Entidades e grupos atuam na prevenção do suicídio em Rio Preto

EM RIO PRETO

Entidades e grupos atuam na prevenção do suicídio em Rio Preto

Oferecendo apoio a problemas emocionais, grupos se dedicam a mostrar que é possível superar traumas e encontrar novas saídas


Projeto quer trocar carta do fim da vida 
pela carta do recomeço, da superação
Projeto quer trocar carta do fim da vida pela carta do recomeço, da superação - Guilherme Baffi

Enquanto para uns o suicídio parece um meio para dar um ponto final aos problemas, outros enxergam que é possível resolver tudo apenas adicionando uma vírgula. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas com apenas duas palavras: informação e prevenção. Contudo, como buscar o saber sobre o problema se ele ainda é tratado como um grande tabu na sociedade?

Em Rio Preto, há entidades e pessoas que se dedicam a desenvolver projetos visando "abraçar" aqueles que, por algum motivo, não conseguiram pedir ajuda. Esse é o caso do HELP, um projeto multiplataforma que surgiu em janeiro de 2018 e que possui representantes em todo País. O intuito é ajudar aqueles que possuem pensamentos suicidas e que passam por quaisquer transtornos, como depressão, síndrome do pânico, automutilação, ansiedade e pessoas que não conseguiram superar traumas.

O projeto visa compartilhar as experiências e histórias de superação dos próprios voluntários, mostrando que é possível reconstruir aquilo que foi perdido e recuperar a alegria e o amor pela vida. Uma das ações é espalhar bilhetes com mensagens de conforto e ajuda nos principais locais onde há procura pelo fim da vida, como em pontilhões, por exemplo.

Cadu Souza, de 38 anos, coordenador do projeto HELP, afirma que a missão do grupo é levar a mensagem da superação a quem enfrenta essas difíceis questões. "Nós tentamos mostrar que não precisa ser o fim da linha, que as pessoas são capazes de se superar, elas são perfeitamente capazes de sair dessa situação".

Cadu conta que a ideia de colocar cartas em pontos estratégicos surgiu de uma voluntária do Ceará e depois se espalhou por todo o País. A ideia deu certo e, com isso, o método se espalhou pelo Brasil. "Muitos perguntam porque utilizar como abordagem indireta uma carta: as pessoas que pensam no suicídio, que planejam atentar contra a própria vida deixam uma carta por várias razões. Algumas vezes pode ser uma carta de despedida ou uma carta de culpa, mas, sempre será a mensagem que sinaliza o fim da vida dela. Quando colocamos uma carta fazemos com que essa pessoa repense, pense que pode se superar, pense que a vida não acabou e que essa não é a saída! Nós trocamos a carta do fim pela carta do recomeço, da superação."

O coordenador conta que além de realizar projetos como espalhar bilhetes, o projeto trabalha fortemente nos meios digitais, como páginas em plataformas como Facebook, WhatsApp, Twitter e Instagram, realizando suporte e consultas para pessoas de todo o País.

No mês mais importante para o projeto, setembro, os voluntários realizam uma caminhada em prol da valorização a vida, chamada de "super ação", além de palestras com os voluntários em escolas e faculdades.

Campanha

Em setembro de 2015, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Medicina e o Centro de Valorização da Vida (CVV) criaram a campanha: "Setembro Amarelo", que consiste em conscientizar sobre a prevenção ao suicídio.

A cor da campanha veio inspirada do caso de um garoto americano de apenas 17 anos que tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo. Em seu funeral, os amigos e familiares distribuíram cartões e fitas amarelas, com mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo problema que o jovem e enfatizando que aquela não era a melhor saída.

A ideia da campanha se embasa em promover eventos e discussões que possam abrir espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a sua importância. Entretanto, apesar de ser uma campanha de escala nacional e ter sua divulgação fortemente instaurada pelos órgão do governo dentro das mídias sociais, a campanha ainda não abrange todos aqueles que precisam de um ombro amigo.

O CVV oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária e gratuita todas aqueles que queiram e precisam conversar.Em Rio Preto, depois que começou a pandemia de coronavírus, o número de ligações aumentou, passando de uma média diária de 130 para 280 chamadas. Entre os principais temores do momento, medo de perder o emprego ou de ser contaminado pelo coronavírus na terceira idade.

Os atendimentos podem ser feitos por telefone, e-mail ou chat 24 horas, todos os dias sob sigilo total. Telefone: 188 Site para atendimento via chat e demais informações: https://www.cvv.org.br/

Outra instituição que atua ajudando pessoas a se recuperarem da depressão é a igreja Universal, com o grupo Depressão Tem Cura (DTC), fundado em janeiro de 2019 e que tem como objetivo auxiliar e realizar o acompanhamento das pessoas que sofrem com a doença, levando auxílio espiritual e esperança.

O grupo atua por todo o Brasil com voluntários que executam as ações do projeto. Segundo divulgação da própria igreja, o grupo já atendeu mais de 35 mil pessoas em todo o Brasil. Durante a pandemia de coronavírus, o número de atendimentos também tem crescido.

(colaborou Yasmin Lisboa)

 

Em geral, a morte é percebida como uma saída, alívio ou fuga de um estado de dor em que a pessoa não consegue ter esperanças de superar ou vislumbrar melhoras futuras. A opinião é da psicóloga Mara Lúcia Madureira é psicóloga, que atua na área clínica cognitivo-comportamental. "Não há um desejo genuíno em desistir da vida, apenas uma percepção equivocada de incapacidade para continuar vivo".

Segundo a especialista, a tendência ao suicídio pode ser desencadeado por situações como perdas afetivas ou financeiras, bullying, solidão e abandono.

A psicóloga explica ainda que é comum nos quadros de ideações, tentativas ou de suicídios a presença dos seguintes transtornos psiquiátricos: depressão, transtorno bipolar, ansiedade patológica, esquizofrenia, comportamentos impulsivo agressivos, dependência de álcool e outras drogas, etc.

Por isso é necessário estar atento às evidências que sugerem intenções ou planos suicidas como eventos estressantes, mudanças no comportamento, isolamento social, tristeza, abuso de drogas, falas desesperançosas e comportamentos de riscos. Também deve-se levar em conta o histórico familiar de suicídios ou doenças psiquiátricas e manter a atenção permanentes e encorajar a pessoa a buscar atendimento médico e psicológico. (YL)