Testes da vacina contra coronavírus começam nesta semana

CORONAVAC

Testes da vacina contra coronavírus começam nesta semana

Vacina chinesa contra o coronavírus que será testada em nove mil profissionais de saúde voluntários - incluindo rio-pretenses - chegou ao Brasil nesta segunda


Chegada da vacina contra Covid no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos
Chegada da vacina contra Covid no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos - Divulgação

Os testes da vacina contra o coronavírus do laboratório chinês Sinovac Biotech começam nesta terça-feira, 21, em 890 médicos e paramédicos do Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo. As 20 mil doses da Coronavac chegaram no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, na madrugada desta segunda-feira, 20. Nos outros 11 centros de pesquisa, entre eles o da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), os testes iniciarão de forma escalonada - sem data definida ainda. Nove mil voluntários devem participar do estudo que prevê os primeiros resultados já em novembro deste ano.

O avião que trouxe as doses pousou em Cumbica às 4h20, depois de 11 horas de voo entre Frankfurt, na Alemanha, e a capital paulista. As vacinas vieram em caixotes com destino ao Instituto Butantan. Serão vacinados profissionais de saúde que trabalham com pacientes com Covid-19, nesta que é a última fase para validação da eficácia da vacina.

Os recrutados não podem ter se contaminado com o coronavírus, nem participar de outros estudos. Também não podem estar grávidas (no caso das mulheres), nem ter doenças que precisem de medicações contínuas. O estudo, chamado de Profiscov, vai aplicar duas doses em intervalo de 14 dias.

Todos os voluntários receberão uma cartilha para registrar se teve dor no local onde recebeu a vacina, alteração de temperatura, vermelhidão, calafrios, vômito, entre outros sintomas. Os voluntários que tiverem alguma reação serão acompanhados por exames. Desta forma será possível saber se os que tomaram a vacina ficaram protegidos em comparação aos que tomaram placebo.

"Vamos informar à opinião pública brasileira e internacional sobre a evolução de cada resultado. Um dia de esperança para milhões de brasileiros e também de habitantes de outros países", afirmou o governador, João Doria. Uma comissão de pesquisadores internacionais vai acompanhar o estudo por meio de uma plataforma científica.

No Estado, haverá testes também pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Hospital Israelita Albert Einstein, além de cidades como São Caetano do Sul, Campinas e Ribeirão Preto. A Famerp não informou quando receberá as doses e quantos voluntários já possui cadastrados. Os testes ocorrem também em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba.

A vacina

A vacina é preparada com o novo coronavírus cultivado em um tipo de célula de rim de macaco (células Vero). Os pesquisadores colocam substâncias químicas para que o vírus não seja capaz de infectar, ficando "morto", sem poder causar doença. Logo, é acrescentado hidróxido de alumínio ao vírus para que a vacina gere anticorpos.

O Instituto Butantan está em adaptação de uma fábrica para a produção da vacina com capacidade para até cem milhões de doses. Se a vacina for efetiva, o instituto vai receber da Sinovac, até o fim do ano, 60 milhões de doses para distribuição. A produção começaria no início de 2021, com mais de 120 milhões de doses. A Sinovac é uma empresa privada conhecida por ter sido uma das primeiras a apresentar a vacina contra o H1N1, em 2009.

 

A Coronavac é desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac.

A produção no Brasil ficará a cargo do instituto Butantan e 12 centros do País formarão uma rede de testes, incluindo a Famerp, de Rio Preto

Na fase de testes, será aplicada em nove mil voluntários - cerca de 750 em Rio Preto. Nesta terça, 21, voluntários da Capital começam a receber a vacina

Quem pode participar dos testes:

Profissionais de saúde da rede pública e privada;

Pessoas com mais de 18 anos de idade;

Que não tenham testado positivo para Covid-19, não tenha doenças instáveis - que afetem a resposta imune - ou distúrbios de coagulação;

Mulheres grávidas não poderão participar dos testes;

Como vai funcionar:

A vacina é inativada, ou seja, contém apenas fragmentos do vírus inativo

Com a aplicação da dose, o sistema imunológico passa a produzir anticorpos contra o agente causador da Covid-19

No teste, metade das pessoas receberão a vacina e metade receberá placebo, substância inócua. Os voluntários não saberão o que vão receber

Existe a expectativa de que os testes sejam aplicados em duas doses, ou seja, os voluntários a cada 14 dias vão receber uma dose da vacina. O objetivo é ver se a pessoa testada demonstra ter anticorpos neutralizantes para o vírus

Como se inscrever:

Pela plataforma www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/vacina

A vacina para a Covid-19 da AstraZeneca, desenvolvida na Universidade de Oxford, é segura e produziu resposta imune em ensaios clínicos iniciais em voluntários saudáveis, informaram cientistas da instituição nesta segunda-feira, 20.

O imunizante, chamado AZD1222, não provocou efeitos colaterais graves e desenvolveu respostas imunes a anticorpos e células T, de acordo com o estudo publicado na revista médica The Lancet. Os resultados referem-se às fases 1 e 2 de testes. A terceira etapa está sendo testada em 50 mil pessoas, incluindo 5 mil brasileiros.

"Esperamos que isso signifique que o sistema imunológico se lembre do vírus, para que nossa vacina proteja as pessoas por um período prolongado", disse o principal autor do estudo, Andrew Pollard. "No entanto, precisamos de mais pesquisas antes de confirmarmos que a vacina protege efetivamente contra a infecção por SARS-CoV-2 e por quanto tempo dura a proteção."

A AstraZeneca assinou acordos com governos de todo o mundo para fornecer a vacina, caso ela se mostre eficaz e obtenha aprovação regulatória. A empresa afirmou que não buscará lucrar com a vacina durante a pandemia.

A vacina de Oxford poderá ter o registro liberado em junho de 2021. Normalmente, a vacina levaria 18 meses para ser aprovada. Mas os cientistas estão confiantes de que conseguirão encurtar este período para 12 meses se os resultados forem positivos. Por isso, segundo a reitora da Unifesp, tendo os primeiros resultados no fim deste ano, o registro já poderia ser obtido até meados do ano que vem.

Essa redução é possível porque a vacina está sendo testada simultaneamente em 50 mil pessoas em todo o mundo, um número recorde. No Brasil, são 5 mil: duas mil em São Paulo, duas mil na Bahia e mil no Rio de Janeiro. A redução de tempo foi possível também por se tratar de uma vacina emergencial.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem atualmente 163 substâncias candidatas a vacina contra a Covid-19 em desenvolvimento em todo o mundo. Também segundo a OMS, a de Oxford é a que se encontra em estágio mais avançado de testes. (Agência Estado)