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Diário da Região

25/04/2016 - 20h42min

Mato Grosso do Sul

Uma Bonito como você nunca viu

Mato Grosso do Sul

Agência O Globo Lagoa Azul: gruta é o lugar mais procurado pelos turistas que vão a Bonito, no Mato Grosso do Sul
Lagoa Azul: gruta é o lugar mais procurado pelos turistas que vão a Bonito, no Mato Grosso do Sul

Bonito de ver

Diz a lenda Kaxinawá que Yube era um homem que se encantou com a mulher-anaconda e foi morar em águas profundas, onde conheceu o ritual das bebidas alucinógenas. Assim, como nas terras daqueles índios da fronteira entre o Brasil e o Peru, o município de Bonito, no oeste do Mato Grosso do Sul, também parece ser um cenário capaz de causar alucinações em quem quer que desembarque por ali.

Não é para menos. O que vemos são rios de tons cristalinos não encontrados em outras paragens do país e onde sucuris dão as caras na temporada mais fria; gruta com lago interior que tem seus tons de água alterados, de acordo com a incidência de luz; e um abismo, que tem como único acesso o rapel, onde acontecem mergulhos sobre cones calcários milenares de proporções realmente exageradas. Localizada a 265 quilômetros de Campo Grande, a cidade é o principal destino turístico da Serra da Bodoquena, na boca do Pantanal e em pleno cerrado, e virou uma espécie de modelo nacional, devido às práticas sustentáveis que proporcionam a mínima interferência no ambiente.

Mas se Bonito fez fama mundial com flutuações em águas, exageradamente, transparentes, é hora de provar algo diferente em terras bonitenses. Afinal não é em todo lugar que dá pra pedalar às margens de rios, entrar de cabeça em nascentes ou deslizar 72 metros, amarrado em cordas de rapel, por uma fenda estreita que leva a uma caverna vertical profunda.

Entre o descanso e a adrenalina

Ainda que seja um destino para turismo de descanso, Bonito sempre dá um jeito de elevar o nível de adrenalina, ainda que seja com pequenas tirolesas que terminam em águas cristalinas ou navegações sobre botes que deslizam corredeiras de dimensões discretas. Nada que se compare às sensações extremas sentidas no Abismo Anhumas, mas que vão além da contemplação inocente e sem sustos das famosas flutuações bonitenses.

O complexo Cabanas fez dos dois rios que ilham a propriedade, o Formoso e o Formosinho, cenário para a prática de esportes de aventura, voltados para um público não iniciado no assunto. Na área, de 40 hectares, a 6 quilômetros de Bonito, há um circuito de arvorismo com 18 obstáculos aéreos pelas copas das árvores, em mata ciliar onde moram araras, macacos e tucanos. A travessia termina com uma tirolesa aquática de 60 metros de extensão, convenientemente, instalada sobre o rio Formoso.

E se altura não for a sua pegada, naquelas águas cristalinas pode-se fazer boia-cross, em percurso de 1.200 metros por seis quedas e corredeiras de rio. As águas por ali parecem mais aceleradas e as baixas quedas d'água, uma das características da geografia de Bonito, nem sempre perdoam visitantes desatentos, mas esse circuito é entrecortado por cordas instaladas no rio, que formam bolsões para proteger e preparar a pessoa para a descida seguinte.

A experiência em boias individuais tem duração aproximada de 40 minutos e é combinada com uma trilha de 400 metros (ida e volta) pela mata ciliar. O ecoturismo de Bonito acontece também em áreas rurais do cerrado, em meio à Serra da Bodoquena. Um exemplo é uma antiga fazenda de gado, localizada a 24km de Bonito -, a Estância Mimosa, que ocupa 472 hectares, dos quais 300 são Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). Por ali, tudo começou como em quase todas as propriedades locais: a chegada de ondas de visitantes nos anos 90 fez empresários e fazendeiros voltarem os olhos ao turismo, sem deixar de lado suas atividades de origem.

Restaurantes e lojinhas

Com uma temperatura média anual de 22°C, Bonito é quente e chuvoso entre os meses de outubro e março, quando as precipitações podem alterar a visibilidade das águas das cachoeiras. Por isso, apesar de mais frios, o período entre abril e setembro é mais indicado para quem quer conhecer a região. Quem fica no centro da cidade conta com opções variadas de restaurantes na Avenida Pilad Rebuá, a via principal de Bonito, onde também estão as lojinhas de artesanato.

É ali que o visitante prova especialidades regionais como a carne de piranha, servida com banana da terra e pirão, e a tão procurada carne de jacaré preparada com molho sul-matogrossense, cuja receita inclui leite de coco, azeite de dendê, creme de leite e queijo. Um dos estabelecimentos mais tradicionais do centro da cidade é o Pantanal Grill, que serve boas porções de pratos como os citados acima. Além disso, o restaurante surpreende a clientela com o filé de piraputanga, um peixe tradicional de Bonito que, ali na casa, ganha uma versão que inclui vinho branco, alcaparras e cogumelos.

Quanto aos preços dos passeios de maneira geral, é bom saber que, para controlar o número de visitantes que cada atração pode receber, o município disponibiliza vouchers únicos, que acabam engessando os gastos. Não permite alternativas para o turista, como, por exemplo, negociar descontos. Esse documento, que pode ser adquirido em qualquer agência da cidade, é emitido em vias que garantem o pagamento de tributos e o controle estatístico das visitas.

Seja qual for a agência escolhida para aquisição de passeios, os preços são tabelados e exigem uma boa folga no orçamento do visitante. Segundo a Secretaria de Turismo de Bonito, os valores cobrados em algumas atividades se devem à manutenção da estrutura exigida e ao custo das licenças. Guardadas as devidas proporções, Bonito é daqueles lugares que fazem Fernando de Noronha parecer um lugar mais econômico. 

Cavalgada em meio à sombra

O grupo de jacarés-de-papo-amarelo que toma sol na beira da lagoa local tem cara de poucos amigos, mas a recepção pouco convidativa é compensada pela simpatia dos funcionários que encabeçam as atividades nessa fazenda que tem fins turísticos desde o ano 2000. A estância conta com trilha de 3,5 quilômetros na mata ciliar do Rio Mimoso, com parada para banhos em sete cachoeiras; e saídas para observação de mais de 220 espécies de aves, com o acompanhamento de guia especializado no assunto.

Como não poderia ser diferente em terras planas, entre as atrações estão cavalgadas em campos de fazenda e de reservas particulares, com 70% do trajeto feitos em área sombreada - um alento para quem visita a quente e abafada Bonito. Difícil mesmo é encarar tudo isso depois do almoço preparado sobre o fogo constante da lenha que queima na típica cozinha de fazenda. A variedade culinária é discreta, mas o buffet, com nove pratos diários (R$ 48), tem opções como carne ao molho pantaneiro, feijão preto com costela ou queijo fresco e arroz com legumes orgânicos.

O turismo rural segue na Fazenda Ceita Corê, administrada pela quarta geração de uma mesma família que fez das águas dos rios locais uma extensão de sua propriedade de 1.100 hectares, a 36 quilômetros de Bonito. O passeio pela propriedade inclui visita à nascente do Rio Chapena, com o buffet do almoço. Ali, espelhos d'água recortam a área social e rios correm para uma piscina artificial. Trilha de quase dois quilômetros (ida e volta) leva visitantes a seis cachoeiras, como a do Mirante, de 13 metros de altura. No caminho, o guia ainda faz paradas para explicações botânicas, aos pés de árvores como jaborandi, ipê, jatobá-mirim e aroeira. 

Serviço

Passeios

Onde ficar

 

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