Número de queimadas em áreas urbanas de Rio Preto subiu

TEMPORADADE QUEIMADAS

Número de queimadas em áreas urbanas de Rio Preto subiu

Levantamento do Corpo de Bombeiros mostra que queimadas urbanas aumentaram em 27% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano quando comparado a igual período de 2019


-

O número de queimadas em áreas urbanas de Rio Preto subiu 27% de acordo com balanço do Corpo de Bombeiros. Nos cinco primeiros meses de 2019 foram 178 casos, contra 226 levantados até o último dia 31 de maio. O crescimento tem sido causado pela chegada antecipada da estiagem, de acordo com a Defesa Civil.

Segundo a Prefeitura, o maior número de registro de queimadas urbanas acontecem em terrenos baldios, por acidente ou de forma intencional, quando os proprietários optam por colocar fogo no mato seco ao invés de carpir. Os dados foram levantados no Corpo de Bombeiros de Rio Preto pelo coordenador da Defesa Civil, coronel Carlos Lamin, responsável pelo planejamento anual de combate às queimadas urbanas.

"O aumento é gritante, se levarmos em conta que em maio de 2019 ocorreram 48 queimadas, enquanto que no mesmo período deste ano foram 111 queimadas. Um aumento de 131%. Para nós, isso é muito preocupante", afirma o coordenador.

É comum o crescimento de queimadas com a chegada do inverno e consequente estiagem, mas, segundo Lamin, o fato preocupante em 2020 é que a redução de chuvas, que estava prevista para começar a partir de junho, neste ano começou em maio, com 30 dias de antecedência.

Os indícios de que estiagem vai ser mais agressiva em 2020 começaram em abril, quando choveu apenas 34 milímetros, menor que a média da década passada, que foi de 64 milímetros, e muito abaixo dos 135 milímetros registrados no mesmo período do ano passado.

"A tendência é que tenhamos um inverno muito seco, com a média de chuva que ficará em apenas 22 milímetros, entre junho e outubro, o que é muito pouco. Isso vai causar mais seca, infelizmente, condição favorável para termos mais queimadas", diz o coordenador.

Para evitar esta situação, a Secretaria de Serviços Gerais tem notificado os donos de terrenos sobre a obrigatoriedade de mandar carpir os terrenos periodicamente. Caso contrário, a Prefeitura irá fazer o serviço, mas vai multá-los e irá cobrar pelo custo.

Este ano a Prefeitura vai manter a distribuição de frascos de plásticos para receber bitucas de cigarros, considerados um dos maiores provocadores acidentais de queimadas urbana.

A capacitação de equipes brigadistas contra incêndios foi iniciado nesta semana na Base de Aviação de Rio Preto. Foi feito treinamento com helicópteros Águia na semana passada, para pegar água na Represa Municipal e jogar em cima de águas com incêndio.

Por outro lado, a pandemia do coronavírus transformou em virtual o treinamento anual prático das brigadas de incêndios de Rio Preto. "Pra evitar aglomeração durante os treinamentos, as aulas foram por sistema de ensino à distância, pela internet. O bom é que muitas pessoas já participaram de outros treinamentos. Infelizmente, o coronavírus também alterou a rotina no combate ao incêndio", diz Lamin.

Clique aquipara ver estatística de queimada

O aumento das queimadas durante a estiagem do inverno de 2020 também é esperado pela Polícia Ambiental de Rio Preto. Um evento com o tema "Os impactos das Queimadas na Qualidade do Meio Ambiente", vai acontecer nesta terça-feira, 23, organizado pela corporação em parceria com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (Sima)

A presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Patrícia Iglecias, o major Alessandro Daleck, coordenador da Polícia Ambiental, e o coordenador de fiscalização e biodiversidade, Sérgio Marçon, responsáveis pela fiscalização contra as queimadas, vão usar o evento para conscientizar os produtores de cana sobre a importância de investir na prevenção.

"Infelizmente, a mecanização do corte da cana não está em todo estado. Em nossa região acontece ainda com uso das queimadas, que causam um impacto muito ruim na qualidade do ar das cidades", diz o major Alessandro Daleck.

O Estado de São Paulo tem 6 milhões de hectares dedicados ao cultivo da cana, sendo a principal atividade econômica em muitos municípios da região de Rio Preto.

Desde o ano passado, a Polícia Ambiental exige das usinas o plano de prevenção contra incêndio. O documento deve conter quais as ações e estrutura, como caminhões pipas e funcionários destacados para controlar o fogo nas plantações.

As usinas são obrigadas a mostrar como fazem o monitoramento em tempo real das queimadas, com mapas de áreas mais críticas. "A pontuação vai até 30. A usina tem de atingir até 16 pontos para ter o plano aprovado. Tem de ter investimento em prevenção e no combate às chamas. Do contrário, é sujeita a multas", avisa o major.

As usinas também são obrigadas apresentar um plano de ação mutua contra incêndio, com a estratégia de mobilização do Corpo de Bombeiros e brigadas de incêndios das empresas mais próximas.

Por outro lado, a Polícia Ambiental e Cetesb usam a tecnologia como ferramenta, com o monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), para ver em tempo real os pontos de queimadas na região. Com essa informação em mãos, os policiais e técnicos vão até os locais para fazerem a checagem e possível punição. (MAS)