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Esportes

Fã de lego e 'pioneira' da saúde mental, nº 1 do tênis busca consistência no topo

Estadão Conteúdo
Publicado em 09/05/2022 às 11:00Atualizado em 09/05/2022 às 12:07

Tudo mudou para Iga Swiatek em menos de uma semana. A tenista polonesa alcançou o topo do mundo da mesma forma surpreendente com que despontou no circuito em 2020, ao se sagrar campeã de Roland Garros. Desta vez, a ascensão ao posto de número 1 do ranking contou com uma série de títulos e uma "ajudinha" extraquadra, a aposentadoria inesperada de Ashleigh Barty. Então vice-líder, Swiatek alcançou o topo.

A subida foi surpreendente porque a primeira polonesa da história a figurar como número 1 do mundo, tanto no masculino quanto no feminino, era a terceira do ranking até o dia 19 de março. No dia seguinte, conquistou o WTA 1000 de Indian Wells, nos Estados Unidos, e garantiu a segunda colocação. Três dias depois, Barty anunciava sua aposentadoria e Swiatek herdava a liderança do ranking.

"Foi muito estranho porque chegar ao topo foi meu objetivo por apenas dois dias e aconteceu muito rápido. Claro que, para mim, isso é algo especial. Nunca esperei que fosse assim, achei que fosse acontecer de outra forma", diz a polonesa, que admitiu dificuldades para processar essa mudança tão veloz em sua vida. "Foi, sim, bem difícil para eu processar."

Mas sua chegada ao topo não teve nada de sorte ou acaso. Mais jovem tenista a virar número 1 desde a dinamarquesa Caroline Wozniacki, em 2010, a atleta de apenas 20 anos faz trajetória fulminante na temporada até agora. São 23 vitórias consecutivas e quatro títulos seguidos - se tornou a primeira da história a vencer os três primeiros torneios de nível WTA 1000 da temporada.

Apesar da surpresa, Swiatek (lê-se "Ixvianték") está mais preparada que a média para assumir esse papel de liderança. "Do meu ponto de vista, acho que nada vai mudar. Talvez eu precise me cuidar para estar sempre de roupa limpa para representar bem o tênis. Então, vou tomar cuidado com isso. Mas, honestamente, sou a mesma pessoa de sempre", diz a atleta, que é nascida em Varsóvia e tem o esporte no sangue - seu pai, Tomasz, foi remador olímpico e disputou os Jogos de Seul-1988.

A polonesa está tão preparada para o topo que, antes mesmo de a saúde mental se tornar discussão pública no mundo dos esportes, ela já contava com uma psicóloga em sua equipe. A também polonesa Daria Abramowicz é a responsável por fazer a jovem tenista seguir em alto nível, apesar das novas responsabilidades e eventuais distrações. No ano passado, Swiatek até fez uma doação de US$ 50 mil (cerca de R$ 248 mil) para o Dia Mundial da Saúde Mental.

UNANIMIDADE NO CIRCUITO

Sua chegada ao topo foi celebrada por compatriotas de sucesso, como o atacante Robert Lewandowski, do Bayern de Munique, e a escritora Olga Tokarczuk, prêmio Nobel de Literatura de 2018. Swiatek foi aclamada também pelas colegas do esporte. "Ver como Iga cresceu como tenista é algo muito bonito para mim. Ela tem foco no tênis e somente no tênis. Essa é uma postura que admiro muito e que reconheço com facilidade", diz a belga Kim Clijsters, que também tinha 20 anos quando chegou ao topo pela primeira vez.

A dona de seis títulos de Grand Slam compara Swiatek a Barty, antecessora no topo. "Não é porque você virou a número 1 e tem Grand Slams no currículo que pode tratar as pessoas de forma diferente. Ashleigh Barty evitou isso de forma incrível nos últimos anos e acho que Iga tem o mesmo foco. Ela tem muito respeito pelas outras pessoas", comparou.

A própria Barty referenda as opiniões de Clijsters. "Não há pessoa melhor (que Swiatek). Ela é uma pessoa incrível e uma grande tenista. O jeito como ela trouxe essa energia nova e sem medo à quadra é incrível", comenta a australiana, referência da modalidade nos últimos anos pela dominância em quadra e pela postura respeitosa no circuito.

A postura pé no chão da nova número 1 do mundo se tornou conhecida no mundo do tênis em 2020, quando se tornou a tenista com o pior ranking da história a vencer Roland Garros. Era a 54ª do mundo. Na ocasião, o Grand Slam francês foi disputado em outubro por conta da pandemia de covid-19. Swiatek assombrou o circuito ao faturar o título sem ceder um set sequer.

Meses depois, ela afirmou que a pandemia acabou ajudando em sua conquista. "Sei que a situação causada pela covid-19 e a parada que tivemos no circuito (naquele ano) provavelmente me ajudaram. Não sei se teria o mesmo sucesso se não houvesse a covid-19", comentou.

Mas nem sempre o jeito sincera e até brincalhona renderam os efeitos esperados. Logo após despontar no circuito, surpreendeu numa entrevista ao afirmar que havia aprendido tênis jogando PlayStation. Ela precisou vir a público para explicar a brincadeira e que não era uma jogadora inveterada de vídeo game - quando joga, escolhe o avatar de Rafael Nadal.

Swiatek gosta mais de diversão à moda antiga. Fã declarada de Lego, ela levou duas grandes caixas do brinquedo para montar em seu quarto de hotel, enquanto estava em isolamento, assim como os demais tenistas, na edição do ano passado do Aberto da Austrália, em janeiro. Ela também é fã de literatura e de rock 'n roll. Suas bandas favoritas são AC/DC e Pink Floyd.

REGULARIDADE

No topo, Swiatek agora quer mostrar algo raro no circuito feminino nas temporadas mais recentes: consistência. Oito tenistas ocuparam o posto de número 1 do mundo nos últimos cinco anos. Para efeito de comparação, o ranking masculino contou com apenas quatro líderes diferentes.

"Muitas mulheres estão lutando para ter maior consistência e é por isso que temos tantas novas campeãs de Grand Slam. Não somos tão consistentes quanto Rafa (Nadal), Roger (Federer) e Novak (Djokovic)", diz a polonesa, sucessora de Barty e Naomi Osaka, que foram número 1 entre 2019 e 2022.

Antes desta dupla, houve um revezamento envolvendo seis tenistas entre o início de 2017 e 2019: Serena Williams, Angelique Kerber, Karolina Pliskova, Garbiñe Muguruza,

Simona Halep e Carolina Wozniacki. Somente Serena já tinha passagens anteriores pelo topo. No masculino, apenas Andy Murray era estreante na posição de número 1 no intervalo entre 2017 e a atual temporada.

"A consistência é o meu objetivo. Isso será difícil de ser alcançado, principalmente com a minha idade, mas eu sei que o meu time tem um plano. Sei que temos muito trabalho pela frente", projeta a líder do ranking da WTA.F

 
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