BLOQUEIO TOTAL EM ANÁLISE

Secretário estuda fechamento de áreas; empresários pedem abertura mais ampla

Em três dias, Rio Preto passou de 207 para 308 casos, avanço que faz a Secretaria de Saúde cogitar o aperto no isolamento social e o fechamento de áreas públicas, como pistas de caminhada


Pessoas caminhando no lago 3 da Represa Municipal de Rio Preto
Pessoas caminhando no lago 3 da Represa Municipal de Rio Preto - Johnny Torres 11/5/2020

Com 308 casos confirmados de coronavírus e uma curva em ascensão, o secretário de Saúde de Rio Preto, Aldenis Borim, não descarta a possibilidade de apertar as regras de isolamento social e até restringir a circulação de pessoas em alguns locais. Foi o que disse em live transmitida pelas redes sociais da Prefeitura nesta segunda-feira, 11.

Ele cita especificamente a chance de interditar a área de lazer do condomínio Quinta do Golfe e a Represa. "Não vejo outra saída, a conscientização já foi solicitada, pedimos guarda para orientar, fizemos tudo que era possível para não chegar ao extremo de fechar lugares tão bonitos, mas chegaremos, com certeza", afirma.

O assunto será debatido pelo Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, pelos secretários e pelo prefeito, Edinho Araújo. "Estamos chegando em uma situação de desobediência civil, pondo em risco vidas de outras pessoas", diz Borim.

Borim diz que pode mandar interditar outros pontos - sem citar quais. "Em quadras, locais poliesportivos, as pessoas rompem os alambrados e vão lá jogar futebol. Isso tem que ter um fim, porque é um meio de transmissão quase incontrolável." Para tentar conter a movimentação, a Prefeitura interditou o estacionamento da Represa há algumas semanas, porém as pessoas continuam criando aglomerações na região.

O número de casos em Rio Preto vem crescendo. Foram 47 dias para confirmar cem casos, de 12 de março a 29 de abril. A segunda centena foi atingida em 7 de maio, uma semana depois; três dias depois, no domingo, dia 10, Rio Preto chegou a 308 casos. Não há exames represados mais: o Instituto Adolfo Lutz de Rio Preto está realizando os testes dos pacientes em estado grave e internados e dos profissionais de saúde e a Funfarme/Famerp e o Ibilce/Unesp estão fazendo os dos pacientes com síndrome gripal leve, que tenham os sintomas, porém não apresentem sinais de gravidade (falta de ar e saturação baixa). As três instituições têm dado retorno em no máximo 48 horas.

A taxa de positividade tem aumentado. De 21 a 25 de abril, 5,91% de cada cem exames de coronavírus tinham resultado positivo; esse índice subiu para 15,8% de 26 a 30 de abril e foi para 18,8% de 1º a 6 de maio.

Em nota, a Prefeitura disse, por meio do Comitê Gestor de Enfrentamento ao Coronavírus, que as estratégias de combate ao espalhamento da Covid-19 na cidade são elaboradas a partir de diversos indicadores. "O fechamento de áreas públicas de lazer está em estudo, por conta das recentes aglomerações, com base nesses índices." A Prefeitura ressaltou que não existe neste momento uma proibição de praticar exercícios nesses locais, porém a recomendação é manter o isolamento social e sair de casa somente para as atividades essenciais.

Paralisação dos residentes

Um grupo de 60 residentes multiprofissionais da Famerp paralisou as atividades nesta segunda-feira, 11, após dois meses sem receber bolsa-salário do Ministério da Saúde. Eles prestam serviços ao Hospital de Base, Hospital da Criança e Maternidade, Unidades de Atenção Básica de Saúde e Vigilância Sanitária de Rio Preto.

Os residentes são da área da enfermagem, nutrição, fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional, odontologia e da área farmacêutica. "Está há dois meses atrasado, o Ministério da Saúde fala que há inconsistência nos dados, mas tudo o que passamos não tem retorno deles. Único retorno foi um post do ministro da saúde no Instagram, falando que iria regularizar a situação até o dia 15 de maio. Não conseguimos contato por telefone e nem de outro jeito", diz uma residente, que não quis se identificar.

O valor bruto da bolsa-salário é de R$ 3.330,43 e os valores em atraso são de quem entrou em março deste ano no projeto. "Optamos por paralisar. Muitos residentes são de fora, não têm condições de manter alimentação, aluguel e contas. Estamos trabalhando na linha de frente. Gostaríamos de atuar, mas não temos condições de nos manter", afirma a residente.

Dos 60 profissionais paralisados, 20 são enfermeiros. "Com a paralisação, os profissionais de saúde infelizmente deixam de atender uma grande demanda de pacientes de toda a região de Rio Preto. É importante destacar que existem profissionais atuando diretamente com pacientes e familiares de pacientes acometidos com o novo coronavírus. Destacamos que essa paralisação é nossa última opção diante da inércia do Ministério em resolver esse problema", destaca outro residente.

A Secretaria de Saúde informou que o atendimento nas unidades está normal, sem prejuízo para a população.

Em post no Instagram, o ministro Nelson Teich disse que a falha foi em decorrência de erro no dígito verificador da conta bancária ou CPF inválido do residente e afetou 10.520 profissionais, de um total de 22.302. Ele afirma que os valores serão acertados até o dia 15 de maio.

