Pandemia muda estrutura da saúde pública em Rio Preto

COVID-19

Pandemia muda estrutura da saúde pública em Rio Preto

UPAs transformadas em UTI, ampliação emergencial do número de leitos, remanejamento de recursos humanos e equipamentos foram algumas medidas adotadas para garantir atendimento e evitar que a cidade regrida de fase no Plano SP


A UPA Jaguaré é a referência de internação para síndrome respiratória. Ela conta com dez leitos para casos graves e 20 para moderados, tendo inclusive respiradores para pacientes que precisarem de suporte respiratório
A UPA Jaguaré é a referência de internação para síndrome respiratória. Ela conta com dez leitos para casos graves e 20 para moderados, tendo inclusive respiradores para pacientes que precisarem de suporte respiratório - Mara Sousa 8/5/2019

A pandemia de coronavírus obrigou a Secretaria de Saúde de Rio Preto a implementar mudanças na rede pública de atendimento, a começar pelas unidades básicas. Nove delas estão neste momento destinadas apenas a pacientes com sintomas respiratórios.

"Essa estrutura é pela demanda de casos. Começamos com dez unidades, diminuímos para cinco lentamente e com o aumento de casos aumentamos as unidades", afirma o secretário de Saúde, Aldenis Borim. "Mesmo nas unidades respiratórias, não se deve ter aglomerações, porque ali pode ter Covid e não Covid. A gente vai aumentando gradualmente, conforme a necessidade."

As outras unidades de saúde continuam atendendo, mas somente as consultas de pacientes prioritários, como aqueles com comorbidades e com suspeita de tumores. Alguns agendamentos foram postergados com o objetivo de evitar aglomerações. A demanda nessas UBS aumentou. "Teríamos maior movimento nas demais unidades e haveria aglomeração, além de (necessitar de) recursos humanos, que é a mão de obra que está sendo deslocada para o respiratório", explica.

Na rede pública, foram criados leitos específicos para pacientes com coronavírus na Santa Casa e no Hospital de Base, que também atendem pacientes particulares. Suspeitos e confirmados ficam em alas diferentes. São vários desafios, dentre eles o espaço físico, pois cada cama deve ficar a pelo menos dois metros de distância da outra. Outro problema enfrentado é com relação ao pessoal: as equipes precisam atender exclusivamente pacientes com coronavírus, não podendo transitar entre setores. Além disso, muitos profissionais de todas as frentes de atendimento estão se contaminando e até morrendo, enfraquecendo as forças de trabalho da saúde. Somente em Rio Preto, 1.007 profissionais tiveram a doença confirmada (14% do total de casos).

O Hospital Estadual João Paulo 2º, que atendia casos eletivos de Rio Preto e região, agora atende também urgências e emergências, para desafogar um pouco os leitos de Santa Casa e HB.

Nesta semana, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Jaguaré foi transformada em uma espécie de hospital para atender casos graves e moderados de Covid-19. Assim como nos hospitais, os pacientes não devem se dirigir para lá em livre demanda, mas ser encaminhados pelo Samu.

Há dez leitos para casos graves e 20 para os moderados, todos com respiradores enviados pelo Estado, com possibilidade de mais dez sem respiradores, se necessário. Outras duas UPA estão estruturadas para pacientes com sintomas de gripe.

Nesta quarta-feira, 22, foram inaugurados dez leitos de UTI no Hospital de Jaci, em uma parceria com a Secretaria de Saúde de Rio Preto, além dos 18 já existentes na enfermaria. No fim da tarde, havia 17 pacientes na enfermaria e dois ocupavam as vagas de alta complexidade. Se necessário, mais dez leitos de UTI podem ser montados.

Como tem sido visto, grande parte dos pacientes com coronavírus que precisam de hospitalização apresenta quadros graves. Dentre os 307 internados em hospitais públicos e particulares nesta terça-feira, 182 tinham a doença diagnosticada e 92 estavam em UTI.

A pandemia está no pico e estima-se que essa fase deve durar pelo menos mais duas semanas, mas o secretário Borim destaca que não é possível abrir leitos indefinidamente, daí a importância de tentar frear a propagação do vírus.

"O espaço físico não é nossa limitação, nós temos. A capacidade é limitada em vários fatores: equipamentos para todos esses leitos, medicação e recursos humanos", pontua. "Nós sabemos que o Brasil todo está sofrendo com falta de kits de intubação, além de alguns antibióticos."

Segundo o médico, os sedativos e relaxantes musculares estão vindo a conta-gotas, e um centro empresta para o outro. "Por enquanto não teve nenhum paciente que não tinha medicação, mas todo mundo suspendeu as cirurgias eletivas." Os remédios estão em falta na região inteira. As empresas farmacêuticas não estão encontrando matéria-prima para produzir os remédios, essenciais na intubação.

A demanda aumentou muito com a pandemia, pois um paciente com coronavírus pode passar semanas precisando de ventilador pulmonar, e precisa de sedativos durante todo esse tempo - diferente de alguém que faz uma cirurgia de remoção de hérnia e precisa das substâncias por algumas horas, por exemplo.

 

UBS

Pacientes que estiverem com sintomas de coronavírus podem procurar uma das unidades de saúde (UBS) específicas para síndrome respiratória

UBS que atendem APENAS pacientes com sintomas de síndrome respiratória:

LEALDADE/AMIZADE - Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h

ANCHIETA - Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h

CAIC - Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h

SANTO ANTÔNIO - Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h

VETORAZZO - Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h

ANEXO FACERES (exclusivo para atendimento de crianças) - Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h

VILA MAYOR - Segunda a sexta-feira, das 7h às 22H

ESTORIL - Diariamente das 7h às 22h

SOLO SAGRADO - Diariamente das 7h às 22h

** As outras unidades básicas de saúde somente para casos prioritários e com a vacinação de crianças, jovens, adultos e idosos. O Centro Médico de Especialidades (CME), Caesm, CAE, Ambulatório SCT e os exames e procedimentos agendados nas unidades especializadas continuam, seguindo as medidas de prevenção.

