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Diário da Região

17/12/2016 - 03h24min

Epiritualidade

Você em estado de comunhão

Epiritualidade

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O filósofo, escritor e educador indiano Jiddy Krishnamurti (1895-1986) escreveu que a maioria de nós não está em comunhão com coisa alguma. Não estamos diretamente em comunhão com nossos amigos, com nossas esposas, nossos filhos. "Existem sempre barreiras - barreiras mentais, imaginárias e reais. E essa separação é, sem dúvida, a causa do sofrimento. "Não há distância mais triste do que aquela entre os corações.

Somos ensinados desde pequenos a competir, perdendo a referência de que é o encontro e a comunhão que nos tornam plenos e não a busca de sermos melhores do que os outros", explica a psicóloga Debora Dubner, focalizadora de danças circulares e autora do livro Dançando com a Vida. Nesta corrida desenfreada por ganhar, desconectamos do sentido da vida em comunidade, desacreditando no poder da realização coletiva. Sentimo-nos isolados, solitários e incapazes de contar com o apoio dos outros.

Estagnamos na crença de que precisamos lutar pela sobrevivência, com um sentimento de escassez que guia nossos passos e nos impede de olhar em volta e acreditar nas pessoas e em nós mesmos. O resultado de uma vida sem comunhão? "Estresse, destruição da natureza, desconfiança, solidão e desesperança. É este o cenário que nos é apresentado todos os dias na mídia, nas ruas e nas conversas cotidianas", diz. "Realmente é inegável que o mundo moderno nos faz cada vez mais valorizar o ter as coisas, sem a preocupação de ser", diz o iogaterapeuta Salvador Hernandes.

Não há problema nenhum em se ter coisas, pois vivemos numa realidade em que podemos ter coisas sem ser possuídos por elas. "Na verdade, muitos de nós nos preocupamos em ter coisas não pelo que elas realmente nos proporcionam, mas pelo que elas representam na sociedade. Posso ter um supercarro, mas se é para mostrar para os outros isso vem do ego e não da minha verdadeira essência", argumenta. "Se ele é apenas um modo de me sentir mais importante e aplacar a minha sensação de falta, carência e escassez, vai aplacar essa carência por um curto espaço de tempo", completa. 

O mesmo vale para os relacionamentos. Se estou com alguém apenas para não estar sozinho ou para mostrar para os outros minha conquista amorosa, essa relação não vai me trazer o crescimento que os relacionamentos verdadeiros podem proporcionar. Continuaremos a sustentar nossa ansiedade de separação, que é o que motiva nossas doenças, nossos desequilíbrios individuais e coletivos. "Se me sinto desconectado de mim mesmo, dos outros, da natureza e de Deus, eu adoeço. Quando me sintonizo e me sinto em comunhão comigo mesmo, com os outros, com a natureza e com Deus, permaneço na rota de equilíbrio", diz Salvador.

Sem medo da perda

A abundância surge quando o medo da perda desaparece e a certeza de ter flui naturalmente. Viver é aprender a ser feliz com você. Conviver é aprender que pessoas, coisas e situações não te pertencem e, exatamente por isso, podem desaparecer, sem aviso prévio. A vida é uma mutação constante, contínua e progressiva. O que te pertence é o que você sabe, o que você sente e seu sistema de crenças mentais.

Onde existe apego, onde a pessoa diz "isso é meu, minha ou essa pessoa é minha" existe prenúncio de sofrimento. Desapegar-se, dar liberdade à vida, ao outro, vivenciar a liberdade é garantia de diminuição de sofrimento e aumento de felicidade. "As pessoas felizes não têm medo de perdas, pois não se sentem donos de nada, nem de ninguém. Vivem intensamente cada momento, cada comunhão daquele instante, com intensidade, e isso basta para a felicidade", diz o psiquiatra e dirigente espírita Ururahy Barroso. Cada experiência se torna única não pelo que está fora da pessoa, mas pelo que está dentro. Ela escolhe o que sentir. 

Encontre sua 'tribo'

Atualmente, existem milhares de pessoas e grupos que já acordaram para o fato de que este mundo no qual vivemos está ruindo e não sobreviverá. Estas "tribos" espalhadas pelo mundo estão engajadas em movimentos de cidadania nos diversos setores da sociedade. Coletivos se formam para cuidar de praças, rios, educação, saúde, mobilidade, política, nutrição, alimentação e trabalho. 
"A cada dia mais e mais pessoas têm aprendido a viver em comunhão, compartilhando bens e serviços e alterando significativamente a maneira de consumir e de criar", diz a psicóloga Debora Dubner. 

Mudança de olhar

A partir do momento em que você muda seu olhar e passa a comungar com as coisas e com as pessoas, a transformação é total. "Saímos do individualismo e acessamos a vida em interdependência. Entendemos que nossa família é planetária. Passamos a ter confiança e esperança. Saímos do estado de escassez para um sentimento de plenitude e abundância. Passamos a nos importar com a dor do outro, sem separá-la da nossa. Nos tornamos seres desanestesiados, mais vivos e acordados.

Passamos a cuidar melhor do nosso tempo e de nossas relações", explica a psicóloga Debora Dubner. Uma vida em comunhão que acolha nossas imperfeições e amplie nossa tolerância acessa o melhor que temos a oferecer. E se cada um de nós praticar, haverá menos conflitos, menos pobreza, menos julgamento e muito mais alegria, liberdade, esperança e amor. É fácil? Não, mas não é impossível. "Um viver mais simples, com experiências mais reais e satisfatórias pode nos trazer a cura", diz Salvador Hernandes. 

Desligue a TV e acesse outros 'mundos'

O mundo que sonhamos viver já existe, mas não está no radar da grande mídia. Então, desligue sua TV. Quem assiste aos jornais está optando por ver esse mundo desesperançoso que está morrendo. Para acessar este outro mundo é necessário uma escolha voluntária de conexão com o que está nascendo. Cuide de suas redes sociais para que sejam um espaço de compartilhar significado e esperança em vez de fofocas ou agressões. Escolha conversas que nutrem. Busque exemplos inspiradores. Leia histórias reais de projetos realizadores. Fale sobre isso, seja em semeador de abundância e não de escassez. Não é fácil, embora seja simples! É preciso muita força de vontade para alterar hábitos e andar na contramão das massas 

Vá ao encontro

Procure pessoas do seu bairro ou comunidades que você frequenta que estão fazendo algo com um propósito que faça sentido pra você. Essas pessoas podem ou não ser as que estão mais próximas de você neste momento. Podem estar na sua rua, escola, vizinhança, grupo que frequenta ou nas suas redes sociais. Pode ser que você tenha que ampliar um pouco seu olhar. Mas sempre tem gente por perto que está mobilizada com algum projeto que tem significado além de ganhar dinheiro. E se você procurar, certamente vai encontrar. Conecte-se com essas pessoas e ofereça seu tempo, seu dom, seu melhor 

Ouça seu chamado

Dentro de cada um existe uma voz que chama. Às vezes ela está mais acordada e outras vezes adormecida. Esta voz pede uma vida com significado. Ela quer que a nossa existência seja maior do que uma rotina sem esperança. Ouvir o chamado é conectar com essa voz e acreditar que somos capazes. Ao acolher isso dentro de nós, estaremos também acolhendo a voz dos outros e deixando que sejam o que querem ser, sem impor nossas verdades ou julgar suas escolhas. Comece nas pequenas coisas. Faça algo que você quer muito fazer e que te trará alegria e plenitude. Vá além do seu medo ou vergonha
 
Fonte: Debora Dubner

 

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