Inauguração de loja provoca aglomeração em Catanduva

Mau exemplo

Inauguração de loja provoca aglomeração em Catanduva

Vigilância Sanitária vai notificar prefeita, presidente da Câmara e empresário


Clientes entram na loja sem aferição de temperatura e higienização
Clientes entram na loja sem aferição de temperatura e higienização - Reprodução/Facebook

A inauguração da loja de departamentos Havan, em Catanduva, gerou aglomeração nesta quinta-feira, 30. Autoridades do município e o dono da loja discursaram sem máscara, cumprimentaram-se, inclusive com abraços, e desrespeitaram o distanciamento social. A Vigilância Sanitária de Catanduva informou que vai notificar nesta sexta-feira, 31, a empresa, a prefeita, Marta Maria do Espírito Santo Lopes, o presidente da Câmara, Luiz Pereira, e o empresário Luciano Hang. O evento foi transmitido ao vivo pelas redes sociais.

Pelo último boletim atualizado, Catanduva tem 1.501 casos positivos de Covid-19 e 46 mortes pela doença. Ainda segundo os dados, um dos dois hospitais responsáveis pelo tratamento de pacientes adultos, o Hospital Escola Emílio Carlos, está com 100% da UTI Covid ocupada e com 90% dos leitos de enfermaria com pacientes.

Neste contexto, a prefeita entrou para o evento ao lado de Hang e do presidente da Câmara na manhã desta quinta. Com exceção do vereador, que usava o equipamento deixando o nariz para fora, todos utilizavam as máscaras corretamente. Hang tirou o equipamento para cumprimentar funcionários e falar com a equipe aglomerada dentro da loja.

Em seguida, o empresário vai para o palco, onde Marta também sobe. Nesse momento, a prefeita tira a máscara e a segura na mão. Com um microfone em mãos, ela discursa ao lado de Hang, sem distanciamento social de pelo menos 1,5 metro. O presidente do Legislativo também sobe ao palco, deixa a máscara pendurada na orelha e também discursa.

O ex-prefeito Affonso Macchione Neto também se junta aos três para falar sobre a conquista da cidade em receber o estabelecimento para geração de cerca de 150 empregos com carteira assinada. Ele também permanece no palco e discursa sem o equipamento de proteção, exigido por Decreto Estadual, como uma forma de barrar a transmissão do coronavírus.

Durante as falas houve a participação de integrantes da loja - a maioria discursou de máscara. Em meio às falas, o empresário criticou as restrições de horários ao comércio. "Tivemos cinco meses para comprar respiradores, UTIs e hospitais, precisamos fazer a economia andar", disse. "Não tem lógica o que está acontecendo nesse país", completou.

O empresário afirmou que toma cuidados com distanciamento social, álcool em gel e máscara, e disse que tirou porque "falando é muita pressão". No vídeo, é possível ver que clientes que estavam em filas, sem distanciamento, entram na loja, alguns abraçam Hang, sem passar por aferição da temperatura e higienização, como determina o decreto municipal.

Notificações

A Vigilância Sanitária informou que recebeu denúncias com fotos e vídeos e que vai notificar a prefeita, o presidente da Câmara e o empresário por terem tirado as máscaras e o estabelecimento por permitir o descumprimento das regras. Após serem notificados, eles terão um prazo para defesa, que pode resultar em arquivamento ou multa.

Respostas

Sobre as regras descumpridas, a Prefeitura informou, por nota, que o estabelecimento foi orientado. "Tendo sido acordado com a empresa de que não haveria festa de inauguração com presença de público externo e que todos os clientes teriam a temperatura aferida na entrada". Segundo o comunicado, Marta discursou sem máscara por "considerar a distância segura". Sobre as aglomerações, a Prefeitura informou que "não compactua com a aglomeração".

A reportagem entrou em contato com a assessoria do presidente da Câmara, da loja e ligou para Macchione, mas não obteve respostas até o fechamento do texto.