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Diário da Região

15/01/2015 - 01h46min

Tinto, branco, rosé e... laranja?

Vinho chama atenção pela coloração acobreada e âmbar

Tinto, branco, rosé e... laranja?

Johnny Torres “Grande parte dos vinhos laranja é fermentada em ânforas e o contato com as cascas supera seis meses. Alguns chegam a ficar um ano”, diz o sommelier Sergio Musolino
“Grande parte dos vinhos laranja é fermentada em ânforas e o contato com as cascas supera seis meses. Alguns chegam a ficar um ano”, diz o sommelier Sergio Musolino

Diferente e ainda difícil de ser encontrado, o vinho laranja chegou para fazer companhia na adega com os vinhos tinto, branco e rosé. Embora seja popularmente chamado de "vinho laranja", os italianos, maiores produtores dessa bebida, preferem denominá-la de "vino ambro". O motivo está relacionado exatamente à principal característica visual da nova bebida, uma cor mais acobreada e âmbar.


E para chegar a essa tonalidade intensa, não há necessidade da presença de nenhuma uva especial que seja da mesma cor. O sommelier Sergio Musolino, da Enoteca Decanter e Bekaa Delicatessen, de Rio Preto, explica que, nas regiões Friuli e Carso, na Itália, a uva mais usada é a Ribolla Gialla. "Já no Chile, a De Martino produziu um grande exemplar laranja fermentado com a uva Muscat".


Por isso, ele parte de uvas de vinhos brancos, mas é seu método de produção o responsável pela transformação. O processo permite mais tempo de exposição entre o suco e a casca da uva e também dispensa sulfitos e leveduras selecionadas na fermentação, comuns em técnicas tradicionais.


Outro diferencial é o armazenamento. Antigas ânforas de terracota, por exemplo, são as escolhidas pelo enólogo e produtor italiano Josko Gravner, pioneiro pelo resgate desse modelo tão antigo de fabricação de vinho. No entanto, segundo o sommelier Guilherme Corrêa, um dos grandes nomes brasileiros da área, de Blumenau, em Santa Catarina, nem todos os produtores desse tipo de vinho adotaram as ânforas - inclusive, algumas são até enterradas.

Johnny Torres Simsic Teodor Belo, da Eslovênia. R$ 179,40

"Alguns empregam vermelhos barris de madeira ou tanques de pedra, por exemplo."
Para Gravner, o uso das ânforas, trazidas especialmente da Geórgia, foram fundamentais para aumentar a pureza. Essa releitura de vinhos traz à tona a origem da vinicultura e é marcada pelo tempo. "Grande parte dos vinhos laranja é fermentada em ânforas e o contato com as cascas supera seis meses. Alguns chegam a ficar um ano.

Os que têm sua fermentação em madeira ficam, em média, três meses com as cascas. Nos dois casos, não há controle de temperatura, filtração ou estabilização", informa Musolino. Esse cuidado é justificado não só pela cor, mas pelos aromas e a complexidade obtidos com esse processo. "O vinho ganha mais cor, sabor e fica mais untuoso, mas também mais fresco e com boa acidez.

É um tipo de vinho com aromas mais cítricos, de frutas secas e cristalizadas, como damasco e uva passa, e muitas especiarias, como tomilho, pimenta, açafrão", diz o sommelier Paulo Cursino, da Enoteca Cursino. Vários países, como Itália, Eslovênia, Chile, África do Sul e Croácia já são produtores desse vinho. Até uma vinícola brasileira, a Eras dos Ventos, na região sul do país, já tem suas poucas e exclusivas garrafas.

Johnny Torres Zidarich Vitovska, da Itália. R$ 283,10

Questão de estilo


Para o docente em enogastronomia do Senac Rio Preto Edson Fernando da Costa, o vinho laranja voltou a ganhar destaque por especialistas por observarem sua facilidade de harmonização com diversos pratos, incluindo aqueles mais condimentados. O sommelier Paulo Cursino acredita que o vinho laranja foge do modismo, o que mantém seu status de autêntico. “Os próprios produtores se arriscam a fazêlo por uma questão de estilo, autenticidade e paixão pelo vinho.

E é interessante ter uma pequena bagagem na área de vinhos para entender a complexidade proposta por essa bebida”, ressalta Cursino. Para o sommelier blumenauense Guilherme Corrêa, o vinho laranja não será uma opção que se perderá com o tempo. “Não é modismo, é uma volta às origens, e sempre haverá quem aprecie a história do vinho. Na verdade, é uma tendência crescente de buscar formas mais naturais de se fazer vinho”, destaca o sommelier.


Vocabulário do vinho


Acidez: dá frescor agradável pela presença de ácidos do vinho, como cítrico, entre eles, e resulta em salivação

Corpo: sensação que dá peso e alto teor de extrato seco ao vinho, como uma ideia de “boca cheia”

Decantar: é a transferência do vinho para outro recipiente, de vidro ou cristal, para permitir a “respiração” do vinho e evitar as partículas do envelhecimento ao fundo da garrafa

Mosto: é o suco extraído da prensagem das uvas

Sulfito: é um tipo de conservante do vinho que previne sua acidificação

Taninos: é um tipo de polifenol, substância da uva que dá adstringência ao vinho, isto é, uma sensação de “amarrar” a boca

Untuoso: característica do vinho equivalente à aveludado, sedoso e viscoso

Fonte: Academia do Vinho, www.academiadovinho.com.br

Johnny Torres Renosu Bianco Tenute Dettori, da Itália. R$ 116,70

Harmoniza com o quê?


- Pratos mais condimentados, como os indianos
- Caças, como javali, cateto e paca
- Queijos e patês mais gordurosos, como o de foie gras
- Aperitivos e canapés

Fonte: Edson Fernando da Costa, docente de enogastronomia; Paulo Cursino, sommelier


Vinificação antiga


Ovinho laranja é produzido a partir deuma técnica muito antiga, datada de mais de oito mil anos, registrada pela primeira vez emuma região onde está a Geórgia. “É o mesmoprocesso usado para vinificar vinhos tintos”, diz o docente de enogastronomia do Senac Rio Preto Edson Fernando da Costa. Oque os diferencia é apenas a exposição maior entre o mosto e a casca. A maioria das vinificações desse tipo de vinho é feitaem ânforas de terracota, mas o armazenamento também pode ser feitoemtonéis de carvalho ou cimento.

Embora não tenha conservantes, os chamados sulfitos, os vinhos laranja são longevos e produzidos para durar até 50 anos. Para degustálo, o sommelier Sergio Musolino recomenda uma decantação por mais de três horas. Essa ação é necessária porque esse tipo de vinho precisa de mais tempo para liberar emcompletude seu potencial sensitivo. “Alguns produtores recomendam um dia de decantação. Quanto ao consumo, se você tomarumcálice, tampar a garrafa e colocar na geladeira, ele poderá resistir por mais tempo que umvinho 'normal'”, diz o sommelier.

Johnny Torres Gravner Ribolla, da Itália. R$ 491,60

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