Hospitais de Rio Preto e da região enfrentam falta de medicamentos

CANCELAMENTO DE CIRURGIAS

Hospitais de Rio Preto e da região enfrentam falta de medicamentos

Itens como sedativos são essenciais para manter pacientes com Covid-19 entubados


O problema já atingiu pelo menos o Hospital de Base (foto); a Santa Casa de Rio Preto; o Hospital Unimed São Domingos e a Fundação Padre Albino, ambos localizados em Catanduva
O problema já atingiu pelo menos o Hospital de Base (foto); a Santa Casa de Rio Preto; o Hospital Unimed São Domingos e a Fundação Padre Albino, ambos localizados em Catanduva - Gilberto Marques/Divulgação/Governo SP

Hospitais de Rio Preto e da região enfrentam falta de sedativos e relaxantes musculares para pacientes das Unidades de Terapia Intensiva (UTI). O problema já atingiu pelo menos o Hospital de Base; a Santa Casa de Rio Preto; o Hospital Unimed São Domingos e a Fundação Padre Albino, ambos localizados em Catanduva; e as Santas Casas de Fernandópolis e Votuporanga. Para poupar os remédios, as instituições estão adiando cirurgias eletivas e mantendo apenas as de urgência e emergência.

De acordo com Suzana Lobo, chefe do serviço de terapia intensiva do Hospital de Base e presidente da Associação Brasileira de Medicina Intensiva, no HB as substâncias ainda não acabaram, mas só porque a equipe está adotando protocolos de segunda e terceira escolha - utilizando outros medicamentos quando possível - e aplicando doses menores dos sedativos cujo estoque está baixo, conforme protocolos seguros, optando por outros itens quando isso é viável.

A médica conta que percebeu há cerca de dois meses que poderia haver falta dos produtos, quando os Estados Unidos enfrentaram o mesmo problema. Assim, foi possível montar uma reserva, mas mesmo há 60 dias os preços já estavam mais elevados no Brasil.

"O tempo de um paciente com Covid-19 no ventilador é mais longo que o habitual. Um paciente grave fica em média seis dias no ventilador. O paciente com Covid fica o dobro, dez dias, o gasto de sedativos é bem maior", explica Suzana. "Enquanto ele fica na ventilação mecânica precisa controlar ele, ele não pode perceber."

Na Santa Casa de Rio Preto as cirurgias eletivas também foram canceladas por causa da falta de medicamentos e a questão vai ser reavaliada semanalmente. "O volume que acha para comprar é muito pequeno, um pouquinho e não te tira do sufoco. Quando acha, compramos. E está mais caro. Vi o responsável pelas compras falar que uma ampola de anestésico que ele pagava R$ 5 hoje está R$ 19 quando acha", diz o administrador, Valdir Furlan. "Os laboratórios alegam que não têm matéria prima para produzir."

A demanda pelos medicamentos aumentou com a pandemia de coronavírus. Se um paciente que passar por uma cirurgia precisa ficar entubado por algumas horas, por exemplo, um paciente em respirador precisa de sedação e relaxamento muscular o tempo todo.

No fim do mês passado, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde enviou ao Ministério da Saúde um ofício pedindo apoio para adquirir os medicamentos, ressaltando que a vida dos pacientes está em risco. O órgão lista 16 substâncias necessárias à ventilação mecânica que os hospitais não conseguem comprar, como cloridrato de cetamina, lidocaína, propofol e morfina.

A Santa Casa de Votuporanga está recebendo doações de alguns municípios vizinhos para enfrentar a crise. O provedor da Santa Casa Luiz Fernando Góes Liévana destaca que a Instituição está em contato com o Departamento Regional de Saúde (DRS) XV, Ministério Público, bem como a Confederação das Misericórdias do Brasil (CMB). Ele ressalta que há necessidade da ação rápida das autoridades de saúde estaduais e federais na reversão dessa situação, que, caso permaneça, acarretará um aumento da mortalidade dos pacientes que precisam destes medicamentos, incluindo portadores de Covid-19 que apresentam quadro de insuficiência respiratória.

O secretário de Saúde de Rio Preto, Aldenis Borim, já afirmou que essa é uma forma de colapso do sistema de saúde. Em nota, o Ministério da Saúde informou que a aquisição de anestésicos e de neurorrelaxantes é responsabilidade dos municípios e hospitais, mas que está conversando com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e com os laboratórios farmacêuticos nacionais e entidades representantes, com o apoio do Ministério da Defesa, para identificar possíveis problemas relacionados à falta destes medicamentos.

Respiradores

Nesta quinta-feira, 18, o governo do Estado distribuiu mais respiradores à região. Cinco foram destinados para o Hospital de Base de Rio Preto e mais cinco foram para o Hospital Padre Albino, em Catanduva. Outros três respiradores vão para a Prefeitura de Novo Horizonte e mais quatro para a Santa Casa de Votuporanga.

Hospital de Base

Nesta quinta-feira, 18, Jorge Fares, diretor-executivo da Funfarme, fundação que administra todo o complexo que engloba o Hospital de Base, testou positivo para coronavírus. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, o médico de 65 anos está afastado de suas funções, está em isolamento domiciliar, seu quadro é estável e todos os colaboradores que tiveram contato com ele estão sendo monitorados.

