Violência doméstica

Rio Preto emite todo dia três medidas protetivas

Nesta quarta, duas mulheres foram agredidas - uma delas matou o namorado


Taco de beisebol e 
faca encontrados com um dos agressores
Taco de beisebol e faca encontrados com um dos agressores - Divulgação

A cada dez atendimentos na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Rio Preto, seis são de solicitação de medidas protetivas. Foram emitidas 439 de janeiro a 20 de maio deste ano. Retrato da grande incidência de violência doméstica na cidade. Entre a noite de terça, 19, e a madrugada de quarta-feira, 20, foram registrados dois casos graves. No primeiro, uma mulher foi agredida duas vezes pelo namorado. Em outro, uma jovem matou o namorado, segundo ela, após diversas agressões.

O aumento da violência doméstica no período de pandemia dá para ser comprovado por levantamento do Centro de Referência de Atendimento às Mulheres (Cram). O órgão da Secretaria Municipal da Mulher fez 745 atendimentos de janeiro a abril de 2020, o que dá uma média de seis casos por dia. No ano passado, foram 1.326, média de três casos por dia.

Somente neste primeiro quadrimestre, sete mulheres tiveram de ser escondidas na Casa Abrigo porque corriam o risco de serem assassinadas.

A medida protetiva é um instrumento jurídico criado com a Lei Maria da Penha, que obriga o agressor a ficar 100 metros longe da vítima. Caso contrário, o homem pode acabar imediatamente atrás das grades. "Mesmo dentro desta quarentena do coronavírus, senti aumento da procura por medidas protetivas", diz a delegada Margareth Franco.

Do início da quarentena decretada pelo governo estadual, em 23 de março, até esta quarta-feira, 20, foram solicitadas 247 medidas protetivas.

Para fazer cumprir as ordens de restrição, foi criada em Rio Preto a Patrulha Maria da Penha, composta pela Guarda Civil Municipal. Até esta quarta-feira, a equipe havia realizado nove prisões de homens que invadiram as residências e ameaçaram as vítimas.

Os casos

Segundo o boletim de ocorrência, a dona de casa Thais de Paula, 27 anos, matou o namorado, Fabiano Silva, um funileiro de 41 anos, às 1h57 da madrugada de quarta. Ela afirma ter sido agredido, na frente de frequentadores de um bar, na rua Clara Nunes, no Jardim Antunes, na zona norte de Rio Preto.

De acordo com testemunhas ouvidas pela PM, Thais já vinha de uma rotina de sofrer constantes atos de violência. Ela esfaqueou o namorado no tórax.

O homem chegou a receber os primeiros socorros dos paramédicos, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu no local do crime.

Thais fugiu do bar, mas minutos depois, de forma voluntária, se apresentou aos policiais militares e foi levada presa em flagrante por homicídio. Nesta quarta, ela foi liberada em audiência de custódia e vai responder em liberdade.

Horas antes do homicídio, ainda na noite de terça-feira, 19, uma nutricionista de 28 anos foi agredida duas vezes pelo namorado, no bairro Jardim Bosque da Saúde, em Rio Preto.

Na primeira vez, às 21h, o namorado deu soco no rosto dela. O homem fugiu e ela foi buscar atendimento na UPA Tangará.

Cerca de seis horas depois de ser liberada da UPA, a nutricionista retornou para casa para pegar celular e bolsa e foi surpreendida pelo namorado, que estava escondido dentro do imóvel, armado com um taco de beisebol em uma das mãos e na outra uma faca do tipo cutelo.

Quando a PM chegou ao local, encontrou a mulher fora da casa. Ele foi encontrado escondido embaixo da cama. Mesmo agredida duas vezes, a mulher não apresentou a ocorrência criminalmente contra o rapaz e ele foi liberado. O boletim de ocorrência vai ser encaminhado para a DDM, mas vai depender da mulher dar andamento à investigação.