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Diário da Região

28/12/2016 - 20h40min

Comportamento

O invejoso mora ao lado

Comportamento

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Ninguém gosta de ser taxado de invejoso, mas a inveja talvez seja um dos sentimentos que estão mais presentes diariamente em nossa vida. Quem nunca sentiu ao ver, pelas redes sociais, um amigo curtindo dias em uma praia paradisíaca, por exemplo? "A inveja, por mais estranho que possa parecer, é uma espécie de admiração", declara o psicólogo cognitivo comportamental Alexandre Caprio, de Rio Preto. 

Caprio explica que o que transforma a inveja em algo ruim é o quanto o invejoso se sente incapaz de atingir o mesmo nível do invejado. "Se eu desejo ser ou ter o que o outro tem, mas não me vejo apto a conseguir, passo a ter, na imagem do outro, a afirmação da minha inferioridade. Tendo receio de que os outros também notem esse comparativo, procuro me defender. Se não me sinto apto a subir de nível, só me resta tentar reduzir essa diferença atacando o outro por meio de críticas para o maior número de pessoas possível. Se consigo destruir a reputação de quem considero superior, reduzo a diferença entre mim e ele, e assim me sinto aliviado", explica. 

Por todos os lados

O psicólogo Frederico Mattos, autor do livro Mães que Amam Demais (ed. BRVCOM), lembra que certa vez leu no para-choque de um caminhão: "O tamanho da sua inveja é a força da minha vitória", e naquele momento se perguntou: será que isso realmente motivaria alguém? "Percebi que sim, muita gente, aliás. Um invejoso alimenta o outro. Notei que pouco se fala sobre a inveja e vejo que ela está muito mais presente nas relações humanas do que gostamos de acreditar", garante. 

Para Mattos, a inveja envolve hostilidade, ainda que isso possa não ser reconhecido. "Se se destrói por ciúme, aparentemente há uma razão para tanto, mas na inveja a espoliação se faz por ódio velado e parece não haver nenhuma circunstância atenuante. A pessoa invejosa é espoliadora injuriando, danificando e ferindo outra pessoa. Psicologicamente também, ferindo os atributos e as conquistas de outra pessoa em sua própria mente, em pensamento, ou externamente, por meio de críticas, escárnio ou provocação." 

Alexandre Caprio explica que o número de pessoas invejosas (no trabalho, na família, no relacionamento, entre amigos...) tem crescido por três motivos: o aumento das possibilidades de comparação que a comunicação digital tem proporcionado (via redes sociais, por exemplo); a maquiagem dos perfis sociais (pessoas procurando parecer melhores do que realmente são, elevando a "bolha" inflacionária de egos), e o consequente aumento de indivíduos com problemas de autoestima.

"Quanto maior parece ser a diferença entre as habilidades dos outros e a minha, maiores são as chances de sentimentos como a inveja se manifestarem", diz. Ao contrário do que muitos afirmam, o invejoso não é alguém com alto poder de convencimento - alguns podem até ser, mas a maioria beira ao caricato. "O invejoso não tem, necessariamente, um alto poder de convencimento, embora isso possa acontecer. Não é uma regra.

Na verdade, aquele que tem uma necessidade mórbida de equalizar as diferenças que sente ter em relação aos outros torna-se, com o tempo, bastante óbvio e caricato", destaca Caprio. "Mas existem, claro, pessoas meticulosas e detalhistas que podem parecer mais convincentes e que incluem, em seu discurso, até mesmo mentiras que dificilmente serão confrontadas." A boa notícia é que essas pessoas podem se tratar, mas segundo Caprio o tratamento parte do pressuposto de que a pessoa aceita sua condição e procura ajuda profissional.

"É difícil para um invejoso aceitar que é invejoso, justamente porque ele está tentando se proteger de sua própria vulnerabilidade, e isso inclui a negação da falha e culpabilidade das pessoas ao seu redor. Se o indivíduo consegue aceitar, pelo menos de forma inicial, que tem tal problema, poderá, juntamente com um terapeuta, investigar as causas mais profundas da inveja e reformá-las", sugere. 

Inveja branca, existe?

Segundo os especialistas, existe uma diferença entre admiração e inveja. E quando o que a pessoa tem é admiração, o que se diz no senso comum é que sente "inveja boa" ou "inveja branca". Por exemplo, você pode admirar o outro e pegá-lo como modelo, mas se você souber que ele está doente, você vai sofrer. Não tem raiva, não deseja o mal, ao contrário do invejoso. 

"A meu ver, 'inveja branca' é um termo mais parecido com uma brincadeira do que uma verdade, porque a inveja branca nada mais é do que admiração. Claro que, às vezes, temos uma sensação desagradável ao notarmos a diferença entre nós e outras pessoas. Mas quando nos sentimos aptos a seguir a mesma trajetória e chegarmos ao mesmo ponto que os outros chegaram, temos inspiração, motivação e superação", analisa o psicólogo cognitivo comportamental Alexandre Caprio. 

Como identificar o invejoso no dia a dia

  • Não consegue ver nada que possa elogiar ou valorizar em outro indivíduo, mas só acha dúvidas do tipo "bem, estava bom, mas..." e encontra sempre alguma razão para duvidar da outra pessoa ou derrubá-la
  • Não sossega enquanto não consegue algo que alguém tem, como um bom emprego, carro, cônjuge, etc
  • Incapacidade de reconhecer ajuda e informação ou com dificuldade em aprender e fazer trabalho em grupo
  • Não tolera escutar o que a outra pessoa tem a dizer, encontrando todo tipo de artifício para parar a conversa
  • Dificuldade no relacionamento amoroso e busca de solidão, pois ninguém é interessante o suficiente
  • Dificuldade ou bloqueio em sentir prazer físico, emocional, sexual, intelectual e espiritual, devido à incapacidade de estabelecer relacionamentos bons, calorosos e confiáveis
  • Excesso de desconfiança dos outros e incapacidade de se abrir o suficiente para os outros
  • Vive envolvida com fofocas e desmerecendo as conquistas alheias
  • Ser o desmancha-prazeres, do tipo que conta que vai ter uma festa surpresa ou que adora falar verdades na cara dos outros
  • Quando conquista a pessoa desejada e logo perde o interesse. Normalmente, era a inveja que mobilizava aquele desejo. Depois que a "vítima" foi conquistada, já não é mais útil para o invejoso, que vai passar a admirar outro alvo

Fonte: Frederico Mattos, psicólogo

 

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