'Achei que não ia conseguir voltar', diz padre de Rio Preto

RECUPERAÇÃO

'Achei que não ia conseguir voltar', diz padre de Rio Preto

Padre Alexandre, da Paróquia São Francisco de Assis, ficou internado na UTI com Covid-19


Padre Alexandre não conseguiu conter a emoção ao receber o carinho dos fiéis
Padre Alexandre não conseguiu conter a emoção ao receber o carinho dos fiéis - Divulgação/Diocese de Rio Preto

O padre Alexandre Ferreira dos Santos, de 37 anos, foi para o Hospital de Base em 17 de junho acreditando que ficaria no máximo uma semana se recuperando da Covid-19 - exames no pronto-atendimento da Unimed haviam mostrado que metade de seus pulmões já estavam tomados pela doença, e o quadro evoluiu ainda mais no hospital em questão de horas.

No total, foi quase um mês internado, a maior parte do tempo intubado na UTI. A alta, no último dia 15, veio junto com uma nova percepção sobre a vida. O responsável pela paróquia São Francisco de Assis, de Rio Preto, foi recebido com uma carreata organizada pelos fiéis no último sábado, 18.

"Fiquei bastante tempo desacordado. Me lembro que lutei muito pela vida, que passei por vários aparelhos respiratórios difíceis de serem usados, com falta de ar. Lutei muito. Tinha momentos que achei que não ia conseguir voltar", conta.

Enquanto estava internado, ele perdeu o pai, João Dias dos Santos Neto, de 66 anos. O idoso, morador de Olímpia, testou positivo para coronavírus, tinha histórico de problemas cardíacos e diabetes e ficou muito triste com a doença do filho. Teve três paradas cardíacas e não resistiu à terceira. "Meu pai sempre foi muito lutador, uma pessoa apaixonada pela família. Fica na mente meu pai cuidando da família. Não tenho lembranças ruins dele", diz o padre, que só ficou sabendo do ocorrido depois de melhorar. "Meu pai sempre foi um esteio muito forte, me apoiou em tudo e de repente perdi sem poder me despedir."

Alexandre relata que aprendeu muita coisa com a Covid. "A questão da paciência, que a vida deve ser valorizada, que a gente pode perdê-la por um fio. Tem que valorizar a família, os amigos, quem a gente ama, porque a gente não sabe quando vai perder. Fazer o exercício de compaixão, colocar-se no lugar do outro para não haver arrependimento, não ficar nada para trás, que a gente tem apenas boas lembranças", ensina. "Eu fui para o hospital com a convicção de que ia ficar uma semana e quase não voltei, então a gente nunca sabe", conclui.