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- - 02.Mai.2020

Duas universidades de Rio Preto também participam de pesquisas sobre o novo coronavírus. Na Unesp de Rio Preto, a professora Paula Rahal, do Laboratório de Virologia, submeteu um trabalho que busca desenvolver um antiviral contra a Covid-19. "Vamos testar um antiviral específico para tentar inibir a entrada do coronavírus e a replicação dele na célula", explicou.

A pesquisadora já havia descoberto a presença de um "primo" do coronavírus em morcegos da região. Nos animais estudados, foram encontrados alfacoronavírus, que pode ser considerado um "parente distante" do betacoronavírus que provoca a Covid-19. Segundo os pesquisadores, o vírus da região é específico de morcegos e não oferece risco de infecção em humanos.

Outro projeto financiado e que já está em desenvolvimento na cidade é coordenado pelo professor Maurício Lacerda Nogueira, da Famerp. No estudo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), serão analisados pacientes da Vila Toninho e pacientes internados com coronavírus no Hospital de Base de Rio Preto. O objetivo é saber sobre como o vírus age no organismo humano.

"Queremos identificar quantos têm infecção sintomática, quantos têm assintomática. Vamos entrar em contato, analisar o soro desses pacientes para saber no final do ano quantas pessoas foram expostas ao coronavírus", explicou o virologista em entrevista ao Diário quando o financiamento da Fapesp foi aprovado. Ele foi procurado novamente para falar sobre o desenvolvimento da pesquisa, mas não se manifestou até o fechamento da edição.

Na pesquisa coordenada por Nogueira, amostras serão coletadas para posterior análise de citocinas pró-inflamatórias - possíveis marcadores biológicos que indicam agravamento da doença. "Vamos analisar as características clínicas e virológicas. Queremos verificar o que faz a doença ser mais grave em uma pessoa que em outras - se é o organismo, se é o vírus, se é como ele responde, se é o sexo, se é a idade", explicou.

Segundo o virologista do Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, Flávio Guimarães Fonseca, se sabe pouco sobre como o coronavírus age no organismo humano. "Até agora o que sabemos é que a maior parte das pessoas que são infectadas vão ter uma infecção semelhante a um quadro gripal ou resfriado, ou seja, vai tossir, ter uma febre. E muitos outros não vão ter nenhum sintoma", disse. (RC)