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Diário da Região

16/08/2016 - 00h00min

VOLTA AO PASSADO

Séries inspiradas nos anos 1980 e 1990 ganham força

VOLTA AO PASSADO

Divulgação Com referências a Steven Spielberg e Stephen King, Stranger Things, da Netflix, é um sucesso
Com referências a Steven Spielberg e Stephen King, Stranger Things, da Netflix, é um sucesso

Tem muito adulto se sentindo criança novamente com o retorno dos anos 80 e 90 com força total na TV e nos jogos. Em pleno 2016, a série mais falada é Stranger Things, produção da Netflix que resgata aquele clima de sessão da tarde das décadas passadas com referências claras a filmes de Steven Spielberg e à literatura de Stephen King. Também não se fala em outra coisa a não ser Pokémon Go, jogo que trouxe de volta os monstrinhos criados em 1995 e os apresentou para uma nova geração.

Mas esse resgate cultural é uma tendência que vem ganhando força já há alguns meses, especialmente na Netflix, que está apostando forte no ‘revival’ de sucessos dos anos 80 e 90, torcendo para que a memória afetiva do público atraia bons números de audiência. Só neste ano, eles lançaram Fuller House, série que continua o sucesso Full House, conhecida no Brasil como Três é Demais, e se preparam para divulgar Gilmore Girls em novembro.

No entanto, a moda não se restringe à Netflix. A emissora Fox trouxe de volta no início do ano um de seus maiores sucessos, Arquivo X. A série cultuada ganhou uma décima temporada em janeiro de 2016, quase 14 anos depois do seu encerramento.

VIDA_7580_WEB Carisma das crianças de Stranger Things foi o que prendeu Mauro Garcia

São dois movimentos, um de resgate de sucessos dos anos 80 e 90 e outro de criação de conteúdo inspirado nestas décadas, motivados, provavelmente, por uma análise do que o público deseja, afirma Ana Paula Bandeira, mestre em comunicação social e colaboradora do site Ligado em Série.

“No caso de Fuller House e Stranger Things, que são produções da Netflix, os motivos podem estar relacionados com os dados que a plataforma colhe de seus assinantes, como comportamento de consumo, preferências, etc. Arquivo X é uma série cult, com muitos fãs engajados, cujo retorno poderia explorar, entre outras coisas, um avanço na qualidade da produção devido às grandes evoluções tecnológicas que aconteceram dos anos 90 para cá.”

Independente da motivação dos estúdios, uma coisa é certa, garante André Nique Costa, redator publicitário e também colaborador do Ligado em Série. “Nostalgia vende bastante, ainda mais com uma geração que cresceu com a televisão e a cultura pop como referência. Se Stranger Things não tivesse esse clima nostálgico, fosse só uma ‘série de mistério e monstros’, talvez não tivesse tanto apelo.”

Foi essa junção de elementos que atraiu o desenvolvedor Mauro Garcia, de 26 anos, a assistir Stranger Things. “Eu tento sempre apostar alto nas produções da Netflix, então já começou por aí meu interesse. Aí conferi os trailers e todo o clima de mistério/ficção ajudou, além da atmosfera dos anos 80. Quando comecei a assistir, a série me fisgou por diversos elementos. A história te envolve, te desperta curiosidade e as crianças cativam demais. Boa parte do chame da série é o carisma delas”, conta.

Mas se apoiar na nostalgia nem sempre garante qualidade. Fuller House foi duramente criticada por repetir fórmulas e apostar tudo na marca. “A série fica repetindo tudo que deu certo em Full House apenas para ficar dando piscadinhas para os fãs antigos dizendo ‘lembra disso? Lembra daquilo?’”, afirma André.

Fica mais difícil quando o produto é continuação ou remake de uma série já amada. “É complicado continuar algo que já está pronto e bom na lembrança do público. Continuações e remakes de clássicos sempre incomodam. Stranger Things não tinha esse legado para manter”, diz Mauro.

