X
X

Diário da Região

25/04/2016 - 19h54min

Sexualidade

Sexo com afeto

Sexualidade

Stock Images/Divulgação NULL
NULL

Flávio Gikovate, médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor brasileiro, afirma que desde o início aprendemos que sexo e amor são componentes de um mesmo instinto. No entanto, Gikovate não pensa desta forma. O especialista em relacionamentos afirma que o amor corresponde à agradável sensação de aconchego que sentimos quando estamos próximos de uma criatura especial. É o que sente a criança no colo da mãe, por exemplo. O sexo, segundo ele, é uma agradável sensação de excitação que deriva da estimulação de certas partes de nosso corpo.

Ele explica que, na vida adulta, somos atraídos sexualmente por um grande número de pessoas. Os homens sentem forte desejo visual por quase todas as mulheres, enquanto que as mulheres se excitam muito ao se perceberem assim atraentes. A aparência é de processo interpessoal; mas é tão indiscriminado que o outro importa pouco. O amor é dirigido a uma criatura única e especial. Gikovate explica que amor é paz e é interpessoal. Sexo é excitação e é essencialmente pessoal.

"O mais típico momento do sexo, o que corresponde ao orgasmo, é o mais solitário, ao contrário do que costumamos pensar: a excitação física é tão forte que ficamos totalmente voltados para ela, do mesmo modo que nos aconteceria se tivéssemos uma forte dor física. Não há lugar, nestas condições fisiológicas, para qualquer tipo de atenção ao outro", explica. Neste cenário, ele explica que talvez por isso preferimos o sexo com alguém que amamos, pois depois poderemos nos abraçar e nos aconchegar para atenuar a solidão que acompanha o prazer sexual máximo. 

O abraço após o ato sexual é uma escolha principalmente no Brasil, um país com fama de hipersexualizado. No entanto, existe um grupo de pessoas que vê o sexo como algo complementar ao amor - são pessoas que preferem o colo do outro após o ato sexual, como explica Gikovate. Que não banalizam a relação sexual, não fazem dela algo obrigatório, mas sim algo especial. São homens e mulheres que deixam de lado o sexo sem compromisso e apostam no toque, no afeto e no carinho. É algo mais calmo, tranquilo e pessoal. Não quer dizer não exista a atração, o desejo.

Existe, mas é algo secundário. O sexo como amor é algo que transcende, segundo a empresária e psicóloga Lucia de Paula (nome fictício), 42 anos. Hoje, ela está casada. Quando adolescente, ela optou por nunca transar no primeiro encontro. "Nunca me vi saindo com uma pessoa sem ter uma relação sólida, e este meu comportamento gerava estranheza no meu círculo de amigos. Sempre preferi a intimidade afetiva e sempre fui feliz com minha sexualidade. Não me arrependo de nada. Tive alguns parceiros sexuais e todos eles me ligaram no dia seguinte porque já tínhamos uma relação afetuosa."

No consultório, Lucia conta sua experiência aos pacientes que colocam a efetividade em primeiro lugar. "Muitos deles sofrem preconceitos pelas suas escolhas, principalmente os homens. Por causa da sociedade machista, o homem tem que mostrar virilidade 24 horas horas por dia e transar com quem não se tem nenhuma ligação sentimental. No entanto, eles também podem escolher ter felicidade sexual e envolvimento afetivo." A especialista afirma que cada pessoa deve viver da maneira que se sente mais confortável. "Existe amor sem sexo e sexo com amor. Cada pessoa escolhe o que é melhor para ela."

Além de ser uma escolha, Ana Monachesi, psicóloga e especialista em sexualidade, diz que optar pela relação com mais afetividade e cumplicidade é uma questão de personalidade. "Se a pessoa vive relacionamentos descartáveis com a família e com os amigos do trabalho, por exemplo, também terá relacionamentos superficiais, o que é uma pena. Hoje em dia, em tempos de crise, ter carinho e amor nas relações emocionais dá prazer e preenche a alma." A relação com afetividade precisa de investimento emocional, dá trabalho. 

Segundo Ana, é preciso não deixar virar arroz com feijão e dar uma nova roupagem ao relacionamento todos os dias. "E você não precisa fazer uma viagem para fora do país ou comprar algo mirabolante ou caro para agradar o parceiro ou a parceira. Cuidados simples no dia a dia fazem toda a diferença. O olhar, o cafuné e um agrado valem muito mais, mesmo sendo gratuitos. É interessante ter esperança em comum e idealização de um futuro em comum, não como cobrança, mas como projeto. Isso dá um gás e leva o casal para um lugar comum e com uma intimidade muito bacana."

Sobre intimidade e responsabilidades

A divulgação escancarada do comportamento sexual em músicas, filmes e novelas tem causado uma banalização do sexo. A facilidade de acesso a filmes e produtos eróticos também tem contribuído. Diego Henrique Viviani, psicólogo e sexólogo, afirma, no entanto, que o grande problema não está apenas no incentivo e na forma como este incentivo ocorre, mas na não-responsabilidade sexual. 

Segundo o especialista, vivemos um momento histórico no campo da sexualidade, com "o prazer sexual não restrito apenas às estruturas familiares e aos homens, mas estendido às pessoas solteiras e às mulheres". No entanto, é importante entender que, além da banalização e vulgarização do comportamento sexual, ainda há o sexo responsável e feito por prazer, sem necessariamente ter um vínculo amoroso. Em contrapartida, existem pessoas que compreendem o sexo como algo mais íntimo e que deve ser vivido apenas com uma pessoa especial.

"Nestes casos, é mais comum que as pessoas não julguem o sexo só como uma possibilidade de prazer, mas como uma possibilidade de prazer que deve ser dividida com a pessoa amada. O sexo é encarado como algo importante, mas não como a base da relação, passa a ser visto como consequência a algo que caminha bem, como complemento ao carinho, afeto, bem-estar, à cumplicidade, parceria e muitas outras coisas que permeiam um relacionamento", explica Viviani. 

 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso