REINVENÇÃO DO ENSINO

Aula online vira rotina nas universidades de Rio Preto

Para não parar os estudos durante a pandemia do coronavírus, professores e alunos de cursos tradicionalmente presenciais descobrem como ensinar e aprender de forma remota


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Professora e coordenadora do curso de medicina veterinária Karina Ferreira de Castro durante 
aula remota
Professora e coordenadora do curso de medicina veterinária Karina Ferreira de Castro durante aula remota - Arquivo Pessoal/ Karina Ferreira de Castro

O coronavírus não impôs mudanças apenas na vida social, mas também na maneira de estudar. A sala de aula online, que era uma mera opção na hora de escolher um curso superior, virou obrigação para estudantes de todo o País manterem a rotina durante a pandemia da Covid-19. Poucos imaginariam em ter como sala de aula o quarto de casa e o professor na tela de um computador em cursos tradicionalmente presenciais como Medicina, Veterinária, Direito e Engenharia Civil, mas tudo mudou desde março, quando as aulas presenciais foram suspensas no Estado de São Paulo.

Para não parar os estudos todas as universidades privadas de Rio Preto optaram pelo ensino remoto. Nas semanas seguintes ao decreto de isolamento social, a Famerp e a Fatec também começaram a oferecer aulas remotas. Nas próximas semanas, será a vez do Ibilce/Unesp, que terá aulas a distância em disciplinas específicas.

Quem teve que se reinventar foram professores como Karina Ferreira de Castro, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Unirp. Tendo o gato como único companheiro durante as aulas, trocou a lousa pelo computador para se comunicar com os alunos. "Foi um desafio para todos nós, tanto alunos quanto docentes, porque nosso curso não é remoto, é presencial. Mas todo mundo está se reinventando e está sendo muito produtivo", falou.

O estudante de veterinária Ivan Carlos Zanchetta, de 34 anos, mora em Jaci e tem acompanhado as aulas a distância na plataforma disponibilizada pela universidade, sem precisar vir a Rio Preto. "O ensino de forma remota exige muito foco do aluno, pois não estamos no ambiente de aprendizado".

Na Famerp, os alunos do 1º ao 4º ano dos cursos de graduação também estão tendo aulas remotas e receberam orientações de como confeccionar um boneco utilizando garrafa pet, camiseta e cobertor. "O boneco da garrafa pet está sendo utilizado na aula de Suporte Básico de Vida em adulto. Durante a aula online os alunos têm a oportunidade de realizar a prática de compressão junto com o vídeo demonstrativo", explicou professor Gilmar Greque.

Para ensinar sobre a higienização correta das mãos, os professores utilizam uma luva suja de tinta. "As aulas continuam, principalmente, com matérias teóricas, já as aulas práticas e estágio obrigatório só vão voltar quando as autoridades de saúde permitirem", afirmou o professor doutor do curso de Medicina da Unilago, Edmo Atique Gabriel.

Segundo o diretor de ensino da Famerp, Sérgio Luís Brienze, contudo, uma das dificuldades encontradas são de alunos que não tem acesso a internet. "Alguns relatam que o pai perdeu o emprego, mas estamos seguindo o semestre e ajudando esses estudantes, lembrando que essas aulas sempre ficam gravadas na plataforma e que a gente oferece a sala de informática para quem puder vir, seguindo todos os cuidados".

Outra faculdade de Rio Preto que também precisou se adaptar foi a Fatec. A instituição de ensino antecipou as férias de julho no mês passado e desde o dia 4 de maio retomou as aulas em uma plataforma online da Microsoft, onde os alunos podem se comunicar com os docentes. "Nas aulas, o professor ministra o conteúdo de casa. Então tem um momento que ele apresenta o conteúdo e, se tiver um texto, isso já é disponibilizado para os estudantes", destacou o diretor da Fatec de Rio Preto, Ademar Pereira dos Reis Filho.

Mensalidade

Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) mostrou que, em decorrência da crise do novo coronavírus, 41% dos estudantes acreditam que terão dificuldades em pagar as próximas mensalidades dos cursos e 20% apontam a redução da renda como fator para uma possível desistência.

"Essa é uma situação que afetou todos os setores da economia no Brasil e no mundo. As instituições de ensino particulares são responsáveis por prover formação a mais de 6 milhões de estudantes, neste sentido a principal orientação foi que as universidades se adaptassem o mais rápido possível para atender as recomendações do Ministério da Educação, bem como minimizar ao máximo os prejuízos acadêmicos para seus alunos", pontuou o diretor executivo da Abmes, Sólon Caldas.

Desde o início da quarentena, o Ministério da Educação (MEC) publicou um decreto permitindo que as instituições de ensino substituam as aulas presenciais pelas de forma remota durante a pandemia. Ficam suspensos por tempo indeterminado apenas os estágios obrigatórios e aulas presenciais.

Sobre a redução da mensalidade das instituições particulares, Sólon da ABMES disse que a decisão tem de ser vista dos dois lados. "Ao contrário do que se pensa, as instituições tiveram que investir em tecnologia para disponibilizar aos alunos as aulas remotas, o que gerou um elevado custo nas operações", falou.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), Carlos Longo, destacou que as aulas remotas virtuais com a presença dos professores são síncronas e, portanto, diferentes da metodologia utilizada na EaD, quando as aulas estão previamente gravadas e não acontecem em um horário específico. Carlos acredita que com as aulas a distância durante a pandemia a educação na modalidade EaD possa ser mais valorizada. "Isso tem um benefício a médio e longo prazo, tanto o corpo docente, quanto ao estudante que tem uma visão do EaD como uma coisa ruim, de menor valor, e começa a perceber que a tecnologia bem aplicada vale a pena, principalmente com o ensino híbrido", opinou.