FH_101_00953R2_WEB Fuller House, que dá sequência ao sucesso Full House: repetição de fórmula nem sempre é bem-recebida por fãs

Máquina Mortífera e MacGyver vêm aí

Para o futuro, além de Gilmore Girls, na Netflix, teremos o retorno de Twin Peaks, no canal norte-americano Showtime, e remakes de alguns clássicos como Máquina Mortífera, O Exorcista e MacGyver.

“No caso de Twin Peaks, é uma série que sempre manteve uma base de fãs muito ativa e o seu próprio conteúdo pode ter servido como gancho, já que a famosa personagem Laura Palmer fala em determinado momento que haveria um reencontro 25 anos depois - o que aconteceria em 2015, quando foi anunciada a nova temporada”, comenta Ana Paula Bandeira, mestre em comunicação social e colaboradora do site Ligado em Série.

Segurança comercial

No entanto, enquanto a quantidade de produções que remetem ao passado cresce, a impressão que fica é que a criatividade cai. Apesar de vivermos um dos melhores momentos para os fãs de séries de TV, para cada conteúdo original divulgado, temos uma infinidade de reciclados.

“Falta coragem para novas ideias. Existem ótimas séries novas surgindo - Mr. Robot, por exemplo -, mas entretenimento é uma indústria que é movida por gráficos de lucros. Em vez de tentar fazer de cada nova série uma Mr. Robot e arriscar um tiro n’água, os executivos preferem apostar em algo concreto, como uma nova temporada de Gilmore Girls”, diz André Nique Costa, redator publicitário e também colaborador do Ligado em Série. “Não que o resultado seja necessariamente ruim por causa disso, mas é uma opção comercial mais garantida”, completa. 

GILMOREGIRLS_101_FAL_00787R_WEB Queridinha dos anos 90, Gilmore Girls retorna em novembro

A febre dos monstrinhos

Quem cresceu nos anos 90 dificilmente não viu pelo menos um episódio de Pokémon ou não jogou os muitos games lançados para as mais diversas plataformas. Os monstrinhos eram uma febre, dominando a mídia por todos os lados e, apesar de nunca terem desaparecido totalmente, eles estão de volta fazendo mais sucesso que nunca, motivo de comemoração para muitos fãs, como é o caso da analista e desenvolvedora de software Bárbara Cristina Rossalli Rocha, de 25 anos.

“Estava muito ansiosa pelo jogo. Parecia que não ia chegar nunca. Não fui adapta do que o pessoal fez para burlar o sistema, acho que estragaria a magia do jogo quando ele chegasse aqui. O legal é conquistar os Pokémons com trabalho duro e da forma certa. Na minha cidade - Neves Paulista - não existe nenhum pokéstop e/ou ginásio, então aproveito o tempo que passo em Rio Preto para jogar. Indo e voltando do serviço consigo passar por quatro pokéstops e na hora do almoço aproveito para ir ao centro. Criei um grupo de jogadores no Whatsapp e estamos nos movimentando para solicitarmos para a Niantic (desenvolvedora do jogo) pokéstops e ao menos um ginásio na cidade.”

Bárbara conheceu Pokémon aos 8 anos, quando o anime começou a passar no Brasil, e desde então se apaixonou. “Passei minha infância assistindo ao desenho e jogando RPG de mesa. Lembro quando lançou o álbum de figurinhas, não sosseguei enquanto não completei ele todo, e quando lançaram as miniaturas do guaraná Caçulinha, tenho algumas até hoje.” 

Túnel do tempo

Stranger Things
Episódios: 8
Disponível na Netflix

Fuller House
Episódios: 13
Disponível na Netflix

Gilmore Girls
Episódios: 4
Lançamento: 25 de novembro

O Exorcista
Episódios: não determinado
Lançamento: Até o fim do ano

Máquina Mortífera
Episódios: não determinado
Lançamento: Até o fim do ano

MacGyver
Episódios: não determinado
Lançamento: Até o fim do ano

Twin Peaks
Episódios: não divulgado
Lançamento: 2017

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