Sem avanço

Isolamento, o maior desafio no combate à pandemia

Índice baixo de isolamento social, menor que 40%, é uma das barreiras para o controle da pandemia em Rio Preto, que registrou 44 novos casos nesta sexta-feira, 15, e chegou a 403 confirmações


Tráfego na rotatória da avenida Ernani Pires Domingues: movimento parecido com o de dias antes da quarentena
Tráfego na rotatória da avenida Ernani Pires Domingues: movimento parecido com o de dias antes da quarentena - Guilherme Baffi 15/5/2020

No dia em que Rio Preto confirmou 44 novos casos de coronavírus, a maior quantidade em 24 horas, o secretário de Saúde, Aldenis Borim, apresentou nesta sexta-feira, 15, o plano de contenção da Covid-19, que prevê inclusive lockdown se o número de casos notificados de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) ultrapassar os 800 por dia, com 31% de positividade para coronavírus, e se houver combinação com outros fatores, como isolamento social abaixo de 35% e a ocupação de leitos destinados à SRAG ultrapassar os 81%.

O plano foi dividido em cinco níveis, sendo que atualmente Rio Preto está no terceiro, de aceleração da epidemia, já que o número de casos não para de crescer. Como a Saúde mostrou nesta sexta-feira, 15, desde a confirmação do 1º caso, em 12 de março, até o 100º, foram 47 dias; do 100º para o 200º foram mais oito, e depois mais oito até o 400º. Há 88 casos positivos para cada grupo de cem mil moradores. Dentre os 407 confirmados, 98 são de profissionais da saúde. São 11 mortes até o momento na cidade.

Dentre os confirmados, 222 foram detectados conforme o protocolo do Ministério da Saúde (pacientes graves e profissionais da saúde) e 185 pelo Projeto Sentinela, desenvolvido por Rio Preto e que desde o mês passado está testando alguns pacientes com síndrome gripal leve que passam pela rede pública e, em parceria com os convênios, também pela rede privada. A Saúde fará na próxima semana tomada de preços para aquisição de mil testes - a previsão é investir cerca de R$ 100 mil.

Parâmetros para flexibilização - plano municipal  (Foto: Reprodução)

Os dois primeiros períodos de controle da doença no município, entre março e esta quinta-feira, 14, foram para evitar a aceleração da doença, adquirir equipamentos de proteção individual, organizar a assistência, inclusive hospitalar, e adquirir testes. A partir desta sexta-feira, conforme o planejamento da Saúde, há um novo momento: o plano prevendo cinco níveis da epidemia para definição de regras de distanciamento, com o objetivo de controlar o número de infectados, de modo a não ultrapassar o limite da rede assistencial. Um dos pontos decisivos para flexibilizar a abertura de economias ou apertar ainda mais as regras é o isolamento social.

O prefeito, Edinho Araújo, destacou que, conforme prevê o plano, as atividades econômicas só poderão ser retomadas se os índices de permanência das pessoas em casa crescerem. O governo do Estado preconiza que ele deve ser de pelo menos 55%, mas na última quinta-feira, 14, ficou em 39%.

"O que está acontecendo no Brasil inteiro é o colapso do sistema de saúde. A nossa preocupação permanente é assistir a todos, para que isso possa acontecer é preciso que façamos a nossa parte. Fiquem em casa, faça os serviços essenciais. Nesse momento ninguém tem know how, ninguém tem conhecimento da Covid-19, é um aprendizado, mas uma coisa está pacificada, é o isolamento social."

As medidas tomadas pelo poder público, conforme o plano, podem ser mais drásticas, como o distanciamento social ampliado, ou até o lockdown, ou mais brandas, caso a progressão da doença desacelere, e a ocupação dos leitos fique em um nível considerado confortável. De acordo com a Saúde, havia 81 pacientes com síndrome respiratória aguda grave internados nesta quinta-feira, 14, entre confirmados, suspeitos e descartados de coronavírus, sendo que 59 deles estavam em enfermaria e 22 em UTI.

"Nós não podemos esquecer que temos dengue e H1N1 e a Secretaria de Saúde tem que monitorar, trabalhar com essas duas epidemias que estão ocorrendo não só em Rio Preto, mas em todo o País", pontua Borim. O médico reforça que o número de casos de síndrome respiratória aguda grave está maior em todas as semanas epidemiológicas se comparado com todos os anos desde 2009, quando surgiu a H1N1. "Não depende da Secretaria, depende da população fazer um isolamento adequado para baixar o nível (do plano) e flexibilizar mais."

RIO PRETO

  • 407 casos confirmados
  • 11 mortes
  • 81 internados (incluindo casos positivos e suspeitos)
  • 79 recuperados

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde

REGIÃO

  • 1.069 casos confirmados
  • 40 mortes
  • 445 recuperados

Fonte: Secretarias de Saúde dos municípios

ESTADO

  • 58.378 casos confirmados
  • 4.501 mortes
  • recuperados: não divulgado

Fonte: governo do Estado

BRASIL

  • 218.223 casos confirmados
  • 14.817 mortes
  • 84.970 recuperados

Fonte: Ministério da Saúde

MUNDO

  • 4.483.864 casos confirmados
  • 303.825 mortes
  • 1.609.475 recuperados

Casos confirmados e mortes

  • Estados Unidos: 1.464.060 e 87.603
  • Espanha: 274.367 e 27.459
  • Rússia: 262.843 e 2.418
  • Reino Unido: 236.711 e 33.998
  • Itália: 223.885 e 31.610
  • Brasil: 218.223 e 14.817
  • Alemanha: 175.312 e 7.941
  • Turquia: 146.457 e 4.055
  • França: 141.919 e 27.529
  • Irã: 116.635 e 6.902

 

Guapiaçu tem 17 casos confirmados de Covid. Dez deles são de um asilo da cidade - os pacientes são quatro funcionários e seis idosos. Desses, três idosos estão internados no Hospital de Base de Rio Preto e outros dois estão no asilo em uma ala maior, cumprindo o isolamento.

De acordo com Luciana Grota, diretora de Saúde, o primeiro caso foi confirmado em uma idosa que estava internada no Hospital de Base, então a pasta resolveu testar todas as pessoas do Lar de Idosos Nelson Pereira com testes rápidos. Em outros cinco idosos e quatro funcionários os resultados foram positivos. Os três pacientes no HB estão estáveis, na enfermaria, e respiram sem ajuda de aparelhos. Já os colaboradores estão sendo acompanhados em casa.

"O Lar contratou quatro funcionários para cuidar dos idosos que deram positivo. Os com teste negativo, mas com sintomas, também foram isolados", diz Luciana. Os que não tinham nenhum sinal da doença foram colocados em uma terceira ala.

(MG e Ingrid Bicker)