Pandemia acelera adesão a novas práticas de trabalho e modos de consumo

O NOVO NORMAL

Pandemia acelera adesão a novas práticas de trabalho e modos de consumo

Pesquisa confirma que modalidade de trabalho home office veio para ficar e que as compras pela internet só tendem a crescer; pandemia de coronavírus acelerou essas tendências que estavam acontecendo


Advogada Iluma Lobão decidiu manter os serviços em home 
office mesmo depois da liberação para voltar ao escritório
Advogada Iluma Lobão decidiu manter os serviços em home office mesmo depois da liberação para voltar ao escritório - Johnny Torres 17/6/2020

A pandemia do coronavírus acelerou a adesão a novas práticas de trabalho e modos de consumo. É o que revela a pesquisa da empresa Foco do Cliente, realizada no Brasil todo, entre os dias 21 e 27 de maio. Home office e compras pela internet são modalidades que vieram para ficar. "O que houve foi uma aceleração de tendências que já vinham acontecendo", afirma Camila Nunes Machado, diretora da empresa de pesquisas.

O levantamento - que teve participação online de 2.529 pessoas, inclusive de Rio Preto - mostra que, de modo geral, a adesão ao home office já existia em menor escala antes da pandemia, mas essa forma de trabalho foi consolidada como boa prática. "O que se observa é que muita gente se adaptou ao home office, mas o diferencial é a opção mista, em que o trabalhador pode se socializar, tomar o cafezinho, ter uma reunião tete a tete."

De acordo com a pesquisa, 83% dos respondentes tiveram a condição de trabalho alterada. Dentre todas as adaptações feitas pelas empresas, a principal foi o trabalho home office. Entre os respondentes, 38% passaram a atuar nessas condições. No grupo, 37% apontam que sua produtividade é maior do que no escritório.

Outra constatação foi que, com o avanço do e-commerce, as lojas físicas passaram a ter um novo foco, não sendo mais um local de venda comum, já que isso pode ser feito pela internet. A projeção é que as lojas físicas se tornem espaços que ofereçam uma experiência diferenciada de compra, uma espécie de consultoria. "A tendência é que os empresários diminuam os espaços físicos das lojas, já que os pontos são caros, e migrem sua estrutura para o ambiente online. Dessa forma podem entregar um produto mais barato", diz.

A pesquisa revela ainda que, durante a pandemia, as pessoas estão mais comedidas em relação ao consumo. Por conta da alteração de renda familiar, que atingiu 67% dos respondentes, 43% das pessoas deixaram de fazer compras que não fossem de itens essenciais. Outros 26% compraram roupas e 23% eletrônicos. "Como diferenciais para comprar pela internet, o consumidor considera frete grátis, fotos dos produtos e prazo de entrega", aponta.

Adaptação

Essas são informações que podem ser muito relevantes para empreendedores, desde micro e pequenos até grandes, que precisam adequar seus negócios à nova realidade que se instala. Se a vantagem é a possibilidade de vender pela internet e ampliar seu público, é preciso cuidado redobrado com esse cliente, que anda mais exigente. "Os consumidores avaliam os produtos, fazem comentários. E o lojista vai precisar se adaptar, responder esses comentários, inclusive os negativos."

Dentro deste contexto, é importante criar uma plataforma de vendas intuitiva e agradável. E, aproveitar as redes sociais e canais virtuais para divulgação, a um custo menor do que no passado. "A população está mais crítica, quer um produto de qualidade, com preço que se justifique e que a empresa tenha um olhar de cooperação para a empresa."

Aprendizagem

Para o economista José Mauro Silva, o home office veio para ficar, mas não vai substituir as atividades de trabalho em sua totalidade. Quanto às vendas online, vão ficar cada vez mais fortes e presentes na sociedade. "São atividades que podem ser feitas em casa, como reuniões e atendimentos a clientes, que poderão ser feitas pelas plataformas virtuais, sem a necessidade de deslocamento."

Aos trabalhadores, o economista sugere que aproveitem para conhecer todas as ferramentas virtuais, como aplicativos para reuniões e encontros virtuais, já que isso pode vir a ser um diferencial e uma exigência. Esse tido de aprendizado precisa ser pauta diária da vida, especialmente para gerações mais velhas. "A rotina exige que se aprenda a lidar com tudo isso."

Quanto ao fortalecimento do e-commerce, José Mauro sugere que lojistas e empresário do setor de serviços que precisem de visitas físicas para operar já definam como vão estar na internet para serem vistos e lembrados pelos consumidores. "É preciso definir quanto do faturamento virá do físico e quanto virá do virtual".