UPA

Fora do horário de atendimento das UBS, as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Tangará e Vila Toninho estão aptas a receber os pacientes com sintomas respiratórios e também outros agravos 24 horas por dia, sete dias por semana

Nas UPA Norte e na do Santo Antônio não há atendimento para casos de síndrome respiratória, apenas para outros agravos de urgência e emergência, também todos os dias, durante 24 horas

UPA Jaguaré

A UPA Jaguaré é a referência de internação para síndrome respiratória. Ela conta com dez leitos para casos graves e 20 para moderados, tendo inclusive respiradores para pacientes que precisarem de suporte respiratório

Os pacientes são encaminhados para lá depois de passar por avaliação médica em alguma UBS ou outra UPA, pois a Jaguaré se transformou em uma espécie de hospital. Não devem procurar a Jaguaré por si próprios. A regulação é feita pelo Samu 192.

Hospital de Jaci

A Secretaria de Saúde de Rio Preto firmou contrato com a Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, de Jaci, para internação de pacientes rio-pretenses no hospital da cidade

São 18 leitos de enfermaria e dez de UTI, com respiradores, em funcionamento para moradores de Rio Preto que são atendidos pelo SUS.

Nesta quarta, foram liberados os leitos de UTI, com direito a bênçãos do frei Francisco (foto). Nesta quarta, havia 17 pacientes na enfermaria e dois na UTI.

Se necessário, há previsão de inauguração de mais dez leitos de alta complexidade nas próximas semanas.

Santa Casa

A Santa Casa é o hospital referência para atender moradores de Rio Preto pelo SUS, mas também atende a alguns da região por meio de seu convênio particular

Tem 59 leitos de enfermaria e 38 de UTI dedicados exclusivamente a pacientes suspeitos e confirmados de coronavírus, sem distinção do que é rede pública e o que é de convênio

Os pacientes do SUS, via de regra, devem ser encaminhados, e não procurar o hospital por livre demanda

A Santa Casa tinha, nesta quarta-feira, 53 pacientes na enfermaria, uma ocupação de 89,8%; e 32 nas vagas de UTI, com uma taxa de ocupação de 84,2%

Hospital de Base e Hospital da Criança e Maternidade

Os dois hospitais do complexo Funfarme são a referência do Departamento Regional de Saúde (DRS), que abrange 102 municípios, inclusive Rio Preto, e também de outros lugares

O Hospital de Base tem 280 leitos de enfermaria e 117 de UTI dedicados exclusivamente à internação de adultos com Covid-19 confirmada ou suspeita, também sem distinção de pacientes do SUS e pacientes particulares.

Nesta quarta-feira, 116 (41,4%) das vagas de enfermaria destinadas aos adultos estavam ocupadas e 106 dos de alta complexidade (90,5%) tinham pacientes

O HCM possui 30 leitos de enfermaria e 14 de UTI para pacientes pediátricos de coronavírus. Para lá, os pacientes do SUS também são encaminhados por outras unidades. Os de convênio podem procurar diretamente a emergência

Hospital Estadual João Paulo 2º

No hospital, funciona o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), com exames e cirurgias eletivos de pacientes dos municípios do Departamento Regional de Saúde (DRS), porém por meio de uma parceria entre a Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus e a Secretaria de Saúde de Rio Preto também atende agora casos de urgência e emergência, para desafogar a Santa Casa e o Hospital de Base.

 

Rio Preto confirmou nesta quarta-feira, 22, mais 259 casos de coronavírus, totalizando 6.522, e três mortes, que chegaram a 182. A incidência de casos está em 1.415 a cada cem mil habitantes.

A Secretaria de Saúde alertou que a maioria das pessoas que ficaram internadas eram adultas na faixa dos 20 aos 59 anos. Dos 880 hospitalizados, 55% (484) estavam nessa faixa etária. "Adulto jovem está sim internando e a porcentagem que precisa de UTI nessa faixa etária não é tão baixa. Fica esse alerta para a população da gravidade da doença, que devemos nos preocupar, sim", afirma Andreia Negri Reis, gerente do Departamento de Vigilância Epidemiológica.

Região

Na região, não há mais nenhuma cidade sem registro do vírus. Lourdes confirmou nesta quarta-feira, 22, o primeiro caso de coronavírus.

Valentim Gentil registrou o segundo óbito por coronavírus. A vítima era um idoso de 72 anos, com comorbidades, que estava internado no Hospital de Base em Rio Preto.

Mais mortes foram confirmadas em Santa Fé do Sul e em Tanabi - chegando a 14 nas duas cidades. Em Santa Fé do Sul, a vítima era um idoso de 90 anos, com comorbidades, que faleceu na segunda-feira, 20. O perfil da vítima de Tanabi não foi revelado.

Palmares Paulista registrou o terceiro óbito na terça-feira, 21, em um idoso de 73 anos que tinha comorbidades e estava internado no Hospital São Domingos em Catanduva.

Em Orindiúva, os dois primeiros óbitos foram confirmados e a Secretaria de Saúde não divulgou as informações sobre os pacientes.

Em Votuporanga, foi confirmado o 29º óbito, de um idoso de 74 anos, com comorbidades, que estava internado em outro município. Ele tinha apresentado os primeiros sintomas em 6 de julho.

(MG com Ingrid Bicker)