Polícia Federal fecha fábrica de álcool em gel em Catanduva

Clandestina

Polícia Federal fecha fábrica de álcool em gel em Catanduva

Um homem, suspeito de ser o dono da fábrica, foi preso em flagrante


Fábrica de álcool gel foi fechada na manhã desta quinta, em Catanduva
Fábrica de álcool gel foi fechada na manhã desta quinta, em Catanduva - Divulgação

Um empresário de Catanduva foi preso nesta quinta-feira, 23, pela Polícia Federal de Rio Preto, suspeito de fabricação clandestina de álcool em gel. O produto chegou a ser comprado por hospitais da região de Rio Preto, segundo a PF.

O empresário, que não teve o nome divulgado, poderá pegar até 15 anos de prisão pelo crime de falsificação de produto. A estimativa é que ele faturava R$ 210 mil por semana com a comercialização do produto.

Este é o segundo imóvel fechado na cidade com fabricação irregular do produto, utilizado na prevenção ao coronavírus. A primeira ocorrência foi em abril deste ano.

"Esta conduta criminosa pode ter sujeitado consumidores a riscos à saúde em razão da exposição a várias doenças, entre elas a Covid-19, pois não há eficiência comprovada e a marca comercializada não tem registro ou autorização para venda, mas estava sendo comercializada para todo o País", informou nota da PF.

A fábrica clandestina funcionava em um galpão alugado, na rua Lucélia, no Jardim Del Rey, em Catanduva, mas na fachada não havia identificação da empresa. No local foram surpreendidos cinco funcionários.

Foram apreendidos dez mil litros de álcool e 1,9 mil frascos prontos para a venda, além de 25 mil embalagens. Amostras do produto passarão para análise de composição em laboratório de perícia criminal.

Segundo o delegado da Polícia Federal Cristiano Pádua, a prisão ocorreu após semanas de monitoramento da fábrica, até terem certeza de que ocorria o processamento e distribuição ilegal do produto. "Flagramos um caminhão tanque chegando na fábrica. Os funcionários falaram em depoimento que não sabiam que participavam da processamento irregular de álcool em gel", diz o delegado.

Na operação, a PF teve apoio de equipes da Vigilância Sanitária da prefeitura de Catanduva e do Estado, para acompanhar a entrada na fábrica e verificar se o processamento estava dentro dos padrões exigidos pela Anvisa. A empresa não tinha autorização para esta atividade, mas sim para mecânica de veículos.

De acordo com a PF, o empresário emitia notas fiscais para comercialização do produto, mas constava como endereço da fábrica uma casa abandonada em outro bairro de Catanduva. "Outra irregularidade é que todos os frascos dos produtos tinham a mesma época de fabricação, fevereiro de 2020", detalha o delegado.

Além de todas irregularidades, funcionários da empresa e casas vizinhas corriam risco de incêndio e explosão, pela manipulação de alta quantidade de combustível fora dos padrões de segurança do Corpo de Bombeiros.

Após a constatação da irregularidade na fabricação, o dono da empresa foi levado para Rio Preto, onde foi ouvido, acompanhado de seu advogado. Ele vai passar nesta sexta-feira por audiência de custódia, quando será decidido se ele terá o direito a responder pelo crime em liberdade.

De acordo com a PF, a conduta criminosa é tipificada no Código Penal Brasileiro no artigo 273, com pena que pode chegar até a 15 anos de reclusão em razão do risco à saúde da população.

O advogado de defesa do empresário não quis falar em nome do cliente, com argumento que irá se manifestar somente após ter conhecimento do inquérito.

De acordo com a prefeitura de Catanduva, a primeira apreensão em fábrica clandestina ocorreu em abril deste ano e o caso está sendo investigado pela Polícia Civil da cidade.