Testes vão priorizar profissionais de saúde em Rio Preto

CORONAVAC

Testes vão priorizar profissionais de saúde em Rio Preto

Início da aplicação das doses em voluntários depende de autorização da Anvisa


Médico virologista Maurício Nogueira Lacerda coordenará testes em Rio Preto
Médico virologista Maurício Nogueira Lacerda coordenará testes em Rio Preto - Divulgação/ Famerp

Profissionais de saúde terão prioridade para receber a vacina contra o coronavírus, que será testada pela Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp). O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira, 2, pelo médico virologista Maurício Lacerda Nogueira, durante coletiva de imprensa na instituição. Será ele quem coordenará os estudos na cidade.

Segundo o virologista, a escolha se deve ao fato dos profissionais estarem mais expostos à doença. Em Rio Preto, 19% dos contaminados por Covid-19 - 548 pessoas - são profissionais de saúde. "Em relação aos voluntários, eles serão profissionais de saúde. Esse é o público alvo do estudo. Além disso, se eu pegar a população exposta, eu consigo dar resposta mais precocemente", afirmou.

Sobre o perfil dos pacientes que serão testados, como faixa etária e quando a testagem deve começar, o pesquisador disse que ainda aguarda protocolo do governo do Estado de São Paulo. "Esses testes vão começar o mais rápido possível, assim que as autoridades de saúde autorizarem", destacou.

A vacina que será testada em Rio Preto foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech. Na China, os testes realizados indicaram que 90% das pessoas produziram anticorpos contra a doença após duas semanas da aplicação e não foram identificados efeitos colaterais. O resultado possibilitou a continuação dos estudos para a última fase, que será realizada em 12 centros de pesquisa do Brasil - incluindo Rio Preto.

"Nós somos no mundo mais de 7 bilhões de pessoas. Nenhum laboratório do mundo conseguiria fornecer todas essas vacinas, então é fundamental que tenhamos várias vacinas e vários laboratórios produzindo. É bom lembrar que o governo federal tem uma parceria com um laboratório e o estadual com outro. E isso é muito positivo, porque nenhum dos dois sozinhos dá conta, mas talvez os dois consigam atender toda a população." A parceria do governo federal é a Universidade de Oxford, no Reino Unido, e os estudos no Brasil são conduzidos pela Unifesp.

Com previsão de um ano de duração, os testes com a vacina da empresa chinesa com os 9 mil voluntários brasileiros devem começar até o final do mês de julho e serão de duas formas: metade dos voluntários será vacinada com a nova imunização e a outra metade com doses placebo - medicamento sem efeito. O objetivo é que nem o pesquisador nem o paciente saibam o que foi aplicado para que isso não interfira no resultado.

Maurício também disse que existem duas formas da vacina ser eficiente para a sociedade. "Uma é que imunize todo mundo e interrompa a circulação do vírus na população. Mas também posso ter uma vacina que não previna a circulação, mas previna a doença grave. Se a vacina for suficiente para diminuir internações, consequentemente casos graves e óbitos, eu tenho uma vacina eficiente. Essas diversas abordagens vamos descobrir mais pra frente durante os testes", explicou.

A expectativa do Instituto Butantan, que coordena os estudos no Brasil, é que a vacina, caso tenha resultado positivo, esteja disponível no ano que vem para a população. "O número de pessoas testadas em Rio Preto ainda está sendo definido. Os números de cada local dependem muito do Instituto Butantan", falou.

Além da Famerp, no Estado de São Paulo as doses serão testadas pelo Hospital das Clínicas da USP, Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Hospital Israelita Albert Einstein, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Hospital das Clínicas da Unicamp e Centro de Saúde da USP de Ribeirão Preto. Outros quatro Estados (Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul) e o Distrito Federal também testarão a vacina.

A Coronavac é desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac.

A produção no Brasil ficará a cargo do Instituto Butantan e 12 centros do País formarão uma rede de testes, incluindo a Famerp, de Rio Preto.

Na fase de testes, será aplicada em nove mil voluntários.

Não foram divulgados por enquanto os critérios para escolha dos voluntários que receberão as doses nem a quantidade de voluntários por cada centro de pesquisa.

Em Rio Preto, a Famerp informou que a prioridade será a aplicação em profissionais de saúde

A Coronavac

Doses já foram administradas com sucesso em cerca de mil pessoas na China nas fases clínicas um e dois - antes, já havia sido aprovada em testes de laboratório e em macacos

A vacina da Sinovac é baseada na manipulação em laboratório de células humanas infectadas com o coronavírus

São utilizados fragmentos "desativados" do coronavírus para inoculação em humanos. Com a aplicação da dose, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da COVID-19.

É o mesmo princípio usado em outras vacinas globalmente bem-sucedidas, como as do sarampo e poliomielite.

A empresa chinesa aponta 90% de eficácia, sem efeitos colaterais.

Para início da produção e dos testes, falta apenas a aprovação da Anvisa, o que deve ocorrer ainda nesta semana.