DDM investiga se criança foi envenenada em Rio Preto

ESTADO GRAVE

DDM investiga se criança foi envenenada em Rio Preto

Menino de um ano está internado na UTI do Hospital da Criança e Maternidade


Delegacia de Defesa da Mulher conduz a investigação
Delegacia de Defesa da Mulher conduz a investigação - Mara Sousa/Arquivo

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) investiga a suspeita de envenenamento de uma criança de um ano e seis meses, em Rio Preto. O caso aconteceu na sexta-feira, 17, mas o boletim de ocorrência foi registrado nesta terça-feira, 21. O pai acusa a mãe do menino de ter dado o veneno à criança. Ela nega.

Segundo informações do boletim de ocorrência, na sexta-feira, 17, o pai foi informado por vizinhos que seu filho estava sendo levado pela mãe para o hospital. A criança foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tangará, contudo, como o estado era grave, foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança e Maternidade (HCM).

Segundo o pai, em um primeiro momento, a mãe contou que a criança havia caído e batido a cabeça. Em seguida, ela teria mudado a versão, afirmando que a criança havia tomado um choque elétrico. Depois, teria informado não saber o motivo pelo qual o filho estava passando mal.

O pai afirma que a médica responsável pelo atendimento apontou que a causa do mal-estar da criança era a ingestão de alguma substância, já que o pulmão havia sido muito afetado, e a criança apresentava convulsões e pupilas dilatadas.

Durante a realização de exames, o pai afirma que recebeu uma foto em seu WhatsApp, enviada pela mulher, de uma garrafa de veneno e mostrou à médica.

O casal tem mais duas crianças, dois meninos - um com três anos e um recém nascido com um mês de vida. "Minha mulher não é uma má pessoa, mas acredito que ela esteja com depressão pós parto. Já encaminhei para um médico especialista, que receitou medicação, mas ela parou de tomar por conta própria. Depois aconteceu isso com meu filho", comenta o pai.

O homem afirma que o recém-nascido teve de ser levado para casa de sua irmã, porque a mulher teria deixado de cuidar do filho, um dos sintomas de depressão pós parto. O homem vai encaminhar à delegacia as fotos e as conversas que teve com a mulher pelo aplicativo. A reportagem não conseguiu contato com a mulher.

A delegada coordenadora da DDM de Rio Preto, Dalice Aparecida Ceron, já ouviu a mãe. A mulher negou a intenção de ter dado veneno à criança, durante depoimento prestado na tarde desta terça-feira, 22.

"A mãe disse que, logo que percebeu que o filho apresentava problemas de saúde, pediu ajuda para funcionários de uma padaria perto da casa e também para vizinhos. Depois, ela levou sozinha a criança para a UPA Tangará. Ela diz que só depois viu perto do local em que o menino estava um frasco de veneno aberto. Ela acredita que ele possa ter ingerido sem saber o que era", afirma a delegada.

A mãe confirmou à delegada que enviou uma foto do frasco de veneno para o celular do pai, mas diz que foi com a intenção de que ele informasse imediatamente a equipe médica do HCM.

Dalice pretende ouvir vizinhos e funcionários da padaria para confirmar a versão dos fatos relatados pela mãe, além de aguardar o resultado do laudo pericial feito na criança, para concluir se o envenenamento foi intencional ou acidental. (Colaborou Yasmin Lisboa)

Ginecologista e psicólogo dizem que a mulher precisa ser tratada, não presa, porque há risco do quadro de saúde dela piorar.

O ginecologista Eurico Medeiros Filho afirma que a mãe pode estar com depressão pós parto em decorrência do nascimento do filho mais novo.

"É possível que uma mulher com depressão pós parto possa agir de forma lesiva contra os filhos. O importante é encaminhá-la aos cuidados de um psiquiatra, para que seja feita uma avaliação de qual tratamento adequado", diz médico.

Eurico recomenda que as três crianças sejam colocados temporariamente aos cuidados de parentes, porque ela também pode estar com sobrecarga física por ter que cuidar dos três filhos ao mesmo tempo.

Para a psicóloga Joelma Caparroz, é equivocado as pessoas fazerem julgamentos morais desta mãe. "É importante salientar que não julguemos essa mãe, e sim façamos uma avaliação ou uma perícia a respeito da sua saúde mental, uma avaliação psicológica para sabermos realmente a situação da saúde mental dela no momento que cometeu esse crime. Cabe ao poder público realizar as investigações pertinentes", diz a psicóloga. (MAS)