AQUI NÃO

45 municípios da região de Rio Preto não registraram nenhum caso confirmado de Covid

Nova Aliança, com 6,9 mil habitantes, não tem casos de Covid-19. Faz parte de um grupo cada vez menor: 46 cidades da região não têm ocorrências da doença. Nas ruas, pessoas com máscara e com medo do vírus


Sem missas, Cleusa Aparecida Oporini, 63 anos, vai todos os dias à igreja. Entre as orações, pede para Nossa Senhora proteger a cidade do coronavírus
Sem missas, Cleusa Aparecida Oporini, 63 anos, vai todos os dias à igreja. Entre as orações, pede para Nossa Senhora proteger a cidade do coronavírus - Fotos: Guilherme Baffi 21/5/2020

Quando Cleusa Aparecida Oporini, de 63 anos, chega à Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Nova Aliança, os primeiros pedidos de oração à padroeira são de proteção para a cidade em que vive desde que nasceu. Desde que o primeiro caso de coronavírus foi confirmado em Rio Preto, ela teme que Nova Aliança entre para a lista de municípios com casos da doença. Até o momento, as preces estão sendo atendidas. A cidade integra um grupo de 46 localidades da região que não contabilizam nenhum caso positivo da doença.

Quando deixa a igreja com o tradicional rito do sinal da Cruz, o único destino de Cleusa durante a quarentena é a Loja do Bigode, que vende roupas, tecidos, cosméticos, entre outros, e leva o apelido do falecido esposo. Ela cuida há mais de 15 anos do estabelecimento - e sua casa fica nos fundos. Com álcool em gel na porta e máscara, a idosa tem o rádio como único companheiro nos últimos dias no estabelecimento comercial. Isso porque os clientes praticamente desapareceram com medo da doença. Os que vão até lá têm a máscara como companheira. O coronavírus é diálogo constante: muitas vezes falam sobre o avanço da doença na vizinha Bady Bassitt. "A gente percebe que as pessoas vêm procurar aquilo que precisam muito. Mais as roupas de serviço. E a loja vai indo devagar, mas estamos aqui".

A um quarteirão dali, o cartão-postal da cidade - a praça matriz -, que chegava a reunir 400 pessoas nas tradicionais quermesses e bailinhos, ficou vazia. As quermesses foram suspensas e as missas agora precisam ser vistas pelas redes sociais. "A gente fica constrangido de ver a população aborrecida, sem liberdade. Agora o pessoal compra o sorvete e leva pra casa", diz o comerciante Alessio Salvalágio, que é dono de uma sorveteria e viu o faturamento cair na quarentena.

Em tempos de pandemia, Nova Aliança zela ainda mais pelo seu isolamento. Na cidade em que praticamente todo mundo se conhece, qualquer forasteiro é logo identificado pelos 6,9 mil habitantes, com olhares desconfiados. É que o medo da doença fala mais alto.

Quem sofre é Jorge Francisco Araújo, de 68 anos, acostumado a se reunir a amigos no Centro de Convivência dos Idosos da cidade. "Ia a semana inteira lá jogar baralho, só de sábado e domingo que não, mas parou tudo por causa dessa doença. Agora eu só fico em casa, faço minha comida".

Além do tradicional chapéu, ele agora não se esquece de um outro acessório: a máscara. "Foi minha filha que deu a máscara. E a gente tem que usar, porque é uma doença que se pegar mata", destacou o idoso.

Em Nova Aliança, de dia, o movimento é tranquilo e à noite não há agitação, pois os moradores costumam se recolher cedo para dormir. "É uma cidade calma, o pessoal sai mais para ir na missa ou na sorveteria, mas agora estão pedindo para comer em casa", afirmou a secretária da paróquia, Daniela de Souza.

Quando a secretária da Saúde, Andrea Machado, atende o telefone e a reportagem pergunta se tem caso de coronavírus na cidade, a resposta vem acompanhada de agradecimento: "Graças a Deus não temos nenhum caso", diz.

Apesar do baixo risco de contaminação, a prefeitura optou pelo zelo. Distribuiu máscaras para a população e reforçou a limpeza de espaços públicos e do transporte coletivo que chega e sai da cidade. "Antes mesmo do decreto que tornou o uso de máscara obrigatório no Estado, mandamos confeccionar máscaras e foram distribuídas na rodoviária para quem trabalha fora da cidade", afirmou Andrea.

Na região, além de Nova Aliança, outras 45 cidades ainda não confirmaram casos da doença, mas essa lista diminui a cada dia. Há 15 dias, eram 71 cidades sem casos de coronavírus - cerca de 59% dos municípios da região. Palmares Paulista era uma dessas cidades, mas mudou de grupo após a confirmação de dois casos nesta semana.

"Ainda não temos casos, mas estamos adotando as medidas de precaução propostas pelo Ministério da Saúde para evitar o avanço da doença", pontuou o secretário da Saúde de Guarani d'Oeste, Edmilson Pires.

Bálsamo

Nesta quarta-feira, 20, o governo do Estado havia confirmado um caso de coronavírus em Bálsamo. O Estado, porém, voltou atrás e retirou a confirmação do caso. A cidade continua na lista dos municípios sem casos positivos de Covid-19.

(Colaborou Ingrid Bicker)