolpho Pereira Ferri, de 32 anos, é sócio da Five System Engenharia. São duas frentes de trabalho: no escritório, onde atuam outras 12 pessoas, e nas obras. Como o trabalho é dinâmico, ficava complicado ir para home office, então foram adotados os protocolos de segurança. Apesar disso, seu sócio, Jean Douglas Durigan, 48 anos, apresentou sintomas de gripe, mas inicialmente os médicos não pensaram que fosse coronavírus. Só que a situação se agravou e ele precisou até ser internado. Foi quando descobriram que se tratava de Covid-19.

Todos que trabalhavam na mesma sala que ele foram afastados - um dos funcionários também teve a doença. A empresa resolveu então fazer o teste rápido, que procura anticorpos, de todos que trabalham no escritório. "Fizemos parceria com um laboratório. Eu e mais uma pessoa demos positivo com anticorpos, que a gente passou pela doença. Afastamos as mesas uma das outras e diminuímos o número de pessoas por sala. Meu sócio e o funcionário já voltaram a trabalhar", conta Rodolpho.

Depois do contato com o vírus, os primeiros sintomas surgem, em média, após cinco dias a uma semana, mas podem demorar mais ou menos, dependendo do organismo, e em alguns casos nem existirem - o indivíduo está contaminado pelo coronavírus e transmitindo, porém sem apresentar nenhum sinal. Por isso, as medidas de higiene, distanciamento social e uso de máscaras são tão importantes.

"Os sintomas mais comuns são febre, tosse, coriza, perda do paladar e perda do olfato", enumera Borim. Outros sinais podem aparecer, como dores de cabeça e no corpo, espirros e diarreia.

O médico destaca que a qualquer sintoma é importante que o paciente procure assistência - os convênios médicos disponibilizaram linhas para atender suspeitas de coronavírus e a rede pública também tem seu 0800. Assim, essa pessoa vai para monitoramento e a Vigilância Epidemiológica pode entrar em contato regularmente para saber sobre a evolução dos sintomas. Caso o quadro mude, é importante telefonar novamente ou, em caso de sinais de gravidade, falta de ar e dificuldade para respirar, procurar imediatamente um serviço de saúde. Em Rio Preto, as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Tangará e Vila Toninho funcionam 24 horas e estão atendendo pacientes com sintomas respiratórios.

 

Assintomático transmite?

SIM! Por isso é tão importante que todos usem máscara e sigam as orientações de higiene e distanciamento social.

Conheço alguém que testou positivo para coronavírus ou tem suspeita. Como proceder?

Depende do grau de intimidade que você tem com ele. Se é alguém com quem você trabalha e na empresa não há surto da doença, apenas casos isolados, continue com os cuidados de higiene, distanciamento social e uso de máscaras, e apenas observe se você vai desenvolver algum sintoma. Não é preciso, a princípio, se isolar.

Se algum sinal de coronavírus aparecer, comunique o departamento pessoal e os serviços de saúde e se afaste da empresa. Em caso de surto nas empresas, o ideal é que todos entrem em quarentena.

Agora, se o paciente com suspeita ou coronavírus confirmado é alguém com quem você teve contato íntimo - namorado, esposa, filho ou outra pessoa com quem você mora, por exemplo - o ideal é se afastar do trabalho e não sair de casa, de maneira nenhuma, mesmo que você não esteja com os sintomas.

Importante lembrar que contrariar as determinações da Saúde sobre sair de casa quando se está com sintomas ou doença confirmada é infração ao artigo 268 do Código Penal, que proíbe infringir a determinação do poder público destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa. A pena é detenção de um mês a um ano e multa.

Um colega de trabalho apresentou sintomas na segunda-feira (por exemplo). Por quanto tempo devo ficar atento se não apresento sintomas?

Por até 14 dias. Esse é o tempo que dura a doença nos casos leves, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde. É importante lembrar, entretanto, que a infecção pode ocorrer a qualquer momento - se você não pegou do colega de trabalho, pode contrair no mercado ou em qualquer outro lugar, já que o vírus está circulando. Assim, a vigilância com relação aos sintomas deve permanecer sempre, e os sinais devem ser imediatamente comunicados à empresa e às autoridades de saúde.

Quais os comportamentos que podem colocar uma pessoa em risco?

Conversar sem máscara, abraços, beijos, apertos de mão, toques, levar as mãos sujas ao rosto, compartilhar objetos.

Nas empresas, nem sempre os itens são de uso individual, como telefones ou mesmo mesas, mas adquira o hábito de higienizar tudo com frequência, sempre que for utilizar qualquer coisa que seu colega usou e sempre antes de passar qualquer coisa ao próximo funcionário. Esse é um ato de cuidado consigo mesmo e com o próximo.

