Adolescentes de Rio Preto falam sobre a experiência de estudar online em casa

EDUCAÇÃO

Adolescentes de Rio Preto falam sobre a experiência de estudar online em casa

Adolescentes contam suas experiências positivas com as atividades escolares remotas durante a pandemia do coronavírus


A estudante Isadora Oliveira Navarro da Cruz, de 16 anos, acaba de ganhar uma medalha de ouro na Olimpíada do Canguru
A estudante Isadora Oliveira Navarro da Cruz, de 16 anos, acaba de ganhar uma medalha de ouro na Olimpíada do Canguru - Arquivo pessoal

Em todo o país, milhares de crianças e adolescentes não estão frequentando a sala de aula das escolas como medida de frear novo coronavírus. Rapidamente, eles tiveram a rotina diária de aula presencial substituída por ambientes virtuais e muitos ainda estão se ajustando à nova rotina. A atividade improvisada soa ainda como algo muito difícil para alguns estudantes. Outros alunos, no entanto, estão ainda mais motivados com o ensino a distância, que antes era comum na educação superior, mas agora é uma realidade em todas as casas, com diferentes métodos, conteúdo, tarefas e provas para fazer virtualmente.

Existe um grupo de crianças e adolescentes que acham que ir para o jardim de infância, as primeiras séries e até o ensino médio, é um trabalho árduo. Trata-se do grupo dos tímidos ou introspectivos. Para eles, ações rotineiras como cumprimentar alguém (como o aluno popular da escola), pedir ajuda diante de uma dificuldade para o professor ou apresentar um trabalho na frente da turma são um pesadelo. Neste cenário, ficar em casa e estudar online é algo mais confortável. Os hiperativos também se encaixam neste perfil. Eles têm dificuldade em se enquadrar nas regras e no sistema de educação, e por isso têm lidado bem com as aulas remotas. Tem também o grupo que quer se concentrar e é distraído por outros alunos mais desinteressados.

O estudante Luiz (nome fictício), de 16 anos, é um deles. O jovem, que se considera fora dos padrões impostos pela sociedade, é mais caseiro, tem poucos amigos, mas verdadeiros, e prefere estudar em casa. "Muita gente fala que essa minha característica, de ser mais caladão, pode prejudicar o meu desenvolvimento na escola no segundo ano do ensino médio, mas eu tenho boas notas e já ganhei até medalhas em olimpíada da matemática. Uma coisa não anula a outra. Nesta quarentena, inclusive, comecei a fazer um curso de inglês, algo que eu vivia protelando. E estou bem e feliz."

Quem não se encaixa no perfil de tímido, mas que tem gostado de estudar em casa é o adolescente José Otavio Truzzi Marques Otero, de 13 anos. Aluno do 7º ano, o rio-pretense conta que o começo foi muito difícil ficar longe da escola, mas agora já está adaptado e conseguindo notas melhores do que antes da pandemia. "Me concentro melhor nas aulas e sinto que estou mais participativo." O estudante, que gosta muito de matemática, afirma que não teve dificuldade em aprender a matéria por meio das aulas online. Ele, que estava na fazenda da família nesta semana, afirma que criou uma rotina de estudos pela manhã e na parte da tarde, quando está livre, joga videogame com os amigos. "Assim mantemos a amizade nessa fase de pandemia."

Quem também está lidando bem com o fechamento da escola e com as medidas de isolamento social para evitar a propagação do novo coronavírus é a estudante Isadora Oliveira Navarro da Cruz, de 16 anos. Cursando o 1º colegial, ela afirma que, diante das circunstâncias do período em que estamos vivendo, o estudo em casa é o mais adequado. "No começo, confesso que houve uma fase de adaptação, e hoje sinto que os resultados são extremamente positivos, lembrando que depende muito do aluno."

Para a adolescente, é preciso criar uma rotina em casa para que os resultados sejam positivos. "Estou seguindo a rotina que costumava seguir antes da pandemia. Acordo para assistir a aula, tenho os intervalos, tiro minhas dúvidas, e depois, à tarde, dedico um tempo para as tarefas e o estudo." Nesta semana, a estudante ficou sabendo que ganhou a medalha ouro na Olimpíada do Canguru. "A matemática é minha matéria preferida, e sempre tive muita habilidade, tanto que já tinha participado e obtido bom desempenho em outras olimpíadas. As aulas dos meus professores de matemática, Idio e Guto, são sempre muito claras e interativas, o que me incentiva", revela.

