Casos de Covid aumentam na região de Rio Preto

JULHO CRUEL

Casos de Covid aumentam na região de Rio Preto

Em um mês, o número de casos de Covid-19 mais do que triplicou no Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto: de 7.334 para 23.885. As mortes passaram de 214 para 608


Covid-19.
Covid-19. - Cesar Conventi/Estadão Conteúdo

Em um mês, o coronavírus atingiu mais pessoas do que nos primeiros três meses e meio de pandemia na região. É o que mostra levantamento feito pelo Diário com base em dados do Departamento Regional de Saúde (DRS), da Secretaria de Estado da Saúde. Em 30 de junho, as 102 cidades do DRS tinham 7.334 pessoas contaminadas com coronavírus e 214 óbitos. Em 31 de julho, os números saltaram para 23.885 e 608, respectivamente - um aumento de 225% e 184%.

A explosão na região de Rio Preto confirma o que especialistas já haviam apontado: a interiorização da doença. "Já era esperada e vinha acontecendo, a gente vinha acompanhando os números da região, infelizmente sabia que podia acontecer", afirma Fernando Rosado Spilki, diretor da Sociedade Brasileira de Virologia. "Já vinha sendo demonstrado desde maio que tinha esse movimento." No DRS, não existe nenhuma cidade que não tenha sido afetada pela crise.

A Unesp divulgou, em abril, estudo mostrando que o coronavírus poderia ser "difundido" pelas grandes rodovias, em um fluxo capital-interior. Participaram da pesquisa a Faculdade de Medicina de Botucatu e a Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente e Prudente. Uma das preocupações apontadas por Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, um dos autores, é que nas cidades menores, aonde a doença chega mais tardiamente, a população é bastante idosa e, portanto, mais sujeita a complicações.

Ulysses Strogoff de Matos, infectologista assistente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e da Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto, considera que a epidemia é controlável. "Tem países que erradicaram, e há uma reintrodução porque outros países não controlam."

Segundo ele, a fórmula seria testagem em massa e quarentena dos positivos e seus contatos - tudo isso associado a medidas de higiene e isolamento social. Ele avalia que deveria haver uma integração, uma uniformidade entre os governos federal, estaduais e municipais.

Matos lembra que, na melhor das hipóteses, a vacina chegará a toda a população em 2022 - mesmo com bons resultados ainda em 2020 e início da produção no começo de 2021, primeiro serão imunizados os grupos mais expostos e os de risco. O ideal, então, é fazer o controle. "Não é uma doença simples. Tem sequela, tem fibrose pulmonar, é mais grave e letal que a gripe e provavelmente não vai deixar imunidade definitiva. Se seguir nesse passo de combate, vai morrer muita gente e a responsabilidade vai ser dos governos."

O maior número de casos e mortes está em Rio Preto, cidade que testa a maioria dos pacientes com sintomas - a variação entre 30 de junho e 31 de julho foi de 2.626 para 9.021 ocorrências positivas (243,5% a mais) e de 80 para 240 óbitos (um salto de 200%). Somente nesta sexta-feira, 31, foram confirmados 138 novos casos em Rio Preto, além de quatro óbitos. Onze outras cidades confirmaram mortes: Bebedouro, Catanduva, Catiguá, General Salgado, Icém (o primeiro do município), Novais, Pindorama, Pontes Gestal, Santa Clara d'Oeste, Tabapuã e Três Fronteiras.

Casos positivos

O percentual de positividade entre os testados em Rio Preto atingiu nesta semana o maior nível desde a pandemia - a cada cem exames feitos em Rio Preto, 36,3% deram positivo para coronavírus. Até então, o maior índice havia sido registrado há cerca de um mês e meio, de 33,9%, e desde então havia uma oscilação, sem aumento de uma semana para outra. O aumento indica que o vírus está circulando mais.

"Não é um bom sinal. Pode ser que atingiremos um outro platô, que pode ser mais alto do que o que vínhamos apresentando", afirmou o secretário de Saúde, Aldenis Borim, durante live na tarde desta sexta-feira, 31. O médico também apresentou que a quantidade de casos graves de Covid-19 está aumentando proporcionalmente. Segundo ele, isso se deve ao fato de que há menos vírus respiratórios, como o influenza, circulando. "Portanto a maioria dos casos que temos são de coronavírus."

Borim disse que as expectativas para as próximas semanas não são otimistas. A Secretaria de Saúde avalia que a cidade está enfrentando o pico da pandemia. "Estávamos em um platô, mas o que vimos foi um leve aumento, mas significativo, da porcentagem de positivos. Gostaria de dizer para a população que as expectativas não são tão otimistas para as próximas semanas. Teremos número de casos elevados e estamos tomando medidas para que possamos controlar esse número e não entrarmos em duplicação a cada três ou quatro dias, o que seria desastroso para nossa cidade", pontuou.

O infectologista Matos afirma que a interiorização da doença era esperada em um cenário que não houve controle. "Pode chegar num platô de casos muito alto e continuar assim por muito tempo. Para diminuir tem que ter medidas eficazes, tem que combater, e combater a desinformação."

Clique aquipara ver tabela de casos no Departamento Regional de Saúde (DRS)

  • Em 30/6 - 214
  • Em 31/7 - 608

Número de casos e mortes em cada mês em Rio Preto

Março

  • 20 casos e nenhuma morte

Abril

  • 91 casos e 8 mortes

Maio

  • 592 casos e 15 mortes

Junho

  • 1.923 casos e 57 mortes

Julho

  • 6.395 casos e 160 mortes