CORONAVÍRUS

Taxa de recuperados em Rio Preto é de 45%

Saúde destaca necessidade de respeitar as regras de distanciamento


Em tratamento contra câncer de pele, com marca-passo, diabetes e pressão alta, Maria da Mata Mussi, 94 anos, venceu a doença
Em tratamento contra câncer de pele, com marca-passo, diabetes e pressão alta, Maria da Mata Mussi, 94 anos, venceu a doença - Álbum de Família

Rio Preto tem 518 casos confirmados de coronavírus e, desses, 235 (45%) dos pacientes estão recuperados, ou seja, foram curados da doença. Dezoito pessoas morreram, uma taxa de mortalidade de 3,5%.

Embora tenha crescido nos últimos dias, a taxa de curados ainda indica que existem mais pacientes com a doença, entrando para o monitoramento, do que se curando diariamente. Quando alguém entra na estatística como caso confirmado ou mesmo suspeito, fica por pelo menos 14 dias - isso se depois desse período estiver completamente sem sintomas - para só depois ser liberado de volta à rotina normal e considerado recuperado.

"Quando a gente começa a ter mais casos recuperados, a gente pode estar entrando em uma estabilidade, em um controle", afirma Andreia Negri Reis, gerente do Departamento de Vigilância Epidemiológica.

Na região, incluindo os casos de Rio Preto, são 752 pessoas recuperadas. Uma delas é Maria da Mata Mussi, aposentada de 94 anos. Nem os médicos acreditavam que isso fosse acontecer, segundo a família. Moradora de Nova Granada, ela faz tratamento contra um câncer de pele, tem um marcapasso, diabetes e pressão alta. "Foi um alívio muito grande, uma vitória", diz a neta, Mariana Eleodoro Mussi, advogada de 27 anos.

Dona Maria estava na casa de uma filha em São Paulo, pois faz tratamento contra um câncer de pele no Hospital das Clínicas. Começou a apresentar os sintomas da doença, como tosse e falta de ar, e fez um teste, que deu negativo. Foi encaminhada ao hospital de campanha do Anhembi-Morumbi, mas a família optou por trazê-la para cá. Chegou ao Hospital de Base no dia 1º de maio, e em Rio Preto o teste para coronavírus foi positivo. "Ela só precisou de oxigênio, não precisou ser entubada. A gente não sabe se ela pegou antes ou pegou no hospital de campanha", conta Mariana. "Foram onze dias de internação. Teve alta dia oito e pediram mais 14 dias de isolamento, até dia 21. Está tudo bem, o pulmão limpo, fez o teste e foi curada mesmo. Ela está super bem, toda feliz, andando sozinha com o andador, está super lúcida", comemora a neta.

Ainda não existe tratamento de eficácia comprovada contra o coronavírus. Pelo mundo, existem estudos com alguns medicamentos. Em alguns casos, os pacientes conseguem se recuperar sem o uso de nenhuma substância.

Quando o sistema imune reconhece algo estranho, como o vírus, ele produz anticorpos, que são proteínas que têm o objetivo de destruir os intrusos. "Dessa briga entre o agente e o sistema imune tem uma porção de sintomatologia, uma das mais importantes é a febre", explica Irineu Maia, infectologista do Hospital de Base. Os sintomas leves incluem espirro, tosse, coriza, dor de cabeça, dor no corpo, perda de apetite e perda de olfato. Já os mais severos são cansaço e falta de ar.

Quando o vírus entra no corpo, o sistema imunológico dispara os leucócitos para combater os intrusos. Se a cura passa pelo sistema imunológico, os casos mais graves também podem ser postos na "conta" dele, que também envelhece - por isso os idosos estão sujeitos aos casos mais severos. As pessoas com comorbidades também estão sujeitas a desenvolver casos graves da doença porque as células de defesa não atuam como deveriam.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Rio Preto, estavam internadas nesta quinta-feira, 21, um total de 86 pessoas, sendo 62 em enfermaria e 24 em UTI. São pacientes com Covid-19 confirmada, suspeita ou descartada, mas com doenças pulmonares graves que levaram a uma hospitalização.