Sem distração

Isabel Cristina Fernandes Naime, professora de matemática dos colégios Anglo Rio Preto e Start Anglo, afirma que a aula online, neste momento, não é uma questão de preferência dos estudantes e sim de necessidade. "É como aquele velho ditado que diz: 'é o que se tem pra hoje. E como as crianças e jovens se adaptam com extrema facilidade, eles se adaptaram, dentro do possível." Para a professora, tanto as crianças como os adolescentes passaram por um processo de autonomia repentino, causado pelo pandemia da Covid-19. "Acordar, se organizar em seu espaço familiar, participar das aulas online foi bem aceito para alguns e muito bem aceito para outros."

Outro fato é que, para os alunos mais focados e determinados, não ter distração trouxe uma concentração maior e mais efetiva no seu aprendizado, segundo Isabel. "É claro que eles estão, assim como nós, sentindo falta das relações sociais e do contato com os amigos, mas é possível, sim, dizer que alguns encontraram meios próprios de focar e aprender com maior autonomia nesse momento."

 

1. Para os alunos que ainda não conseguiram se organizar da melhor forma, é indicado que tentem manter uma parte da rotina como era antes da pandemia, como acordar um pouco antes das aulas online, destinar um tempo específico para realizar seu café da manhã e não assistir a suas aulas deitados na cama

2. Sempre acompanhar as atividades com cadernos e apostilas abertos junto do professor, questionar suas dúvidas durante as explicações sem ter vergonha dessa participação e, se necessário, assistir novamente a aula pelos links disponibilizados

3. É importante organizar os horários para realizar as suas tarefas e tentar organizar uma agenda ou mural com atividades solicitadas em cada disciplina. Quando sentir necessidade, troque seu local de estudo, do quarto para sala, da varanda para o escritório. Essa inovação também lhe traz benefícios

4. Também fique atento aos prazos de entregas que seu professor solicita. Se ainda existirem dúvidas, participe de plantões e até mesmo perguntem na próxima aula. A organização é muito importante para garantir o bom desempenho, adquirir o conhecimento e consequentemente obter boas notas

Fonte: Isabel Cristina Fernandes Naime, professora

 

Divulgação

A psicóloga clínica Ana Cláudia De Luca Schiaveto, pós-graduada em psicodrama e psicopedagogia, afirma que a escola tem um papel fundamental na vida das crianças e adolescentes, e permite a socialização e o ensino formal. Mas, neste período de pandemia do coronavírus, professores e alunos estão se reinventando e algumas crianças e adolescentes, realmente, têm preferido estudar em casa do que no ambiente escolar por se sentir mais à vontade, mais confortável.

Em alguns casos, isto se dá porque eles acabam evitando fatores estressantes. "No meu trabalho clínico, eu observo que algumas crianças e jovens apresentam fobia social, timidez excessiva e alguns transtornos ansiosos, sem falar nos pequenos que são vítimas de bullying constantemente e até os adolescentes hiperativos. A gente observa que muitas escolas, infelizmente, estão longe de ter uma educação inclusiva, esbarrando em muitas dificuldades. O ideal seria pequenas salas de aula com uma pessoa de referência que pudesse lidar com os momentos de maior dificuldade escolar ou de instabilidade emocional."

Os pais, neste momento, têm uma participação extremamente importante, principalmente, com as crianças menores, para se organizar e ter uma rotina nas aulas remotas. "Isto traz para a criança e o adolescente uma segurança. É preciso pensar em um local adequado e com luminosidade, e a criança precisa estar bem alimentada para que a concentração também fique melhor. Neste momento, os pais precisam acompanhar, mais de perto, o desenvolvimento e as dificuldades dos filhos, enquanto os professores estão mais distante. Os pais precisam também estar conectados com a escola, professores e coordenadores. Reforçando, que os pais precisam ajudar crianças e adolescentes a enfrentarem as dificuldades e seus problemas e, se necessário for, procurar ajuda especializada."