Tudo que for possível, tenha individualmente: sua caneca, sua toalha, sua caneta, sua cadeira. Lave as mãos com frequência e utilize álcool em gel.

Utilize a máscara corretamente, trocando-a sempre que ficar molhada, várias vezes ao dia, e retirando-a pelos elásticos.

O ideal é que os gestores substituam a marcação de ponto com o dedo por outra forma de controle de frequência.

Quanto tempo o paciente fica assintomático?

Algumas pessoas não terão os sintomas por todo o período de infecção, porém, em média, o tempo de incubação do vírus (em que ele fica quietinho no organismo, apenas se replicando e sem dar sinais de que está ali) é de dois a seis dias.

Em média, os primeiros sinais aparecem no quinto dia após o contato com o coronavírus. Alguns pacientes podem ser mais ou menos transmissores, por isso a importância de todos os cuidados de prevenção.

Por quanto tempo o vírus fica no ambiente?

Depois que uma pessoa tosse, espirra ou mesmo fala, emitindo gotículas no ambiente, o vírus fica suspenso no ar por 40 minutos a duas horas e meia.

Já no plástico - como por exemplo o teclado do computador e o telefone - o micro-organismo pode sobreviver por até 72 horas (sim, três dias).

No aço inoxidável, a sobrevivência é de 48 horas (dois dias). Torneiras e maçanetas são feitas desse material.

No vidro - como janelas, tampos de mesas, telas de celular e louças, o vírus pode sobreviver por até cinco dias.

Por isso, se for utilizar qualquer material de um colega - seja o caderno, o telefone, a cadeira, a mesa, a caneta - higienize antes. O vírus é altamente transmissível e alguém contaminado pode ter levado a mão aos olhos, boca ou nariz, ou mesmo falado perto do objeto, e o item pode estar contaminado.

Se for passar o posto para alguém, higienize antes. Você também pode estar doente sem saber.

Quais são os sintomas do coronavírus?

A gama de sintomas do coronavírus é ampla e abrange tosse, espirros, coriza, febre, falta de ar, dificuldade para respirar, cansaço, dor de cabeça, dor no corpo, perda de paladar, perda de olfato, diarreia e conjuntivite.

Apresentei os sintomas. E agora?

Comunique imediatamente as autoridades de saúde. Nem todas os pacientes estão sendo testados, porém entre em contato com seu convênio médico ou com o serviço municipal por meio do telefone 0800 77 22 123 para saber como proceder.

A equipe está capacitada a orientar quando é preciso procurar um médico e quando a melhor opção é ficar em casa e também sobre como obter os atestados médicos para apresentar no trabalho.

No caso de qualquer piora nos sintomas, entre em contato novamente ou procure uma unidade de pronto atendimento. Não espere a situação se agravar para buscar orientação.

Quais são os tipos de testes de coronavírus?

Basicamente dois.

O PCR procura o vírus, então pode ser feito assim que os sintomas começam. Utiliza fluidos respiratórios, com material coletado do nariz ou da garganta.

Já os testes rápidos procuram pelos anticorpos, ou seja, as proteínas produzidas pelo organismo para combater o vírus. O ideal é que seja realizado pelo menos oito dias após o início dos sintomas. Geralmente é feito a partir do sangue do paciente.

A rede pública utiliza os dois tipos conforme critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde (são testados prioritariamente pacientes internados, profissionais da saúde, população mais exposta ao vírus e pessoas com comorbidades), e ambos estão disponíveis também na rede particular.

Quanto tempo dura a quarentena?

Via de regra, 14 dias. Isso, no entanto, só vale se o paciente não estiver mais apresentando sintoma nenhum. Se ele ainda estiver com os sintomas, o tempo de isolamento será estendido conforme avaliação do médico. Um exame pode comprovar se a pessoa desenvolveu anticorpos contra o coronavírus e pode ser considerada curada, sendo liberada para o retorno à rotina.

Quando costumam surgir os sintomas graves?

Embora o quadro do paciente possa já começar com falta de ar - principal sinal de gravidade -, de acordo com Aldenis Borim, secretário de Saúde de Rio Preto, geralmente a situação dos pacientes tem se complicado entre o sétimo e o décimo dias a partir do aparecimento dos sintomas.

Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Aldenis Borim, secretário de Saúde de Rio Preto; Andreia Negri Reis, gerente do Departamento de Vigilância Sanitária de Rio Preto; Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Universidade da Califórnia e Universidade de Medicina de Greifswald (Alemanha)