Seis pessoas entraram para a lista de mortos por coronavírus nessa quinta-feira, 18, na região. Com isso, chegou a 175 o número de pessoas mortas por Covid-19 no Noroeste Paulista. As mortes pela doença ocorreram em Catanduva, Floreal, Uchoa e Tanabi.

Em Catanduva, a prefeitura confirmou mais duas mortes pela doença e chegou a 17 óbitos por Covid-19. As duas novas vítimas na cidade são um idoso de 59 anos e uma idosa de 94 anos. Ambos, estavam internados no Hospital Emílio Carlos, mas não resistiram as complicações acarretadas pela doença. Não foi informado se as duas vítimas tinham ou não comorbidades.

Já em Floreal, a Secretaria da Saúde confirmou as duas primeiras mortes por coronavírus no município de aproximadamente 3 mil habitantes. As vítimas são um idoso de 62 anos, que estava em tratamento contra um câncer, e uma idosa de 65 anos, que tinha diabetes. A cidade tem 12 casos da doença.

Também foi registrada a quarta morte por coronavírus em Uchoa. A vítima é uma idosa de 66 anos, que estava hospitalizada em Rio Preto para cuidar de outra enfermidade, quando testou positivo para coronavírus no último dia 12 de junho. A idosa que estava em tratamento contra as duas doenças acabou não resistindo e morreu na manhã de quarta-feira, 17. O atestado de óbito constatou morte por coronavírus, já que segundo os médicos o estado de saúde da paciente foi agravado pelo vírus.

Outra cidade que também confirmou morte foi Tanabi. Foi o primeiro óbito pela doença no município. A paciente é uma idosa de 84 anos, que estava internada desde do último domingo, 14, no Hospital de Base de Rio Preto, após apresentar os primeiros sintomas. Na noite de quarta-feira, 17, a idosa acabou não resistindo as complicações causadas pela doença e morreu. Tanabi contabiliza 57 casos positivos da doença.

(Rone Carvalho)

RIO PRETO

  • 1.544 casos confirmados
  • 48 mortes
  • 195 internados(incluindo casos positivos e suspeitos)
  • 871 recuperados

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde

REGIÃO

  • 5.024 casos confirmados
  • 179 mortes
  • 2.610 recuperados

Fonte: Secretarias de Saúde dos municípios

ESTADO

  • 192.628 casos confirmados
  • 11.846 mortes
  • 35.419 recuperados

Fonte: Governo do Estado

BRASIL

  • 978.142 casos confirmados
  • 47.748 mortes
  • 503.507 recuperados

Fonte: Bing até quinta-feira, 18, às 19h30

MUNDO

  • 8.400.320 casos confirmados
  • 450.435 mortes
  • 4.109.183 recuperados

Fonte: Bing até quinta-feira, 18, às 19h30

Casos confirmados e mortes

  • Estados Unidos: 2.225.241 e 120.063
  • Brasil: 978.142 e 47.748
  • Rússia: 561.091 e 7.660
  • Índia: 381.091 e 12.605
  • Reino Unido: 300.469 e 42.288
  • Espanha: 292.348 e 27.136
  • Itália: 238.159 e 34.514
  • Peru: 244.388 e 7.461
  • Irã: 197.647 e 9.272
  • Alemanha: 190.126 e 8.946

A Secretaria de Saúde de Rio Preto confirmou nesta quinta-feira, 18, mais 50 casos de coronavírus na cidade. Mais dois óbitos foram registrados, de uma mulher de 59 anos, com comorbidades, e de um idoso de 85 anos.

Os números continuam apontando para um avanço da circulação do vírus no município, com um recorde de novas notificações em 24 horas: foram 704, quando o máximo havia sido atingido no dia 16, com 617.

O percentual de positividade também vem avançando. A cada cem exames, na última semana (a 25), 34,7% deram positivo para coronavírus. Desde a semana 21, quando havia caído, esse índice vem crescendo. Na 22, a cada cem testes 15,9% davam positivo; na seguinte o número passou para 18,9% e na 24 saltou para 30,5% testes positivos para Covid-19 a cada cem.

"Nós contávamos com um aumento com a abertura (do comércio), porém os cuidados tem que continuar os mesmos porque mais pessoas serão expostas", afirma Aldenis Borim, secretário de Saúde. "Se não tivermos todos os cuidados essa pandemia vai durar uma eternidade porque não temos uma vacina, não temos outro meio de evitar isso a não ser o isolamento social", pontua.

Rio Preto tinha nesta quarta-feira, 17, 195 pacientes internados com síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo que 118 deles estavam em enfermaria e 77 em UTI. Do total, 93 (47%) já tinham coronavírus confirmado. O restante estava aguardando resultados de exames ou já tinha a doença descartada, mas estava com doença pulmonar severa e precisando de cuidados hospitalares.

Borim destaca que estão aumentando os casos de SRAG entre as pessoas de 20 a 59 anos - ou seja, é preciso que tenham consciência de que podem, sim, ter formas graves de coronavírus. (MG)