Nascida em Kiev, na Ucrânia, Pietra agora é rio-pretense

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Nascida em Kiev, na Ucrânia, Pietra agora é rio-pretense

Bebê tem um mês e meio e está com os pais desde o dia 13 de junho


Adriano Garbelini e Camila Pavan com a pequena Pietra
Adriano Garbelini e Camila Pavan com a pequena Pietra - Guilherme Baffi 28/7/2020

Pietra Pavan Garbelini tem pouco mais de um mês e meio e já cruzou o mundo para chegar...em casa! Nasceu em 11 de junho em Kiev, na Ucrânia, mas desde 25 de julho está em solo rio-pretense, onde moram seus pais, a administradora Camila Pavan, 32 anos, e o fisioterapeuta Adriano Garbelini, 36, e onde também agora é seu lar. Eles foram buscar seu sonho em forma de menina do outro lado do globo porque na Ucrânia a barriga de aluguel é legalizada. Na certidão de nascimento, já constam os nomes dos pais brasileiros.

Casados há 15 anos, Camila e Adriano fizeram várias tentativas de engravidar, sem sucesso, e tentaram também barriga solidária com a irmã dele, mas não deu certo. No Brasil, apenas a barriga solidária é permitida - quando parentes próximas geram a criança, sem nenhum fim lucrativo.

Eles conheceram então um centro de reprodução humana, na Ucrânia, que une no mesmo local hotel e clínica. Para custear todos os procedimentos, foram desembolsados 39 mil euros, o equivalente a R$ 230,4 mil. Há pouco mais de um ano e meio, foi colhido material genético de Adriano e os dois escolheram uma doadora de óvulos que fosse o mais parecida possível com Camila. O casal preferiu, no entanto, não selecionar quem carregaria Pietra por nove meses, mas se deram muito bem com a escolhida pela clínica.

Camila e Adriano viajaram em plena pandemia para buscar Pietra, fazendo um verdadeiro malabarismo para alcançar a Ucrânia, que havia fechado as fronteiras por causa do coronavírus. Precisaram recorrer até ao consulado brasileiro na Alemanha e embarcar em um voo de repatriação de ucranianos. Ao chegar lá, precisaram ficar de quarentena e fazer o teste de coronavírus para ter certeza de não estavam contaminados. "Tudo vinha caminhando muito bem, aí o coronavírus chegou a bagunçou tudo, mas a gente se tornou mais forte e venceu essa", comemora a administradora.

Durante o período de isolamento, ela rezava para que a menina não nascesse enquanto ainda estivessem em quarentena. Quando o período terminou, Camila "avisou" uma "apressada" Pietra que ela poderia chegar - o parto estava previsto para o dia 23 de junho, mas a menina resolveu vir poucas horas depois do fim da quarentena dos pais, no dia 11.

Dois dias depois, aconteceu o tão sonhado encontro na maternidade. A mãe chegou até a ficar com medo de pegar a bebê, que era muito pequenina. "Pesava só 2,990 quilos e media 50 centímetros. Era comprida e magrinha. Eu falo que o dia mais importante da minha vida foi o dia que ela nasceu, mas o dia mais feliz foi o dia que eu conheci ela, porque foi um momento lindo, foi o nosso parto, então foi maravilhoso."

Camila apaixonou-se. "Por mais que a gente tenha se preparado, na hora que recebe nas mãos fala: será que vou saber cuidar? Dá aquela insegurança, mas o amor é uma conexão inexplicável. No momento em que eu vi sabia que era minha filha, sabia que era para o resto da vida, então tem uma coisa linda", derrete-se Camila.

Por causa da pandemia, a família adiou o quanto pôde a vinda para o Brasil e ficou mais na Europa. No total, foram 50 dias, 45 deles com Pietra. A preocupação na viagem de volta foi grande, pois, ao contrário dos adultos, a pequena não podia utilizar máscara nos aviões ou aeroportos. Foram 34 horas de viagem com uma bebê de um mês e meio. "Ela se comportou muito bem. Ela é muito boazinha, calma, querida. Sou apaixonada nela", celebra a mãe.

"A sensação de estar em casa é a sensação de ciclo cumprido, de vida nova. Somos uma família, temos uma filha e o que importa é isso aqui e daqui para a frente. Todas as dores que a gente passou, todo o sofrimento ficou muito pequeno perto do amor que a gente sente por ela", comemora Camila.