Barco Hospital ajuda no combate à Covid

DESAFIO

Barco Hospital ajuda no combate à Covid

Em março, as viagens haviam sido suspensas por segurança


Barco Hospital Papa Francisco
Barco Hospital Papa Francisco - Divulgação

Se já é difícil lidar com a situação do coronavírus em uma cidade como Rio Preto, com uma rede de saúde bem estruturada - mesmo com deficiências, há rede básica até a complexa hospitalar -, imagine em um local onde o hospital mais próximo pode estar a 12 horas por um bravo e amedrontador rio Amazonas. É nessa realidade que o Barco Hospital Papa Francisco, administrado pela Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, de Jaci, atende as comunidades ribeirinhas do Amazonas e ajuda a identificar os casos de Covid-19.

O Pará registra 146,2 mil casos da doença, com 5,6 mil mortes. O Estado tem uma das mais altas taxas de mortalidade do País, atrás apenas do Ceará, Amazonas, Roraima e Rio de Janeiro.

Neste sábado, 25, o hospital flutuante estava no Distrito de Arapixuna, em Santarém (Pará), e seguiria depois para Santa Maria Uruara, Boa Vista do Cuçari, Monte Alegre e Pacoval, todas comunidades da cidade de Prainha, também no Pará, na quarta expedição durante a pandemia. Em março, as viagens haviam sido suspensas por segurança, mas a Associação achou que não dava para se eximir da responsabilidade de tratar dos ribeirinhos em um momento tão delicado.

Assim, como não era mais possível levar médicos voluntários por causa da pandemia, foram contratados quatro médicos e um cirurgião dentista, além da equipe de base do hospital, composta por religiosos, enfermeiros e técnicos. "O Lar, através do Barco, não poderia ficar indiferente a essa situação, então juntamente com a equipe local montamos uma estratégia para atender as comunidades ribeirinhas, principalmente lembrando não só a Covid, mas outras doenças que existem no nosso povo que precisavam ser tratadas", afirma frei Joel Sousa, responsável pelo navio.

"A gente começou devagar, de uma forma muito pequena, mas dando resposta a algumas comunidades. Fizemos vários exames, constatamos várias pessoas com essa doença, possibilitando o início do tratamento e orientações sanitárias para que eles pudessem se recuperar e também distribuindo as medicações necessárias", conta. Todos os casos são comunicados às autoridades de saúde local e, quando o paciente precisa de assistência prolongada, é encaminhado com as ambulâncias flutuantes (as ambulanchas) até o hospital mais próximo.

Foram criados protocolos próprios, com dois fluxos de atendimento separados - um para as pessoas com sintomas gripais e outro para atendimentos clínicos em geral, como o caso do jovem de 27 anos que chegou em Curuai (Santarém) chorando de dor com uma hérnia que estava necrosando, mas foi operado a tempo pela equipe.

Os ribeirinhos também estão recebendo máscaras para se proteger. "Tem sido um sucesso e ao mesmo tempo uma resposta que o Barco Hospital não se afastou nesse momento tão crucial. Nossos irmãos ribeirinhos por causa do isolamento não podiam ir à cidade, aos grandes centros e aí ficava mais difícil ainda o acesso", conta frei Joel. "O Barco Hospital mais uma vez, como um hospital em saída, junto com tantas pessoas de bem que se juntam para atender e fazer com que isso aconteça da melhor forma possível para o bem do nosso povo."

O franciscano diz que o maior desafio é motivar a equipe e cuidar de todos para que não adoeçam e possam assistir a população. "Como diz o frei Francisco Belotti (superintendente da Associação), somos chamados a enfrentar, cuidar e nos colocar na vida do outro. É isso que o Barco Hospital tem feito com muito carinho, com muita técnica e graças a Deus tem dado certo."

 

A Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) participou de um estudo de sequenciamento de 427 genomas do coronavírus publicado na revista Science do último dia 23. A força-tarefa envolveu pesquisadores de 15 instituições brasileiras de 21 estados, em parceria com centros de pesquisas da Inglaterra.

O estudo usou amostras colhidas de pacientes positivos para Covid-19 em 85 municípios brasileiros, entre março e abril. Os pesquisadores combinaram dados genômicos da SARS-CoV-2 com dados epidemiológicos e de mobilidade humana para investigar a transmissão em diferentes escalas e o impacto de medidas de intervenção não farmacêuticas.

Os resultados demostram que as INFs, como fechamento das escolas e comércio no final de março, embora insuficientes, ajudaram a reduzir a taxa de transmissão do vírus. De acordo com a faculdade, os pesquisadores conseguiram detectar também mais de cem introduções distintas de Covid no Brasil, originárias principalmente da Europa.

"A maior parte dessas introduções foi identificada nas capitais com maior incidência de voos internacionais", afirma a nota. O estudo deduziu que 76% dos vírus detectados até abril se agrupam em três grupos que chegaram entre o final de fevereiro e início de março. "Espalharam rapidamente pelo país antes que das medidas de controle de mobilidade fossem iniciadas."

O trabalho foi desenvolvido com o apoio de instituições, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

RIO PRETO

  • 7.416 casos confirmados
  • 203 mortes
  • 294 internados (incluindo casos positivos e suspeitos)
  • 4.321 recuperados

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto

REGIÃO

  • 23.080 casos confirmados
  • 645 mortes
  • 15.701 recuperados

Fonte: Secretarias Municipais de Saúde

ESTADO

  • 479.481 casos confirmados
  • 21.517 mortes
  • 319.848 recuperados

Fonte: Governo do Estado

BRASIL

2.348.200 casos confirmados

85.385 mortes

1.592.281 recuperados

Fonte: Ministério da Saúde

MUNDO

  • 15.784.287 casos confirmados
  • 640.601 mortes
  • 9.132.074 recuperados

Casos confirmados e mortes

  • Estados Unidos: 4.186.329 e 147.650
  • Brasil: 2.348.200 e 85.385
  • Índia: 1.385.494 e 32.096
  • Rússia: 806.720 e 13.192
  • África do Sul: 434.200 e 6.655
  • México: 378.285 e 42.645
  • Peru: 375.961 e 17.843
  • Chile: 341.304 e 8.914
  • Reino Unido: 298.681 e 45.738
  • Irã: 286.523 e 15.289

A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto registrou neste sábado, 25, mais 250 casos positivos de Covid-19 e seis óbitos da doença. Com esses resultados entregues pelos laboratórios nas últimas 24 horas, a cidade conta 7.416 casos e 203 mortes.

Até sexta-feira, 24, a Saúde havia notificado 41.424 suspeitos - 29.313 passaram por testagens. 4.321 pessoas de Rio Preto que testaram positivo fizeram o tratamento e foram curadas.

Segundo boletim da Santa Casa, o hospital contava neste sábado com 82 internados com suspeitas ou positivo de Covid. Dos 36 pacientes em leitos de UTI, 28 com exames confirmados para Covid. Dos 46 da enfermaria, 27 também positivos. No Hospital de Base, 18 pacientes confirmados para a doença ganharam alta médica. Outros 217 suspeitos ou confirmados continuam internados - 101 em UTI e 116 na enfermaria.

Na região, Catanduva registrou mais duas mortes - um homem, 73 anos, e uma mulher, 84. Na cidade são 41 óbitos e 1.323 confirmados. (FP)