AFETO QUE UNE GERAÇÕES

Ações em Rio Preto e Novais ajudam na luta contra a solidão

Interações, seja por cartas escritas à mão ou por meios tecnológicos, aproximam idosos e crianças e ajudam na luta contra a solidão


Casal de idosos lê carta escrita por criança de Novais: projeto uniu pequenos e 65 idosos
Casal de idosos lê carta escrita por criança de Novais: projeto uniu pequenos e 65 idosos - Divulgação/Prefeitura de Novais

Maria Luiza Pereira Pina tem 11 anos de idade. De outro lado, idosos com mais de 60 anos que a menina nunca tinha visto antes, que residem no Lar de Betânia, em Rio Preto, e que estão isolados desde março, devido à pandemia do novo coronavírus. Histórias distintas, mas que se uniram quando um projeto conectou idosos e crianças para um diálogo via internet.

Impedida de poder realizar visitas aos idosos isolados, o jeito encontrado por Maria Luiza foi se comunicar por videochamada. Ela foi uma dos 16 alunos do 6º ano do ensino fundamental da escola Start Anglo de Rio Preto que participaram da atividade remota que conectou idosos e crianças. "Foi super legal, porque a gente teve contato com os idosos. A gente ficou conversando com eles em torno de 50 minutos", contou a aluna.

Na conversa online, entre os assuntos recorrentes estavam comida predileta, time de futebol e até o que os idosos estavam fazendo durante o período de isolamento no asilo. "Todo ano trabalhamos um tema com eles na escola, e esse ano era justamente idosos. Com a pandemia do coronavírus, ficou muito complicado trabalhar com o idoso. Foi aí que veio a ideia", destacou a coordenadora pedagógica da escola, Janaina Rocha Bocato.

Para o contato, que foi intermediado pelos funcionários do Lar de Betânia, os idosos utilizaram um celular da entidade que já está sendo usado pelos idosos para contato com familiares. "Os idosos ficaram muito contentes e foi muito bom, porque eles não podem sair, estão sem visitas", destacou a presidente do Lar de Betânia, Mariza Augusta Rodrigues Gonçalves.

A conexão de afeto online entre crianças e idosos foi durante uma aula, mas já existe a previsão de que o encontro entre idosos e crianças volte a acontecer. "É como se os idosos estivessem dentro da sala de aula com os alunos, pretendemos fazer novamente agora no começo de junho", afirmou Janaina.

Encontro por carta

Outra cidade que também inovou e resolveu conectar crianças e idosos foi Novais. Diferentemente de Rio Preto, a cidade com aproximadamente 5,8 mil habitantes não usou a tecnologia. Resolveu recorrer ao passado e usou cartinhas escritas à mão por 15 crianças da rede municipal de ensino para compartilhar afeto com idosos da cidade que estão isolados devido à pandemia. Em Novais, até essa quarta-feira, 20, nenhum caso de Covid-19 havia sido confirmado.

"Tudo começou quando entregamos os kits de atividades que confeccionamos para idosos durante a quarentena. Quando a gente batia palma na casa deles, abriam para a gente e, como de costume de cidade pequena, pediam para a gente entrar, mas falávamos que não podíamos e ficavam muito ressentidos", contou o gestor municipal da assistência social de Novais, Weliton Albino.

Foi quando surgiu a ideia do projeto de unir crianças para escrever cartas a 65 idosas que fazem parte de projetos sociais da cidade. "Entregamos um kit e uma folha para as crianças. E pedimos para que elas escrevessem para essas idosas, como se fosse para vovós deles", contou.

Depois de escritas por alunos entre 9 e 12 anos, foi a hora da entrega das 65 cartinhas. E quem se encarregou do serviço de entrega foram funcionários da assistência social do município. "Procuramos respeitar o distanciamento social e fizemos a higienização dos kits antes da entrega para os idosos", destacou Albino.

Agora, a ideia é que após a pandemia e o fim do isolamento social, idosos e crianças possam se conhecer pessoalmente, para que essa leitura das cartas seja repetida. "Esperamos muito por isso", afirmou o gestor municipal da assistência social de Novais.

Divulgação/Arquivo

Um dos idosos do Lar de Idosos Nelson Pereira, em Guapiaçu, teve alta do Hospital de Base e agora está em isolamento no asilo, onde foram registrados dez casos de coronavírus, sendo seis entre idosos e quatro em funcionários. Há um idoso e uma idosa ainda internados no HB, sendo que a mulher tem 96 anos. A idade do homem não foi informada. Eles estão em enfermaria. "Uma médica da Vigilância Epidemiológica vai lá (no lar) fazer uma visita amanhã (quinta-feira) e tem uma enfermeira acompanhando", diz a coordenadora de Saúde, Luciana Grota. O Lar dividiu os idosos em três alas: os com Covid-19 confirmada; os com algum sintoma gripal, porém sem a doença diagnosticada, e os com sem sintoma algum.

Em Santa Fé do Sul, uma colaboradora e seis idosos do Lar São Vicente de Paulo testaram positivo. Apenas um dos idosos continua em quarentena, mas a previsão é que nesta quinta-feira, 21, ele faça o teste para determinar se já está curado do vírus.

Segundo a enfermeira Drielen Bertolassi, nenhum dos idosos confirmados para Covid teve sintoma grave. Eles ficaram isolados em quartos da entidade, como é recomendado pelo Ministério da Saúde. Todos os funcionários e idosos foram testados.

Em Rio Preto, dois idosos de instituições de longa permanência faleceram. Um caso de Covid-19 foi detectado em uma funcionária do Lar São Vicente de Paulo e ela já está curada.

Em parceria com a Faceres, a Secretaria de Saúde está monitorando os 1,3 mil idosos que vivem em quatro instituições de longa permanência e 42 casas de repouso em Rio Preto. O acompanhamento é feito por alunos da faculdade, supervisionados, que telefonam para todas as entidades para questionar sobre como estão os internos e colaboradores. Quando há sintomas, o paciente é colocado em isolamento.

(Colaborou Millena Grigoleti)