Para conter a contaminação

Começa limpeza de abrigo onde 31 moradores de rua se infectaram em Rio Preto

Para algumas pessoas, é impossível ficar em casa. Nesses casos, alguns cuidados simples ajudam a evitar a infecção por coronavírus e até um surto no local de trabalho e a contaminação de toda a família


Funcionário esfrega chão da Casa de Cirineu, no São Francisco
Funcionário esfrega chão da Casa de Cirineu, no São Francisco - Guilherme Baffi 13/5/2020

Locais onde se formam aglomerações, por mais que se tomem todos os cuidados, podem ser possíveis focos de infecção de coronavírus. Foi o que aconteceu no Hospital Santa Catarina e na Casa de Recuperação, em Jaci, e na Casa do Cirineu e na Escola de Formação de Soldados da Polícia Militar. Em alguns casos, não é possível ficar em casa - os moradores de rua, por exemplo, sequer possuem uma - e a convivência com terceiros é inevitável. Nessa situação, é preciso reforçar o distanciamento, a higienização das mãos e o uso de máscara.

Há vários relatos de uma pessoa da família que se infectou e passou para todo o resto. "É mais fácil porque o pessoal fica mais próximo e as pessoas acabam tocando nos locais onde espirram, tossem e esses ambientes ficam contaminados", diz Carolina Pacca Mazaro, professora de virologia da Faceres.

Nos três locais citados acima, os indivíduos moram ou trabalham juntos, ou seja, possuem algum tipo de convivência, o que facilita ainda mais a contaminação - quanto mais íntimas as pessoas, maiores as chances de uma transmitir a doença para outra. Por isso, quando alguém é diagnosticado com Covid-19 a orientação é que a família também seja posta em quarentena.

Em Jaci, foram 77 casos, apenas um em pessoas não ligadas à Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus. As ocorrências foram em pacientes com deficiência do Hospital Santa Catarina e em tratamento contra o vício em drogas e álcool da Casa de Recuperação; em colaboradores da entidade e em religiosos. O frei Bruno, de 36 anos, morreu. Ele estava trabalhando na Casa do Cirineu, mas vivia em Jaci.

A Casa do Cirineu acolhe moradores de rua em Rio Preto. Depois que alguns apresentaram os sintomas da doença, foram realizados 90 testes e 31 deram positivo. As pessoas foram encaminhadas para Jaci para ficar em quarentena e em isolamento, respectivamente, em alas distintas.

Já na Escola de Formação da Polícia Militar, foram confirmados 21 casos entre alunos-soldados, que foram afastados.

De acordo com a virologista Carolina, o coronavírus é bastante contagioso e de fácil transmissão. Em média, cada pessoa pode transmitir para até outras três. Nesse momento, manter o distanciamento e evitar as aglomerações é a única maneira de se proteger. Quem puder, deve ficar em casa. "A gente não tem tratamento efetivo, não tem vacina disponível, por enquanto até o momento é só o distanciamento para diminuir a contaminação."

A orientação é para evitar os ônibus - mais pessoas estão utilizando, conforme dados divulgados pelas secretarias de Saúde e de Trânsito. "A chance de adquirir a doença apesar de todos os cuidados, máscara e higiene das mãos, é maior", diz André Baitello, assessor especial da Saúde.

Cuidados simples

O vírus sobrevive por até 72 horas no aço - ou seja, seu anel, colar, as panelas e os talhares podem ficar infectados por três dias. No plástico - aquele banco do parquinho do condomínio onde seu filho vai sentar ou na embalagem de chocolate - o vírus pode sobreviver por até três dias. Já na madeira (banco da praça), a sobrevida é de até quatro horas. No vidro, existente em pratos, copos e na tela do celular, o vírus permanece por até cinco dias. Esses são dados do Journal of Hospital Infection com relação à sobrevivência dos coronavírus.

Cuidados simples podem ajudar a evitar a contaminação de quem precisa sair de casa. O primeiro é utilizar máscara em todos os lugares e trocar o item no mínimo a cada três horas ou sempre que ela ficar úmida. A peça de pano não deve ser reutilizada sem passar por uma lavagem e as descartáveis devem ser jogadas no lixo após o uso.

A máscara não é garantia de proteção absoluta. "O Ministério da Saúde está preconizando um metro e meio de distância", orienta a virologista Carolina. O ideal é não tocar em superfícies se isso puder ser evitado; lavar as mãos com frequência e não levá-las ao rosto se não estiverem limpas, já que o vírus entra pela boca, pelo nariz e pelos olhos.

"É melhor tirar o sapato antes de entrar em casa, fazer uma limpeza dele com solução de hipoclorito, álcool ou água e sabão. A roupa também tem que ser lavada, é a melhor alternativa. O melhor é não repetir. Tem gente que põe no Sol, mas é melhor lavar, e não é para colocar no meio da roupa limpa", orienta.