(Colaborou Victor Stok)

Dentre os 16 pacientes com coronavírus confirmados que estavam internados neste domingo, 10, onze estavam em unidades de terapia intensiva e cinco em enfermaria. Havia ainda outros 52 pacientes com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) internados. Alguns tinham suspeita de Covid-19 e parte dos pacientes foi acometida por outros problemas, como gripe comum. Os pulmões foram afetados com gravidade, demandando hospitalização.

De acordo com o secretário de Saúde, Aldenis Borim, são pessoas que ocupam leitos por bastante tempo e precisam de respiradores, pois também têm doenças respiratórias. O número de pacientes internados com SRAG grave vem aumentando e ultrapassa o registrado em outros anos, conforme dados mostrados pela Saúde.

Conforme o secretário, a ocupação de leitos nos hospitais da cidade é em torno de 20%. Caso esse número alcance os 70%, há previsão de equipar um hospital de campanha, previsto para funcionar no Hospital Dia, na avenida Philadelpho Gouveia Neto. (MG)

Reprodução

Os números de isolamento social do Estado de São Paulo, calculado com base em dados de rastreamento dos celulares, mostram uma queda na quantidade de pessoas que estão atendendo ao pedido de ficar em casa. No último sábado, ficou em 43% em Rio Preto, e no domingo, Dia das Mães, em 47%, os menores índices para um fim de semana desde que o monitoramento começou, em março.

O número de usuários no transporte público também aumentou. No início da quarentena, havia despencado de 554,3 mil para 146,6 mil por semana. Na semana de 3 de maio a 9 de maio, 231,8 mil usuários passaram pelas circulares de Rio Preto, um aumento de 58%. "Isso é inaceitável", considera Aldenis Borim, secretário da Saúde.

Ele reforça que a máscara é importante e protege todos, porém apenas o item não é suficiente. "Você pega em vários locais, senta em um banco onde outra pessoa pode ter sentado. Esses índices são alarmantes, mostram um isolamento cada dia pior. A chance de ter uma curva verticalizada nos próximos dias é muito grande".

O médico reforça que os casos que estão sendo confirmados correspondem a contaminações que ocorreram há vários dias. Isso porque o vírus fica por até duas semanas incubado, ou seja, sem apresentar sintomas. "O que está acontecendo hoje veremos 15 dias à frente." (MG)

Johnny Torres 11/5/2020

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), Kelvin Kaiser, defendeu nesta segunda-feira, 11, a regionalização dos números da pandemia do coronavírus junto ao governo do Estado de São Paulo para que o prefeito Edinho Araújo (MDB) tenha maior autonomia para ampliar ou não os serviços fechados no município. Em live realizada pelo Diário nesta segunda-feira, Kaiser afirmou que Edinho "está de mãos atadas" diante do decreto anunciado pelo governador João Doria (PSDB) na última sexta-feira, 8.

Kaiser afirmou que o empresariado debate medidas de flexibilização com Edinho, que participa do Comitê de Municipalidade criado pelo governo estadual, integrado por 16 prefeitos de cidades sede de regiões administrativas do Estado. Eles querem flexibilizar o funcionamento de alguns segmentos do comércio e serviços antes do fim da quarentena, no dia 31 de maio. "A nossa proposta é trabalhar em conjunto com Edinho, ajudando-o com mais informações do que ele já tem, para que ele consiga defender a regionalização dos números e, dessa forma, fazer com que São José do Rio Preto tenha autonomia para decidir o que abre e o que não abre em virtude do controle do número de infectados do município. Este é um dos caminhos", afirmou o presidente da Acirp. Ele participou da live ao lado da empresária Adriana Neves, ex-presidente da associação e atual integrante do comitê de crise da Acirp.

O empresário disse ainda que outro caminho é interpretar o decreto Estadual, inclusive, com o apoio do Ministério Público para discutir quais outras atividades estão possibilitadas de abrir, ainda que com limitações. "Sempre, é claro, com muita responsabilidade para não infringir o decreto, mas ajudar a economia de Rio Preto flexibilizando mais alguns setores", afirmou Kaiser.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomercio), Ricardo Arroyo, afirmou nesta segunda-feira que os empresários devem enviar um novo documento a Edinho para pedir a reabertura de lojas da região central. "Temos uma empresa do setor varejista que já demitiu 120 funcionários. Muitas empresas não vão conseguir reabrir após o fim da pandemia", afirmou Arroyo. "Tenho seis lojas que me pagam aluguel, mas não consegui receber de nenhuma delas. Como vou cobrar o aluguel se as empresas não têm faturamento?", questionou.

De acordo com Arroyo, os sistemas de drive-thru e delivery permitidos pela Prefeitura não deram o resultado esperado pelos comerciantes. Ele disse que as empresas que aderiram ao sistema venderam cerca de 10% de um dia normal. "Não consegue sequer pagar as despesas do dia. Fazem isso para não ficar em casa", afirmou o presidente do Sincomércio.

Último recurso

Durante a live promovida pelo Diário, a empresária Adriana Neves afirmou que a demissão de funcionários deve ser a última opção das empresas. "É muito triste ter de demitir alguém", afirmou ao defender medidas que possam minimizar os impactos da crise em Rio Preto. Segundo ela, o diálogo com sindicatos tem sido produtivo no sentido de encontrar saídas para mitigar os reflexos da pandemia.