Famerp divulga hoje 'canal' para voluntários em Rio Preto

ESPERANÇA

Famerp divulga hoje 'canal' para voluntários em Rio Preto

Rio Preto vai testar a vacina, criada por farmacêutica chinesa, em 500 voluntários


Médico João Paulo Casella, 41 anos, quer fazer parte do time de voluntários em Rio Preto
Médico João Paulo Casella, 41 anos, quer fazer parte do time de voluntários em Rio Preto - Guilherme Baffi 27/7/2020

A Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) vai anunciar nesta terça-feira, 28, informações de como será a seleção dos 500 voluntários que participarão dos testes da vacina chinesa contra a Covid-19, a CoronaVac, em Rio Preto. A testagem faz parte da terceira e última fase de testes em humanos e está sendo coordenada pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac Life Science. O anúncio da Famerp será feito uma semana depois da previsão inicial do Estado para início da aplicação das doses.

A Famerp é um dos 12 centros de pesquisa de cinco Estados e do Distrito Federal responsáveis por testar as doses em até nove mil voluntários. Como a maioria dos centros, a faculdade ainda não disponibilizou o e-mail de contato para que os voluntários em potencial formalizem o interesse. Detalhes de como será a aplicação dos testes também não foram divulgados e devem ser repassados durante a coletiva de imprensa, prevista para as 10h30 desta terça.

Segundo o Butantan, as doses que serão aplicadas pelos pesquisadores da Famerp estão em São Paulo desde que chegaram na madrugada de segunda-feira, 20. A Famerp deve receber 500 doses do imunizante e mais 500 doses de placebo - cada voluntário vai tomar duas doses.

Para participar do estudo, o voluntário não pode ter se infectado pelo novo coronavírus e também não deve ter participado de outros estudos. Mulheres não podem estar grávidas ou planejando gravidez para os próximos quatro meses. Voluntários portadores de doenças que dependem de remédios que podem alterar a resposta imune também não podem participar.

Dos voluntários selecionados, metade receberá duas doses do imunizante num intervalo de 14 dias e a outra metade receberá duas doses de uma substância semelhante à vacina, porém sem efeito. Os recrutados que apresentarem sintomas serão monitorados por exames. No final de 90 dias, os pesquisadores verificarão se quem tomou a vacina ficou protegido em comparação aos que tomaram placebo.

Em São Paulo, o Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), iniciou a aplicação dos testes na terça-feira, 21. A primeira recrutada a receber a tomar a vacina foi a médica Stefania Teixeira Porto, 27 anos. Além dela, outros 889 profissionais de saúde que atuam na linha de frente do tratamento de pacientes com Covid-19 também participam.

Como Stefania, o médico anestesista de Rio Preto João Paulo Casella, 41 anos, é um dos profissionais de saúde da linha de frente da Santa Casa da cidade que querem participar do estudo. "Pelo simples ato de tentar fazer o bem à sociedade", disse. Pelas regras do sistema de seleção, ele é um voluntário em potencial. "Numa época dessas, com dias difíceis, várias pessoas morrendo e outras sendo apenas uma 'gripezinha' não é hora de politizar. É hora de pensar no bem comum. Famoso fazer o bem sem olhar a quem", completa.

João também se candidatou para participar dos testes da vacina da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que está sendo testada no Brasil em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e instituições parceiras, com 5 mil voluntários de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

No caso desta pesquisa, anunciada pelo Ministério da Saúde, a expectativa é de que, com a comprovação da eficácia, a Fiocruz receba autorização para importar o princípio ativo concentrado, que será convertido inicialmente em 30 milhões de doses. Pesquisadores da Fiocruz apostam em uma vacinação inicial em fevereiro de 2021 para um público específico. A partir daí, a produção nacional das doses poderá garantir imunização à população em geral.

(Com Agência Brasil)

O laboratório Moderna Inc. afirmou nesta segunda-feira, 27, que iniciou o estágio final de testes em uma candidata a vacina para a Covid-19, com apoio do governo dos Estados Unidos. Esta é a quinta vacina a chegar nessa fase dos testes. A pesquisa faz parte do programa anticoronavírus "Operation Warp Speed", do governo de Donald Trump.

O governo federal dos EUA está apoiando o projeto com quase U$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,21 bilhões) e o escolheu como um dos primeiros a entrar na fase de ensaios em larga escala em humanos.

Mais de 150 candidatas a vacina estão em vários estágios de desenvolvimento pelo mundo. A Moderna disse que continua a caminho de fornecer cerca de 500 milhões de doses por ano, chegando até 1 bilhão de doses por ano, a partir de 2021.

O estudo vai determinar se a vacina pode prevenir a Covid-19 sintomática após duas doses. Os cientistas também procuram responder se ela poderá prevenir a morte causada pelo coronavírus, entre outros objetivos.

(Agência Estado)