A advogada Iluma Lobão, que tem um escritório em Rio Preto com outros quatro advogados, conta que esteve em trabalho home office totalmente durante um tempo e que depois da possibilidade pela reabertura, decidiu que manteria essa mesma modalidade de trabalho. "Começamos a intercalar o atendimento físico e virtual, por Whastapp, e-mail. Se o cliente precisar, quiser uma conversa, vamos ter o encontro, mas a tendência é manter o home office."

A decisão pela modalidade tem a ver com o próprio medo das pessoas de saírem de casa, já que isso só será seguro quando houver uma vacina contra o coronavírus. Além disso, há benefícios como tempo para lazer como ler um livro durante o expediente, fazer atividades físicas e se alimentar melhor. "Em casa é mais trabalho, mas é menos exaustivo. Dá para adaptar à demanda e não é preciso ficar oito horas por dia dentro do escritório", afirma.

A manutenção do escritório físico no atual espaço, conta Iluma, só foi possível porque o proprietário do imóvel aceitou baixar o valor do aluguel em razão da pandemia. "Ficamos em função desse desconto, senão íamos procurar um lugar melhor ou um espaço multiuso, já que advogados precisam de um local para atender os clientes."

Compras

A estudante Isabela Volpi Rodrigues, 20 anos, faz compras pela internet desde que conseguiu o primeiro emprego, em 2015, quando comprou um celular. Para ela, essa é uma prática natural e que já está inserida em seus hábitos de consumo. Desde então, é cliente frequente de diferentes tipos de lojas. Em geral, suas principais compras são roupas e tênis. "É mais fácil, mais prático e tem algumas coisas que presencialmente não têm perto de mim", afirma.

Durante a quarentena, ela manteve a mesma frequência de compras, o que inclui uma camiseta, assinatura da Amazon, um ring light (luz para gravar vídeos), uma mesa para o quarto e trocou de cama. "Antes de comprar eu olho bem o site e também vejo os comentários para me sentir segura". (LM)

Quais as adaptações ou flexibilizações você teve em seu trabalho?

  • passei a trabalhar home office - 38%
  • jornada de trabalho reduzida - 21%
  • sou empresário/autônomo e diminui o trabalho - 19%
  • nada mudou - 17%
  • redução de salário - 17%

Sobre o trabalho home office, como você está encarando esta modalidade?

  • prefiro intercalar o trabalho presencial com o home office - 55%
  • me adaptei e prefiro continuar nessa modalidade - 30%
  • não me adaptei e prefiro o trabalho presencial - 10%
  • não tenho uma opinião formada - 5%

Como você vê sua produtividade trabalhando home office?

  • maior do que no escritório - 37%
  • igual ao do escritório - 36%
  • menor do que no escritório - 27%

Diante da pandemia e considerando corte total do serviço ou migrou para um plano/proposta mais acessível, você reduziu custos com

  • delivery de comida - 45%
  • academia - 38%
  • assinatura de aplicativos em geral - 24%
  • TV por assinatura - 19%
  • educação - 13%

Na sua região, você notou aumento no preço de produtos essenciais nesse momento de pandemia?

  • alimentos - 79%
  • frutas e legumes - 60%
  • material de limpeza - 60%
  • material de higiene pessoal - 56%
  • botijão de gás - 36%

Hábitos de consumo

  • estão dispostos a comprar ou já compram pela internet - 95%
  • consideram que o consumo online é uma tendência que vai substituir as compras em lojas físicas em alguns setores - 81%
  • estão mais dispostos a usar plataformas autônomas de atendimento no varejo, como totens digitais, para realizar suas compras - 81%
  • utilizam cartão como forma de pagamento em suas compras online - 80%
  • dos respondentes têm usado mais o e-commerce para fazer suas compras online do que antes da pandemia - 55%

Você teve alteração da renda familiar (para baixo) por causa da pandemia?

  • sim - 67%
  • não - 33%

Você comprou algum item de consumo não essencial neste período?

  • não efetivei compras não essenciais - 43%
  • de roupas - 26%
  • eletrônicos - 23%
  • acessórios - 14%
  • brinquedos - 8%

Você identificou alguma mudança ocorrida devido à pandemia e que considera que permanecerá após o coronavírus?

  • aumento do ser viço delivery - 76%
  • maior uso do e-commerce (sites e apps) para fazer compras - 71%
  • trabalho home office - 69%
  • uso de máscaras como acessório - 45%
  • cursos e aprendizados online - 42%

Como você tem feito a maior parte de suas compras nesse momento?

  • supermercados, lojas físicas com menor frequência - 55%
  • internet/sites - 16%
  • supermercados/lojas físicas com a mesma frequência - 13%
  • internet/aplicativo - 13%
  • amigo/familiar está fazendo as compras por mim - 3%