Obra em nascente preocupa ambientalistas em Rio Preto

MEIO AMBIENTE

Obra em nascente preocupa ambientalistas em Rio Preto

Secretaria de Meio Ambiente diz que há autorização da Cetesb


Máquinas foram utilizadas para estruturar paredões de terra e evitar erosão, segundo a Secretaria de Serviços Gerais. Ambientalistas apontam risco para a nascente
Máquinas foram utilizadas para estruturar paredões de terra e evitar erosão, segundo a Secretaria de Serviços Gerais. Ambientalistas apontam risco para a nascente -

As obras para correção de voçorocas e de sistema de drenagem na Área de Preservação Permanente (APP) do córrego Borá revoltaram ambientalistas que acompanham a preservação de nascentes em Rio Preto. As intervenções, na avenida Juscelino Kubitscheck, foram realizadas nesta semana por pá-carregadeiras, utilizadas também para retirada de sedimentos do leito do córrego e estruturação de taludes nas margens do córrego.

De acordo com o secretário de Serviços Gerais, Ulisses Ramalho, as bases dos paredões de terra foram estruturadas com pedra tipo rachão (pedra brita grande) compactadas. "Aquela área estava tomada de erosão. Com as obras foi recomposta a parte baixa com a pedra e depois a recomposição do aterro", explicou Ramalho.

O secretário também afirmou que as 40 horas de serviço do maquinário em dois pontos do córrego também foram utilizadas para retirada de sedimentos despejados pela tubulação da água da chuva que desce avenida abaixo. "Ali não tem jeito, são tubulações que escoam essa água".

Na continuação da Juscelino Kubitscheck, o córrego Borá é canalizado na avenida Bady Bassitt. O Borá, como o Canela - canalizado na avenida Alberto Andaló - faz parte dos recursos hídricos historicamente atingidos pelo crescimento de Rio Preto.

Para a engenheira florestal e mestre em agronomia Silvana Torquato Duarte, essas mudanças, sem intervenções efetivas para estancar o assoreamento e reflorestar as nascentes, degradam o córrego dia a dia. "(As mudanças) Transformaram o Borá em um canal por onde passa um fluxo de água, mas que atualmente reúne poucas características de um córrego, principalmente quando pensamos na biota aquática (todos os seres vivos de um curso d'água)", afirmou a engenheira, membro da Associação Amigos Dos Mananciais de Rio Preto (AAMA).

Segundo Silvana, a técnica utilizada pelo município para evitar o assoreamento "não contribui para o resgate ecológico do córrego, muito pelo contrário, intensifica a degradação por meio das intervenções com retroescavadeiras para remoção dos sedimentos depositados em sua calha", afirmou. "Como se não bastasse, o córrego Borá vem recebendo instalações de empreendimentos à montante que o torna ainda mais vulnerável."

A professora especialista em educação ambiental e recursos hídricos Izabel Cristina Vespa, reforça a necessidade de medidas efetivas para o Borá e demais córregos e rios dentro da área urbana de Rio Preto. "Para recuperação da vegetação ciliar, eliminando as roçadas dentro dos limites da APP e proteção integral das nascentes", afirmou.

Sobre a questão do assoreamento, Izabel sugere a adoção de ações que dificultem o arraste dos materiais. "O que inclui revisar o direcionamento das águas pluviais para seus leitos, prevenindo a ocorrência de erosões em suas margens, além da instalação de placas educativas para que a população ajude na proteção, principalmente com relação à disposição de lixo nas APP's", afirmou.

Meio Ambiente

A Secretaria do Meio Ambiente informou que as intervenções foram licenciadas pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). O órgão estadual, por sua vez, informou que não houve irregularidade. Sobre os questionamentos, a pasta informou, por nota, que programará o plantio de árvores na região da nascente. "Informamos ainda que no decorrer dos anos vários plantios foram realizados no local".