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Diário da Região

12/09/2016 - 19h30min

RIO DE JANEIRO

Uma história a cada esquina

RIO DE JANEIRO

Agência O Globo Esquina: dois dos três pilares de pedra de um dos cruzamentos
Esquina: dois dos três pilares de pedra de um dos cruzamentos

Não, o verde-amarelo da bandeira nacional não representa nossas matas e todo aquele ouro encontrado aqui pelos portugueses. Essa explicação, que nos soa tão familiar, é furada. O verde veio dos Bragança. E o amarelo, da Casa da Áustria. Ou seja, foram escolhidos, respectivamente, como homenagem às famílias do primeiro casal de imperadores do Brasil, Dom Pedro I e Dona Maria Leopoldina.

Aí está uma parte da aula de História e histórias a céu aberto, que, há quatro meses, é contada aos visitantes nas ruas de Paraty. Nos mesmos moldes de dezenas de pontos turísticos espalhados pelo mundo, a cidade ganhou seu tour guiado (ou walking tour), como são chamados aqueles passeios conduzidos a pé, muitos deles sem valor fixo de remuneração, como é o caso aqui: paga-se quanto achar que vale.

Sobre Paraty, um dos destaques da aula ao ar livre refere-se à influência da maçonaria no planejamento urbano e na construção do Centro Histórico. Você pode ter ido várias vezes até lá e não ter notado que, em três das quatro esquinas de cada um dos cruzamentos da cidade, os pilares das casas são de pedra lavrada, formando um triângulo. Duas heranças dos maçons (a figura geométrica e o material). Outro exemplo: a decoração de algumas casas, em que faixas desenhadas com símbolos maçônicos correm de alto a baixo da fachada.

 

Casario - 11092016 Casario: ruas curvas seriam uma proteção contra os ventos, diz uma das teorias

Ainda no campo da arquitetura, o turista descobre durante o walking tour que a maioria das janelas térreas daquele lindo casario colonial já foi porta. E que a manutenção de vestígios de seu traçado original (até o chão) é uma norma de preservação do patrimônio local. Outra curiosidade - desta se pode até duvidar: o calçamento pé de moleque do centro um dia já foi liso como tapete: ficou desniveladíssimo, como está hoje, por conta de um malsucedido projeto de saneamento dos anos 1980.

A empresa responsável pelos passeios é a Free Walker Tours, que, depois de três anos no Rio, chegou a Paraty. "Quando resolvemos ampliar nossa atuação, fizemos uma pesquisa e logo percebemos que a aceitação do serviço em Paraty seria muito boa", diz a sócia Giovanna Marçal, preocupada agora em treinar e capacitar moradores do município para atuarem como walkers (caminhantes), nome pelo qual os sócios e os funcionários da empresa se chamam uns aos outros.

A aula costuma começar pelo item ruas curvas, que seriam explicadas como recurso de proteção contra os ventos - se bem que, há quem diga, que a proteção seria contra piratas. Mas, segundo Giovanna, jogar peteca costuma ser a parte do tour em Paraty que os turistas mais gostam. Legado indígena, a atividade é sugerida, quando o tema do passeio recai sobre os primeiros habitantes da região. Outros objetos também são apresentados durante o passeio:

 

Paraty 02 - 11092016 A porta da casa virou janela, mas vestígios do aspecto original foram mantidos

"As pessoas gostam muito quando usamos objetos que lhes permitam algum tipo de interação. Daqui a cinco anos, provavelmente poucos vão lembrar do que ouviram, mas não vão esquecer do que fizeram", acredita ela, acentuando que a descontração comum aos walking tours também é explorada pela empresa. "O turista é que decide quanto vai pagar. Por isso, para atuar nesta função é preciso ser simpático, agradável e fazer dessa experiência algo lúdico."

Os passeios em Paraty duram duas horas e são feitos às 10h30, em português, e às 17h, em inglês. Assim como em tours semelhantes mundo afora, não é preciso fazer reserva - a não ser que se trate de um grupo de oito ou mais pessoas. Menos que isso, é só chegar no ponto de encontro, o miolo da Praça da Matriz, a principal do Centro Histórico, nas horas acima. Os walkers estarão lá, de camisa vermelha. Menos aos domingos.

 

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