Venezuelanos caem em golpe do falso emprego

Perderam R$ 1,3 mil

Venezuelanos caem em golpe do falso emprego


Jorge Felix Calzadilla Ramos, 47 anos, e o filho, George Benjamin Calzadilla Ortegas, 19, foram enganados com proposta de emprego em chácara
Jorge Felix Calzadilla Ramos, 47 anos, e o filho, George Benjamin Calzadilla Ortegas, 19, foram enganados com proposta de emprego em chácara - Johnny Torres 23/6/2020

Pai e filho venezuelanos passaram dias de aflição em Rio Preto após descobrirem ter sido vítimas de um golpe do falso emprego. Eles tiveram um prejuízo de R$ 1,3 mil e precisaram ser abrigados no Albergue Noturno, para não dormirem na rua.

As vítimas desembarcaram na rodoviária da cidade na manhã de sexta-feira, 19, após saírem de Cuiabá (Mato Grosso) e enfrentarem mais de 20 horas de viagem. Aqui, o técnico em eletricista Jorge Felix Calzadilla Ramos, 47 anos, e o filho dele, George Bejamin Calzadilla Ortegas, 19, combinaram de se encontrar com o futuro empregador. O homem, que se passava por um policial civil, dizia estar à procura de um caseiro para trabalhar em uma chácara na cidade de Araçatuba.

Jorge conta que fez contato com o golpista após encontrar o anúncio de emprego em plataforma virtual. O que chamou a atenção foi a possibilidade de levar a família. "Eles procuravam um casal com no máximo dois filhos. E meu sonho é justamente poder sair do aluguel e conseguir ter uma vida melhor", conta. Atualmente, Jorge sobrevive de bicos que faz em Cuiabá, onde mora com esposa e dois filhos. Eles saíram da Venezuela há quatro anos.

Durante as negociações, foi combinado que a vítima receberia um salário de R$ 1,6 mil para cuidar da manutenção da chácara e a esposa dele receberia R$ 1,1 mil para ficar responsável pela limpeza. Além disso, a família não precisaria pagar aluguel ou contas de luz e água.

Antes de embarcar para Rio Preto, Jorge transferiu o valor de R$ 600 referente a compra de móveis e eletrodomésticos, que teriam sido deixados pelo antigo caseiro. A vítima disse que esse dinheiro seria usado para pagar o aluguel. As duas passagens custaram cerca de R$ 700 e foram compradas com um dinheiro que Jorge pegou emprestado.

Somente após chegar em Rio Preto, pai e filho descobriram ter sido enganados. "Depois de três horas esperando, ele parou de responder minhas mensagens e me bloqueou", conta. "Pensei que fosse uma pessoa sincera. Eles [o suposto dono da chácara e o atual caseiro] me passaram muita informação, por isso não desconfiei", lamentou a vítima.

Os dois buscaram ajuda no Centro Pop de Rio Preto e foram acolhidos pelo albergue. Nesta terça-feira, 23, pai e filho embarcaram de volta a Cuiabá com passagens adquiriras pelo Centro Pop e por representantes da Igreja Presbiteriana de Rio Preto. "Eles se aproveitaram de um momento de desespero nosso. Mas o que mais doeu foi esperarem chegarmos aqui. Vou continuar procurando uma oportunidade para termos um futuro melhor", finaliza Jorge.