Campanha aborda a importância do diálogo para contra a violência doméstica em Rio Preto

MASCULINIDADE PARTICIPATIVA

Campanha aborda a importância do diálogo para contra a violência doméstica em Rio Preto

Campanha "#HomensPossíveis para o Século 21", do núcleo de Justiça Restaurativa, traz uma nova consciência sobre masculinidade, igualdade de gênero e paz nas relações humanas


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A Justiça de Rio Preto lançou nesta terça-feira, 21, a campanha "#HomensPossíveis - para o Século 21" em combate à violência doméstica contra a mulher e familiar. Desenvolvida pelo projeto Masculinidades Ampliando a Natureza (MAN), do núcleo de práticas restaurativas, a campanha terá 21 homens e frases de uma nova consciência sobre masculinidade, igualdade de gênero e paz nas relações humanas.

O primeiro a estrelar a campanha para um "papo reto" com outros homens foi o consultor de treinamentos Higor Nagy Fejes Filho, 34 anos. A frase "Em minha casa, o que existe é amor ao próximo e levo isso para qualquer lugar que vou", segundo ele, foi inspirada na educação que recebeu em casa, sem desigualdade de gênero entre ele e a irmã. "Meus pais nunca fizeram distinção. Sempre tínhamos os mesmos princípios e as mesmas cobranças", disse.

O consultor recorda que ao seis anos tinha um banquinho para subir e lavar a louça. "Sempre tive esse senso de entender que não havia tarefa para homem e mulher. Meus pais trabalhavam fora e os dois se autoajudavam em casa". Para Higor, a masculinidade tóxica precisa mudar. "É muito importante discutir, desconstruir e poder pensar o papel enquanto ser humano. Repensar e parar de colocar em 'caixinhas', de homens e mulheres", disse.

Com uma história de vida diferente da de Higor, com marcas de agressão familiar, abandono do lar aos 15 anos, angústias e convivência com o mundo do crime, o empreendedor social Alex Cardoso, 40 anos, é o voluntário do dia 13 da campanha. "Sou filho de uma mulher linda e guerreira, tenho três irmãs e duas filhas, tenho minha 'preta, minha parceira'. Minha frase traz o respeito, carinho e o amor como pilares contra a agressão", relata.

Para Alex, a campanha é importante para educar e interromper a reprodução da violência e da submissão. "Muitas vezes os filhos homens serão os futuros agressores e as filhas entendem que isso é normal e aceitam", afirma. "Eu felizmente nunca reproduzi tal ato e sei o quão importante é necessário o trato do tema com o cuidado de não levar ao agressor o processo de julgo e, sim, de uma nova visão", avalia.

Coordenador do projeto MAN, o psicólogo Marcus Vinicius Gabriel afirma que o fato de um homem falar para outros homens sobre a importância de uma boa relação familiar e, principalmente, de gênero é uma forma de trabalhar a masculinidade mais participativa, integrada e parceira ao universo feminino. "Uma masculinidade que tenda mais para o afeto do que para a disputa, do que para a dominação e o empoderamento de gênero", afirma.

Para o psicólogo, o século 21 não suporta mais que uma mulher seja agredida por ser mulher. "Vítima da ignorância de homens que ainda pensam como o século 19 e 20. Ele (homem) precisa falar mais de suas emoções, de seus conflitos. Homem que dialoga não agride. Se não houver essa revolução, o cenário da violência doméstica não vai mudar", analisou.

A assistente social do núcleo Sueli Aparecida Lopes afirma que a campanha é importante, principalmente, nesse momento de quarentena da pandemia de Covid-19. "Preocupa muito porque em tempos de pandemia aumentou a violência contra a mulher, crianças e adolescentes", afirma. "As mulheres sofrem violência e têm vários canais para denúncias. Já ao homem não é dada nenhuma orientação, precisamos desse olhar para amenizar", completa.

As iniciativas fazem parte de um trabalho em conjunto entre o Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e a Vara da Infância e Juventude. "Os voluntários criaram esse projeto mais amplo, voltado a todos os homens, para mostrar que a masculinidade é, antes de tudo, respeito absoluto à mulher", avaliou o juiz da Infância, Evandro Pelarin.