Acidentes deixam marcas para toda a vida

TRÂNSITO

Acidentes deixam marcas para toda a vida

Lucy Montoro atende 300 pacientes por ano com sequelas de acidentes


Wagner Dionísio sofreu bateu de moto quando voltava do trabalho; na queda sofreu um trauma na medula
Wagner Dionísio sofreu bateu de moto quando voltava do trabalho; na queda sofreu um trauma na medula - Guilherme Baffi 24/7/2020

O entregador de gás Wagner Donizete Rodrigues, 45 anos, estava acostumado a trafegar de moto em alta velocidade pelas ruas e avenidas de Rio Preto. Diariamente, o trabalho exigia dele agilidade e ousadia para entregar as encomendas no menor intervalo de tempo. Apesar dos riscos da profissão, foi quando estava a caminho de casa que a vida mudou completamente. "Eu devolvi a moto da empresa e estava indo embora com a minha. Estava andando devagar e quase chegando em casa quando fui fechado por um carro", lembra.

O acidente aconteceu dia 29 de fevereiro de 2019, por volta das 20h, em uma das vias mais movimentadas em Rio Preto, a avenida Dr. Ernani Pires Domingues. Com o impacto, o entregador foi lançado por cima do veículo. Na queda, sofreu um trauma medular e perdeu o movimento nas duas pernas. "A batida não foi muito forte, mas acredito que cai de mau jeito. Se estivesse correndo, não estaria aqui hoje", reflete.

Wagner foi socorrido e ficou três semanas internado na Santa Casa. "Faz seis meses que faço fisioterapia, tenho acompanhamento psicológico e de nutricionista", contou Wagner, que se tornou mais um paciente do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro de Rio Preto. Com as aulas de controle físico, hoje ele já consegue dar os primeiros passos com apoio de barras. "Hoje eu vejo o valor que é poder ficar de pé. Se eu pudesse dar uma dica para quem anda de moto é não correr", diz.

Todos os anos, a unidade atende uma média de 300 novos pacientes com sequelas após se envolverem em acidentes de trânsito - número que representa 30% do total.

"Os pacientes chegam aqui com inúmeras incapacidades, são sequelas causadas por traumatismo craniano, lesão medular além das polifraturas com amputações e lesões de plexo braquial", afirma a diretora do instituto em Rio Preto, a fisiatra Regina Helena Morganti Fornari Chueire.

A dor do luto

"As coisas estão todas lá, do jeito que ele deixou. As roupas, a mochila. É muito difícil entrar e não lembrar dele". Quase um ano após a perda do filho caçula, a salgadeira Laura Aparecida dos Santos, 47, diz ainda não ter tido energias para entrar no quarto que pertencia a Douglas Marcelo da Silva, jovem que faleceu aos 18 anos depois de ser vítima da imprudência no trânsito.

Douglas faleceu no dia 13 de agosto do ano passado, após 11 dias internado na UTI do Hospital de Base. Ele foi vítima de um acidente de moto no bairro Maria Lúcia, zona norte de Rio Preto. Douglas pilotava uma moto e trazia a mãe na garupa. Ambos tinham acabado de sair de um culto da igreja Assembleia de Deus, na avenida Mirassolândia.

"Eu pedi para ele pilotar porque eu tive uma crise de labirintite", lembra a mãe. Ela diz recordar do momento em que o filho parou no semáforo da rua Manoel Moreno, à espera pelo sinal verde. "Era uma subida, por isso a gente saiu devagar. Nossa moto estava a uns 20 quilômetros por hora quando eles bateram na gente".

A moto que atingiu mãe e filho era pilotada por um rapaz que passou a ser perseguido pela Guarda Civil Municipal, durante uma tentativa de abordagem de rotina para checagem de documentos. Na fuga, o piloto da moto entrou em alta velocidade na contramão, atingindo a moto em que estavam Douglas e Laura.

"Eu desmaiei na hora e só acordei depois da chegada do resgate. O Douglas estava consciente. Ele gritava muito forte, dizendo que a barriga estava doendo", conta.

O jovem sofreu um traumatismo craniano, teve fratura nos dois braços, perfuração no pâncreas, intestino, teve os rins machucados e precisou passar por duas cirurgias. A mãe sofreu ferimentos leves. "O Douglas era meu braço direito. Ele era meu amigo, meu companheiro. Mas Deus preparou ele, sei que vamos nos reencontrar", conta Laura.