Rio Preto terá 500 voluntários em testes da vacina contra Covid

IMUNIZAÇÃO

Rio Preto terá 500 voluntários em testes da vacina contra Covid

Primeira dose foi aplicada em profissional de saúde da Capital nesta terça; doses devem chegar nesta semana na Famerp, um dos 12 centros do País a testar o imunizante produzido na China


Médica toma a primeira dose da vacina nesta terça-feira, 21, em São Paulo
Médica toma a primeira dose da vacina nesta terça-feira, 21, em São Paulo - Divulgação/Governo de SP

A Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) deverá testar a vacina contra o coronavírus em cerca de 500 voluntários. Os imunizantes e placebos que serão utilizados no ensaio clínico foram recebidos pelo Instituto Butantan nesta segunda-feira, 20. O estudo é uma parceria com a farmacêutica Sinovac Life Science, da China. O objetivo desta fase de testes é comprovar se o produto é eficaz e seguro.

Por enquanto, a parceria é entre Famerp, Instituto Butantan e a empresa chinesa e não envolve a Secretaria de Saúde de Rio Preto. Entre os recrutados, metade receberá duas doses do imunizante num intervalo de 14 dias e a outra metade receberá duas doses de placebo, uma substância com as mesmas características físicas, mas sem efeito. O voluntário não saberá qual está recebendo.

A CoronaVac é produzida com fragmentos desativados do coronavírus e, com a aplicação, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da Covid-19. Os voluntários serão monitorados pelos centros de pesquisa, assim será possível verificar se quem tomou a vacina ficou protegido em relação a quem tomou o placebo.

Além da Famerp, outros onze centros no País serão responsáveis pelo estudo, que abrangerá 9 mil pessoas nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná e Rio Grande do Sul. A médica Stefania Teixeira Porto, de 27 anos, que atua no Hospital das Clínicas, em São Paulo, foi a primeira voluntária a receber a dose, na manhã desta terça-feira, 21.

Depois da vacinação, ela foi submetida a vários testes e passou um período em observação no próprio Hospital das Clínicas, centro do estudo clínico no País. Por causa do desgaste físico, ela cancelou uma entrevista coletiva e enviou uma mensagem de vídeo por meio da Secretaria Estadual de Saúde.

"Estou contente de participar dessa experiência. É um momento único e histórico. Foi isso que me fez participar desse projeto e fazer parte desse momento. A gente passou por meses tão difíceis. É uma injeção de ânimo poder participar disso e contar para as pessoas no futuro que eu fiz parte disso", afirmou a médica.

Ao menos 900 interessados se candidataram até esta terça-feira, 21, para os testes da vacina chinesa contra a Covid-19 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. Destes, serão selecionados os 300 voluntários que receberão a primeira dose da vacina na próxima semana. Questionados, nem Instituto Butantan nem Famerp informaram o número de voluntários no centro de Rio Preto.

Podem se candidatar para serem voluntários no estudo profissionais de saúde que estejam trabalhando no atendimento a pacientes com Covid-19 e que não tenham sido infectados pelo coronavírus nem tenham participado de outros estudos. Mulheres não podem estar grávidas nem planejando engravidar nos próximos três meses. Outra restrição é não ter doenças instáveis ou fazer uso de medicações que alterem a resposta imune.

As inscrições devem ser feitas em https://www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/vacina. No site, o candidato pode responder a algumas perguntas e verificar se tem o perfil necessário. As informações coletadas são sigilosas.

(Com Agência Estado)

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ter aprovado a condução de um ensaio clínico que estudará outros dois tipos de vacinas contra a Covid-19. Essas vacinas estão sendo desenvolvidas pelas empresas BioNTech e Pfizer e são baseadas em ácido ribonucleico (RNA), que codifica um antígeno específico do vírus.

Segundo a agência, o estudo prevê a inclusão de cerca de 29 mil voluntários. Desse total, 5 mil são no Brasil, distribuídos nos Estados de São Paulo e Bahia.

Este é o terceiro estudo de vacina contra o novo coronavírus autorizado pela Anvisa no Brasil. No dia 2 de junho, o órgão liberou o ensaio clínico da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e, no dia 3 de julho, o da vacina desenvolvida pela empresa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan.

Em nota, a Anvisa informou que, para a autorização dada nesta terça-feira, 21, foram analisados os dados das etapas anteriores de desenvolvimento dos produtos e os "resultados obtidos até o momento demonstraram um perfil de segurança aceitável das vacinas candidatas".