ATITUDES DE VALOR

Iniciativas solidárias ajudam hospitais de Rio Preto e região

De famosos a anônimos, são muitas as iniciativas solidárias para ajudar hospitais de Rio Preto e região a melhorar as condições de atendimento dos pacientes e o trabalho de seus profissionais


DJ Jhonny com parte dos itens arrecadados que foram doados para 
a Funfarme
DJ Jhonny com parte dos itens arrecadados que foram doados para a Funfarme - Reprodução

Alimentos, álcool em gel, máscaras de tecido e descartáveis, produtos de limpeza e dinheiro. Os hospitais de Rio Preto precisam de doações para atender aos pacientes de Covid-19 e também os com outras doenças. Além da despesa ter aumentado, com a necessidade de manter mais leitos e mais profissionais e comprar mais equipamentos de segurança, algumas receitas também caíram, pois deixaram de atender procedimentos eletivos. Famosos, como a dupla Zé Neto e Cristiano, a cantora Bruna Viola e o cantor Seu Moço, empresas, prefeituras e pessoas físicas estão fazendo sua parte.

João Paulo Ferracini, o DJ Jhonny, de 27 anos, morador de José Bonifácio, fez uma live em 20 de abril para arrecadar itens para o Hospital de Base. O gesto de solidariedade foi motivado por uma vontade de retribuir o que recebeu - quando criança, ele teve um problema sanguíneo e passou vários meses internado no HB. "Eu já tinha o sonho de fazer um Desafio do Bem. Deu 4 mil quilos de alimentos, álcool em gel, máscaras. Tudo foi para o Hospital de Base", conta. A meta era bater 500 quilos de doações - se isso acontecesse, Jhonny rasparia o cabelo, promessa que foi cumprida ainda durante a live. "É uma sensação emocionante, já estou pretendendo fazer outra live para arrecadar mais coisas para eles."

Luzia Fazzoli, empresária de 58 anos, doou 16 mil máscaras de pano à Santa Casa e 10 mil ao HB. Dona de uma confecção, ela adquiriu a matéria prima e costureiras terceirizadas produziram os itens. "Quis colaborar com o lado humanitário, isso me levou a doar. Eu senti a necessidade porque sou da área de confecção e de ter um trabalho dentro da cidade. Pretendo fazer mais uma doação para o Nordeste, para ajudar o pessoal que está em situação de escassez."

Na última semana, a Facchini doou R$ 100 mil para o HB, que serão utilizados no cuidado de crianças e idosos. "Nossa prioridade é contribuir com a saúde, bem-estar das pessoas e com serviços que, um dia, todos possamos vir a precisar", diz Marcelo Facchini, diretor da empresa, que também contribuiu com outras instituições.

Amália Tieco, diretora-administrativa do HB, diz que essa ajuda tem representado "tudo" atualmente. "A solidariedade é uma coisa democrática, todas as pessoas podem ajudar. É uma coisa gratificante, dá força para trabalhar. Você vê que não está sozinho."

Jorge Fares, diretor-executivo da Funfarme, diz que existe uma insegurança financeira. Somente nesta semana, será preciso contratar 70 funcionários para incrementar o atendimento à Covid-19, além de repor as gestantes e idosos afastados. Todos os dias, uma média de 30 colaboradores são afastados com síndrome gripal e, embora boa parte dos exames seja negativo para coronavírus, eles precisam ficar em isolamento até que o resultado saia.

"Seja em dinheiro, seja em materiais e alimentos, tudo tem sido muito bem aproveitado. Esperamos que continue e amplie. Não sei quanto tempo vai durar", pontua. Além de estarem realizando menos procedimentos de áreas eletivas, como cirurgias, as despesas dos hospitais aumentaram com a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) e também com alguns medicamentos. "Entre queda de receita e aumento de despesas, o prejuízo vai ser na faixa de R$ 8 milhões a R$ 9 milhões por mês", estima.

Valdir Furlan, administrador da Santa Casa, aponta o mesmo problema. "As despesas cresceram muito porque os EPI são muito caros, o aumento do consumo fez com que os valores tivessem aumento de preços absurdos. O tratamento do paciente com síndrome respiratória aguda é muito caro. Um paciente em respirador custa para nós de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil por dia e o Ministério da Saúde vai remunerar para a gente R$ 1,6 mil. O resto sai da instituição. Essas doações cobrem essas despesas."

Ele cita algumas contribuições. "O Sindifisco e a Unafisco, da Receita Federal, doaram máscaras e aventais cirúrgicos; a Tereos doou 2 mil litros de álcool; recebemos 2 mil quilos de alimentos do Porecatu", enumera. "Várias empresas colaborando. Auxilia a instituição", garante. Furlan reforça que não importa o tamanho: qualquer doação é bem vinda e ajuda, não importa se de poucas unidades de sabonete ou pasta de dente, por exemplo. "A gente só tem realmente que agradecer. O importante é a solidariedade que a população está tendo em contribuir neste momento de crise."

Como ajudar

O HB abriu nesta semana um portal para concentrar as doações. A página www.hospitaldebase.com.br/doacaocorona mostra as formas que as doações podem ser feitas e ao mesmo tempo será um local para mostrar onde os recursos estão sendo empregados. Dúvidas podem ser tiradas pelos telefones (17) 3201-5198 ou (17) 99633-6438.

A Santa Casa de Rio Preto também está aceitando colaborações. Para ajudar, basta depositar qualquer valor na conta do Banco Santander, na Agência 0434, Conta Corrente 13006220-1. O CNPJ é o 59.981.712/0001-81, em nome de Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São José do Rio Preto.

Divulgação

A Secretaria de Saúde recebeu na segunda-feira, 11, mil unidades de protetores faciais doadas pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP). O item é um equipamento de proteção individual utilizado por profissionais que atuam na linha de frente das unidades de saúde, como médicos, enfermeiros e técnicos, entre outros. Ele é composto por uma viseira transparente que cobre todo o rosto do profissional, presa a um apoio de cabeça.

O IFSP, que suspendeu as aulas presenciais em 16 de março, está desenvolvendo uma série de ações de combate à Covid-19. A entrega dos equipamentos à Secretaria de Saúde de Rio Preto foi possível por meio da articulação dos campi de Catanduva e Votuporanga, com a reitoria do instituto, na cidade de São Paulo.

Canal

A Secretaria de Saúde criou um canal de comunicação para todos aqueles que querem contribuir com a doação de materiais destinados às equipes que trabalham no combate ao coronavírus. Interessados devem entrar em contato pelo telefones: (17) 3216-9753 ou 99791-1097 ou pelo e-mail: [email protected].