Rio Preto confirma mais cinco mortes pela Covid

PANDEMIA

Rio Preto confirma mais cinco mortes pela Covid

Apenas em julho forma 301 vítimas na região - é como se a cada duas horas uma pessoa morresse por coronavírus


Atendimento na UPA Jaguaré, em Rio Preto, que agora tem leitos de enfermaria e UTI para Covid
Atendimento na UPA Jaguaré, em Rio Preto, que agora tem leitos de enfermaria e UTI para Covid - Divulgação/Ivan Feitosa/Prefeitura

Seu Joaquim Cândido, de 80 anos, tinha uma saúde de "touro". Mesmo com a idade avançada, os únicos problemas de saúde eram uma diabetes controlada e os rins que demandavam bastante água para funcionarem direito. Apreciador de sertanejo raiz, a boa e velha música caipira, gostava de cuidar da pequena plantação de amendoim, mandioca e milho que mantinha na chácara onde vivia, em Ipiguá.

Viúvo de dona Jandira Maria Cândida, pai de quatro filhos e avô de 11 netos, sua comida favorita era típica da roça: polenta com quiabo e feijão. Aposentado como segurança de escolas (uma espécie de "anjo da guarda"), contava os dias para, duas vezes por ano, visitar sua terra natal - Araputanga, no Mato Grosso. Mesmo tomando todos os cuidados impostos pela pandemia, o coronavírus fez tudo isso ficar para trás.

"Começou com dor no corpo inteiro e foi piorando até levar ele no posto de saúde em Ipiguá, que encaminhou para o Hospital de Base. Foi cerca de uma semana de internação", conta o genro, o analista de negócios Rafael Correa Dela Roveri. Foram dias difíceis, de poucas notícias, e de uma piora repentina de seu Joaquim. Tudo ainda ficou mais dolorido com o fato de não poder se despedir do idoso de forma adequada, já que obrigatoriamente os caixões das vítimas de coronavírus são lacrados. "Era uma pessoa muito família, uma pessoa animada, ele tinha uma saúde de touro. Minha cunhada Selma vivia com ele e a gente tinha contato uma vez por semana", lembra o genro.

O idoso faz parte de uma triste estatística na região, que até o momento já registrou 579 mortes pelo coronavírus, sendo 301 delas apenas no mês de julho. Mais do que números, são centenas de famílias que enterraram quem amavam - sonhos, risadas, planos e almoços de domingo que ficaram na lembrança e nas fotos.

Só neste mês já faleceram mais do que no período de março, início da pandemia, a junho - a doença tem feito uma vítima a cada duas horas, em média neste mês. São 14 vidas perdidas todos os dias neste que é considerado o pico da pandemia e que deve durar pelo menos mais duas semanas.

Rio Preto confirmou nesta terça-feira, 21, mais cinco óbitos. Com mais 180 casos positivos da doença confirmados, chegando a 6.263, a taxa de letalidade da doença está em 2,8%, inferior às do Estado de São Paulo (4,8%), Brasil (3,8%) e mundo (4,2%). "O que a gente esperava era que conseguisse reduzir ao máximo esse indicador de letalidade", afirma Andreia Negri Reis, gerente do Departamento de Vigilância Epidemiológica de Rio Preto.

A maioria das vítimas são idosos, mas também houve mortes registradas entre pessoas de 20 a 59 anos. O secretário de Saúde, Aldenis Borim, já afirmou que nenhuma outra doença faz essa quantidade de vítimas na cidade - o coronavírus já chegou a matar dez pessoas em 24 horas em Rio Preto.

Região

Em Bady Bassitt, dois homens morreram, um de 40 anos e outro de 65, ambos com comorbidades. A cidade chegou a 11 óbitos. Em Barretos o paciente era um homem de 64 anos, com comorbidades.

Já em Catanduva, as vítimas eram um idoso de 88 anos, que estava internado no Hospital São Domingos, e uma idosa de 69 anos, que estava internada no Hospital Emílio Carlos. São 37 mortes confirmadas no município.

Em Santa Fé do Sul, mais uma morte foi registrada - são 13 no total. A vítima era um homem de 34 anos que estava internado na Santa Casa da cidade e faleceu na segunda-feira, 20.

Catiguá confirmou seu segundo óbito e Auriflama registrou a sexta morte. As Secretarias de Saúde das cidades não divulgaram os perfis dos pacientes.

(Colaborou Ingrid Bicker)

 

Reprodução

Depois de pouco mais de um mês, o diretor-executivo da Funfarme, o médico Jorge Fares, foi transferido nesta terça-feira, 21, para o quarto do Hospital de Base. Ele estava na unidade semi-intensiva.

Fares foi diagnosticado com coronavírus em junho e foi internado no dia 18 do último mês na UTI. Precisou, por vários, dias, de suporte respiratório.

A assessoria de imprensa do Hospital de Base informou que ele está estável, respira espontaneamente, alimenta-se normalmente, caminha e vai começar a fazer exercícios de reabilitação física, sob orientação e acompanhamento de fisioterapeuta. Ainda não há previsão de alta.