No trabalho, o certo é evitar compartilhar materiais como telefone e caneta. Caso isso seja inviável, higienize os objetos entre um uso e outro. Adereços até podem ser utilizados, mas é preciso optar por modelos menores e com a higienização após o uso. Se possível, o cabelo deve ficar preso e o banho deve ser tomado tão logo se chegue da rua, com lavagem dos fios. "Quanto mais higiene pessoal, melhor", diz Carolina.

Começou nesta quarta-feira, 13, a limpeza da Casa do Cirineu, no bairro São Francisco, em Rio Preto. O primeiro passo foi lavar o espaço, que abrigava moradores de rua, mas agora, por conta do surto de coronavírus, está sem ninguém. Todos eles estão em Jaci, em isolamento social. Nos próximos dias, será feita uma desinfecção, para eliminar qualquer possível foco de coronavírus. Foram diagnosticados 31 casos da doença entre moradores do local. O acolhimento no local é uma parceria entre a Prefeitura de Rio Preto e a Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus.

Sobre os casos diagnosticados na Escola de Formação, a Polícia Militar garantiu que tem adotado todas as medidas necessárias para garantir a proteção dos policiais, com a aquisição e distribuição de equipamentos de proteção individual, mudanças de protocolo de atendimento ao público e cuidado dos ambientes de trabalho. Conforme a nota emitida pela corporação, todos os membros passam por testes rápido.

"Houve a detecção prévia de alguns casos de coronavírus entre os alunos-soldados. O Comando local de pronto afastou todo o corpo discente e docente das atividades curriculares", afirmou, garantindo que redobrou os cuidados preconizados pelas autoridades de saúde. (MG)

RIO PRETO

  • 352 casos confirmados
  • 10 mortes
  • 82 internados (incluindo casos positivos e suspeitos)
  • 74 recuperados

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde

REGIÃO

  • 919 casos confirmados
  • 33 mortes
  • 390 recuperados

Fonte: Secretarias de Saúde dos municípios

ESTADO

  • 51.097 casos confirmados
  • 4.118 mortes
  • recuperados: não divulgado

Fonte: governo do Estado

BRASIL

  • 188.974 casos confirmados
  • 13.149 mortes
  • 78.424 recuperados

Fonte: Ministério da Saúde

MUNDO

  • 4.308.055 casos confirmados
  • 294.155 mortes
  • 1.518.424 recuperados

Casos confirmados e mortes

  • Estados Unidos: 1.411.488 e 83.953
  • Espanha: 271.095 e 27.104
  • Rússia: 242.271 e 2.212
  • Reino Unido: 229.705 e 33.186
  • Itália: 222.104 e 31.106
  • Brasil: 188.974 e 13.149
  • Alemanha: 173.824 e 7.792
  • Turquia: 143.114 e 3.952
  • França: 140.734 e 27.074
  • Irã: 112.725 e 6.783

Uso da máscara

  • Utilize a máscara o tempo inteiro em locais públicos.
  • Se vai permanecer bastante tempo fora de casa, leve várias, pois ela precisa ser trocada a cada três horas, pelo menos.
  • Evite ficar tocando na máscara. Se precisar tirá-la, puxe pelo elástico.
  • A máscara deve cobrir a boca e o nariz.
  • Lave as máscaras antes de reutilizá-las. Antes, deixe alguns minutos de molho.

Distanciamento

  • O uso da máscara não substitui o distanciamento social.
  • Fique a pelo menos um metro e meio de distância de outras pessoas.
  • Evite tocar nas superfícies como corrimãos, balcões, maçanetas...
  • Tem sintomas de resfriado? Fique em casa. Para obter o atestado, busque informações pelo telefone 0800 77 22 123.

Higienização

  • Lave as mãos sempre que possível; na falta de água e sabão, utilize álcool em gel.
  • Evite tocar no rosto com as mãos sem lavar.
  • Procure utilizar tudo de forma individual, mas se precisar compartilhar itens de trabalho com colegas, como telefone ou canetas, faça uma higienização do objeto antes, com álcool 70%.

Na hora de voltar para casa

  • Não entre em casa com o sapato que veio da rua. Entre descalço ou deixe um calçado na entrada.
  • Antes de guardar, lave com água e sabão ou higienize com álcool ou uma solução de hipoclorito.
  • O ideal é não repetir roupas, nem a calça jeans ou casaco - deixar no Sol até pode matar alguns vírus, mas não é o mais seguro. O melhor mesmo é lavar.
  • Não coloque roupa suja com roupa limpa. Se não vai lavar na hora, deixe as peças separadas.
  • Higienize celular, bolsa, mochila, chaves do carro e de casa, joias e bijuterias quando chegar da rua. Evite usar peças grandes.
  • Procure ficar com os cabelos presos. Assim, você evita ficar levando as mãos ao rosto.
  • Se possível, tome banho assim que chegar em casa.
  • Quanto mais higiene, melhor. Então, se der, lave o cabelo todos os dias.

Fonte: Carol Pacca Mazaro, professora de Virologia da Faceres