Nesta sexta-feira, 22, o diretor-executivo da Funfarme, Jorge Fares, gravou um vídeo sobre os pacientes internados na instituição. O último divulgado havia sido no dia 4 de maio. "Na ocasião tínhamos cinco pacientes na UTI e sete na enfermaria, hoje estamos com 13 pacientes na UTI e 14 na enfermaria. Tínhamos dois óbitos, agora são 12", diz. Os números incluem moradores de Rio Preto, região e até outros Estados. "Esse crescimento tem assustado as autoridades do Estado como um dos maiores crescimentos do interior", pontua o médico. "Continuamos ainda com receio de que o pico está por vir, não sei se vem em junho, julho ou se vai conseguir manter a curva achatada. É muito importante que a gente deixe claro que está começando uma subida, vai depender muito da população quão alta vai ser essa subida", afirma, destacando a necessidade de isolamento para quem puder ficar em casa e de cuidados como higienização e uso de máscaras.

A Secretaria de Saúde de Rio Preto comunicou nesta sexta-feira, 22, que houve uma redução no número de atendimentos nas unidades básicas de saúde dedicadas ao atendimento geral da população, não às síndromes gripais. Em janeiro, foram 171.683 consultas, ante 106.057 em abril, uma queda de 38,2%.

No laboratório de patologias clínicas, a queda foi ainda maior, de 64,8% no período. Também houve diminuição de consultas e procedimentos no Centro Médico de Especialidades e no Complexo Pró Saúde.

De acordo com a Saúde, apenas no começo da pandemia, nas duas primeiras semanas, foi necessário desmarcar procedimentos, para estruturar a rede para receber os pacientes de Covid-19. A redução se deve ao absenteísmo de pacientes - em abril no laboratório, por exemplo, 47% deles faltaram; em março em abril, 58% não foram às consultas com médicos e especialistas e 67% não compareceram aos exames de imagem e diagnósticos.

"Grande parte deses pacientes não foram na consulta atendendo à recomendação da própria Secretaria que só procurasse quem realmente estivesse precisando, os casos prioritários, para que se mantivessem em casa os pacientes que não estavam precisando imediatamente de consulta e para que não houvesse superlotação nas salas de espera", afirmou o secretário de Saúde, Aldenis Borim.

A Saúde ainda não definiu se fará mutirões após o fim da crise para dar conta da demanda que ficou reprimida com a pandemia. "Na retomada da rotina nós teremos um número de consultas acumuladas muito grande, mas neste momento nós temos que pensar no coronavírus", diz o médico.

Unidades respiratórias

Nas unidades básicas que foram destinadas para atendimento de pacientes com sintomas gripais, foi preciso desmarcar as consultas. A partir de segunda-feira, 25 de maio, a UBS do Vetorazzo retorna ao atendimento de rotina. "O número de atendimentos de síndrome gripal estava baixo e a população da área é muito grande, o que acabou sobrecarregando o atendimento da UBS Eldorado, que também tem uma população grande", afirma a Saúde.

Permanecem atendendo os pacientes com sintomas gripais as unidades do Anchieta, Solo Sagrado, Estoril, Lealdade/Amizade, todas para adultos, e Faceres/Santo Antônio, para crianças de até 12 anos.

RIO PRETO

  • 518 casos confirmados
  • 18 mortes
  • 86 internados (incluindo casos positivos e suspeitos)
  • 235 recuperados

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde

REGIÃO

  • 1.401 casos confirmados
  • 59 mortes
  • 752 recuperados

Fonte: Secretarias de Saúde dos municípios

ESTADO

  • 76.871 casos confirmados
  • 5.773 mortes
  • recuperados: não divulgado

Fonte: governo do Estado

BRASIL

  • 330.890 casos confirmados
  • 21.048 mortes
  • 135.430 recuperados

Fonte: Ministério da Saúde

MUNDO

  • 5.168.433 casos confirmados
  • 335.936 mortes
  • 1.985.656 recuperados

Casos confirmados e mortes

  • Estados Unidos: 1.626.066 e 95.906
  • Brasil: 330.890 e 21.048
  • Rússia: 326.448 e 3.249
  • Espanha: 281.904 e 28.628
  • Reino Unido: 254.195 e 36.393
  • Itália: 228.658 e 32.616
  • Alemanha: 179.538 e 8.333
  • Turquia: 154.500 e 4.276
  • França: 144.556 e 28.289
  • Irã: 131.652 e 7.300