Trânsito mata um pedestre a cada 20 dias em Rio Preto

ESTATÍSTICAS

Trânsito mata um pedestre a cada 20 dias em Rio Preto

Prefeitura aposta em lombofaixas e semáforos para diminuir casos


Silvelene da Silva Ribeiro, 53 anos, teve fratura no braço após ser atropelada por moto na Philadelpho
Silvelene da Silva Ribeiro, 53 anos, teve fratura no braço após ser atropelada por moto na Philadelpho - Arquivo pessoal

A cada 20 dias, uma pessoa morre atropelada em Rio Preto. Entre 2015 e julho deste ano, 99 pedestres perderam a vida. Boa parte das vítimas, 59, morreram no mesmo dia do impacto violento e oito pessoas ficaram internadas por mais de 30 dias até não resistirem aos ferimentos. A maioria dos pedestres mortos por atropelamento são homens, 70,4%.

Quem quase entrou para esta triste estatística foi a costureira da Silvelene da Silva Ribeiro, 53 anos, atropelada por uma moto na noite desta terça-feira, 28. O veículo era pilotado por um rapaz de 29 anos, que não respeitou o sinal vermelho de um semáforo da avenida Philadelpho Gouveia Neto, próximo do Parque Setorial, em Rio Preto.

Para o filho da costureira, é inaceitável que a mãe tenha sido atropelada justamente quando fazia o correto: atravessar a via pública após acionar o semáforo para pedestre e caminhar pela faixa de pedestre. "Minha mãe sofreu fratura em uma das mãos. O motociclista até que parou para prestar socorro. Não fugiu, mas ele teve a moto apreendida porque estava com a carteira de motorista vencida", diz o filho, Josias Ribeiro Costa.

Silvelene tinha se tornado costureira após ser demitida durante a pandemia. Sem uma das mãos, vai ficar incapacitada temporariamente, diz o filho.

Das 98 vítimas de atropelamento, 57 estavam na faixa etária acima dos 60 anos. Uma das atropeladas foi a aposentada Maria Caldeira Trabuco, 78 anos, atingida por uma moto Falcon, no dia 13 de julho deste ano, quando tentava atravessar a avenida Jesus Vila Nova Vidal, próximo de uma pista de caminhada, no bairro Alto Rio Preto.

Maria Caldeira chegou a ser encaminhada para a UPA Tangará com múltiplas fraturas expostas na perna, punho e ombro, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.

Para o professor de Engenharia de Tráfego da USP de São Carlos, José Bernardes Felex, o fato de a maior parte das vítimas de atropelamento terem mais de 60 anos não surpreende. "Os idosos são a maioria dos atropelados, porque nesta idade começam os problemas de mobilidade. As pessoas andam mais devagar e assim têm muita dificuldade para atravessar semáforos dentro dos poucos segundos permitidos", analisa o especialista.

Além disto, Felex afirma que os idosos também sofrem com redução de visão, o que pode levá-los a atravessar um cruzamento sem enxergar um veículo que vem em alta velocidade. "O ideal seria mapear os cruzamentos onde mais acontecem os atropelamentos de idosos, para aumentar o tempo de travessia nos semáforos e colocar placas de sinalização para orientar os condutores de veículos a reduzirem a velocidade, assim como acontece próximo de creches e escolas", sugere.

Prevenção

O secretário municipal de Trânsito, Amaury Hernandes, diz que o governo já implantou 59 lombofaixas em cerca de 40 pontos da cidade, como forma de prevenir atropelamento. O plano é instalar mais nove até o final do ano. "Também aumentamos o tempo de travessia, de oito para 15 segundos, para todos os lados, na região central para permitir que o idoso passe. Iremos ampliar para as avenidas mais movimentadas nos bairros", diz o secretário.

Amaury e Felex são unânimes em dizer que, além das estruturas como redutores de velocidades, lombofaixas e sinalização, a diminuição das mortes por atropelamento depende de mais investimento e educação para criar maior respeito dos condutores dos veículos. "O motorista ou motociclista precisa entender que ele também vai ficar velho e consequentemente vai precisar de ter mais tempo para atravessar uma rua. Quando eles se colocarem no lugar do idoso, vão ser menos agressivos", afirma Felex.

 

Colaboração/Leitor

Uma criança de um ano e meio morreu após ser atropelada por um ônibus na tarde desta quarta-feira, 29, no miniterminal do bairro Solo Sagrado, em Rio Preto. O menino não resistiu aos ferimentos e morreu no local do acidente.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a suspeita é de que o ônibus tenha tentado estacionar no local, quando a criança acabou caindo sob a roda do veículo e foi atropelada. Os Bombeiros e a Polícia Militar foram até o local da ocorrência.

Por meio da assessoria de imprensa, a ouvidoria do transporte público de Rio Preto lamentou o ocorrido, informou que vai fornecer as imagens das câmeras de segurança, que podem ter registrado o acidente, e vai acompanhar o caso.

Dados

Desde 2015, essa foi a quinta morte de crianças e adolescentes em acidentes de trânsito em Rio Preto.

O menino também foi a quinta vítima do trânsito rio-pretense neste ano - em decorrência da pandemia, os números da violência no trânsito baixaram.

Na região de Rio Preto, houve queada de 32,4% no número de mortes nas rodovias, segundo o Infosiga, banco de dados do governo do Estado de São Paulo. A comparação foi feita entre o primeiro semestre deste ano com o mesmo período do ano passado.

De janeiro a junho deste ano, foram 46 acidentes com morte, contra 68 em 2019. Em todo o Estado de São Paulo, o número de acidentes caiu 16,6%, apesar de as rodovias paulistas terem registrado aumento no volume de veículos nos últimos meses do primeiro semestre. (Colaborou Luna Kfouri)

Mortes no trânsito em Rio Preto desde 2015: 388

Mortes de pedestres desde 2015: 98

Mortes por ano

  • 2015: 23
  • 2016: 20
  • 2017: 18
  • 2018: 14
  • 2019: 19
  • 2020: 5

Sexo

  • Masculino: 70,4%
  • Feminino: 29,6

Faixa etária

  • 0 a 17: 5
  • 18 a 29: 10
  • 30 a 39: 4
  • 40 a 49: 11
  • 50 a 59: 10
  • 60 a 69: 26
  • 70 a 79: 20
  • acima de 80: 11
  • Indisponível: 2

Óbito em relação ao dia do acidente

  • Mesmo dia: 60
  • Dia seguinte: 4
  • Até sete dias: 9
  • Até 30 dias: 18
  • Mais de 30 dias: 8