Aglomeração

Nem 28 ônibus extras aliviam lotação em Rio Preto

Parte do trabalho voltou, mas a frota não acompanhou o mesmo ritmo


Passageiros entram e saem de ônibus no Terminal Urbano de Rio Preto: redução de veículos devido à pandemia continua a causar lotação
Passageiros entram e saem de ônibus no Terminal Urbano de Rio Preto: redução de veículos devido à pandemia continua a causar lotação - Guilherme Baffi 19/5/2020

Mesmo com 28 ônibus extras por dia, moradores de bairros da zona norte de Rio Preto reclamam da lotação em horários de pico em pleno período de distanciamento social determinado como combate à pandemia do coronavírus.

A frota diária de ônibus das duas concessionárias da cidade - Itamaraty e Circular Santa Luzia - foi reduzida de 220 para 164 veículos como parte das medidas para reduzir a quantidade de pessoas nas ruas e aumentar o isolamento social. Entretanto, os usuários reclamam que, após dois meses de quarentena, parte do trabalho foi retomada, mas a Secretaria de Trânsito não tem colocado quantidade suficiente de veículos para evitar que os passageiros sejam transportados em pé e aglomerados.

O trabalhador autônomo Alex Leandro Silva, de 44 anos, diz que já não suporta viajar a pé no ônibus em horário de pico. "De manhã pego a linha Solo Sagrado para o Terminal; depois vou para outro ônibus para chegar no trabalho. É mais de uma hora em pé. Não dá. Dificilmente sobra banco para sentar", reclama.

Moradora do bairro Luz da Esperança, Ane Karine da Silva Ferreira, 38 anos, diz que só não tem lotação de veículos aos sábados e domingos. "Todo dia de trabalho é este tormento, principalmente à tarde. Faltam ônibus e os horários à disposição são poucos".

Para não correr o risco de se contaminar, a cuidadora de idoso Aparecida Silva, 40 anos, usa até luvas de plástico quando é obrigada a segurar nas barras de apoio internas do veículo. "Tenho que fazer isso porque cuido de uma pessoa em grupo de risco. Não posso pegar essa doença de jeito nenhum para não transmitir para pessoa que eu ajudo", diz.

Rodrigo Juliano, presidente da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb), admite que tem percebido um aumento de público no Terminal Urbano em três dias da semana, segunda, terça e sexta-feira. "Pelo que percebemos são os dias mais escolhidos pelas diaristas para fazer as faxinas nas casas dos clientes. Visualmente tem de 10% a 15% no aumento de fluxo. Nossa equipe tem orientado os passageiros para evitar aglomeração nas filas de espera aqui dentro, mas nos horários de picos, o pessoal não respeita e se junta, infelizmente".

Gerente de tráfego da Circular Santa Luzia, Marcos Roberto Cavalini, diz que a empresa tem se empenhado para evitar que as pessoas viagem em pé, mas nega lotação nos veículos. "A gente procura não deixar passageiros viajarem em pé nos ônibus, porém, tem algumas pessoas, devido o horário, preferem andar em pé. Quando tem sete passageiros em pé, a gente já coloca carro extra", afirma o gerente.

Segundo Cavalini, só a Santa Luzia tinha colocado 108 ônibus para rodar na terça-feira, mas para dar conta da demanda, foi obrigado a colocar mais 11 ônibus extra, só de manhã. Na segunda-feira, foram necessários 22 ônibus extras, para atender à demanda das 5h às 8h.

Outro lado

O secretário de Trânsito, Amauri Hernandes garante que tem colocado 28 ônibus extras em dez linhas para evitar a lotação em horários de picos. Sobre o aumento de passageiros, o secretário diz que enquanto no dia 5 de maio foram transportadas 41.125 passageiros, a quantidade caiu para 38.659 no último dia 15. "O que acontece é aumento da demanda em horários de pico. Temos colocado carros extras, mas os pessoas não aguentam esperar e preferem viajar em pé", diz.

Mesmo assim, Amauri promete adequar a frota para evitar as lotações de manhã e no final da tarde.